Jornal dos Desportos

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Futebol

Carregador de piano militar

Augusto Fernandes - 30 de Setembro, 2019

Fotografia: Augusto Fernandes | Edies Novembro

A génese de Stopirrá está no bairro Precol, município do Rangel. Aos oito anos de idade, vestiu a camisola do Cantinho dos Trabalhadores no Torneio Caçulinha da Bola. Tinha como companheiros Beto, David e outros. Transferiu-se para Combal, clube que representou durante três épocas com Moisés I, Cacharamba e outros que vieram brilhar no Girabola. Cansado de massa e bolachas, transferiu-se para Bolama, uma das equipas mais forte de Luanda.
Sem a idade para caçulinha, parou três anos. Um amigo convidou-o para actuar pela equipa júnior do 1º de Agosto. Não sabia o que lhe estava reservado. O menino do bairro Precol é recebido por Mário Calado. No seu primeiro ano, em 1995, jogou com Pena, Ismael, Paulucho e outros. No ano seguinte, em 1996, Stopirrá vestiu a camisola da equipa sénior. Era um sonho.
"O treinador Mário Calado havia sido indicado a treinador principal de sénior e levou-me consigo. Encontrei o Mwanza, Castela, Neto, Hélder Vicente, Roque, Ntomas, Gonçalves, Pedro, Mateus Fuidimau, Assis e companhia", lembra com nostalgia.
Diante das "feras", não foi fácil para Stopirrá se impor no campo. Apenas havia um segredo: "Com muito trabalho e dedicação, mereci a confiança do treinador Mário Calado. Desde muito cedo, impus a minha raça e já confiava em mim. Desde o escalão de júnior, nunca o tinha desapontado". Por outro lado, tinha sempre "a força dos mais velhos" para se sentir à vontade.
Stopirrá vestiu a camisola do 1º de Agosto durante 12 anos com a qual colecciona três títulos do Girabola (um com Mário Calado em 1996 e dois com Daniel Dungidi em 1998 e 1999) e quatro Supertaças. Tem uma final da Taça das Taças de África, em que defrontou o Esperance de Tunis. 
 Essa final já foi de triste memória. Hoje, faz parte do passado. Stopirrá relembra a história: "Depois do empate a zero bolas em Tunis, empatámos a um golo em Luanda, depois de desperdiçarmos uma grande penalidade. Foi um dia triste não só para os jogadores do 1º de Agosto, mas para todos os angolanos. Teria sido a primeira conquista da Taça Africana para o país".
Assis, naquela altura o maestro do meio campo do 1º de Agosto, falhou o penaltie, quando a Nação já tinha as capas do Jornais feitos. A pressão feita pelos tunisinos contribuiu para desequilibrar psicologicamente alguns jogadores da equipa militar. O jogo ficou paralisado durante 30 minutos após a sinalização da falta na área da equipa árabe."Não podemos culpar o Assis. A culpa foi de todos nós", diz Stopirrá com sorriso aos lábios. A mea-culpa tem justificação: " Se tivéssemos ganhado o jogo, a vitória seria atribuída a todos os jogadores".
O menino da Precol disputou 20 dérbies com o Petro de Luanda, dos quais 60 por cento "perdeu-o". Contra a equipa do Catetão, Stopirrá guarda o momento mais importante da sua carreira: "Marquei o golo mais bonito de toda a minha vida; foi um remate de pé esquerdo do meio da rua".Entre 1999 a 2005, Stopirrá era o "carregador de piano" militar; fez jogar a equipa e marcou golos decisivos. Por ter sido um jogador exemplar e disciplinado, foi-lhe dado a braçadeira de capitão e ajudou a equipa técnica a orientar os colegas em campo.

 

OUTRAS EQUIPAS

Além do 1º de Agosto, Stopirrá inscreveu o seu nome noutras equipas do país. Em 2006, vestiu as cores branca e verde do Sagrada Esperança da Lunda Norte. Com os diamantíferos, o casamento foi de quatro épocas e disputou um jogo da Liga de Campeões Africanos e dois da Supertaça. Contraiu uma grave lesão e só recuperou um ano e meio depois. Em 2010, transferiu-se para o Progresso do Sambizanga e terminou a carreira desportiva em 2012. Regressou ao clube militar e foi colocado no corpo técnico das camadas de formação, onde permanece até os dias correntes.

SELECÇÃO NACIONAL
Taça COSAFA é o pódio

Em 1997, Stopirrá foi convocado pela primeira vez para vestir a camisola dos Palancas Negras. Lembra de ter sido chamado com Hélder Vicente, Neto e Castelo. Infelizmente, foi dispensado. 
Nas convocatórias seguintes, sempre fez parte dos 23 eleitos. A titularidade chegou em 1999 na célebre equipa nacional que conquistou, na Namíbia, a primeira Taça COSAFA para o país. O malogrado treinador Djalma Alves Cavalcanti foi o responsável pela conquista.
Em 2001, voltou a erguer o troféu da Taça COSAFA com o treinador Mário Calado em Harare, Zimbabwe. A terceira taça COSAFA chegou em 2003 com o seleccionador nacional,  Oliveira Gonçalves.
"A conquista da primeira Taça COSAFA foi o momento mais alto de toda a minha vida como futebolista", afirmou.
Durante oitos anos consecutivos, Stopirra sempre esteve na selecção nacional. O seu nome está cravado com letras de ouro. Foi um dos melhores meio-campista de Angola e só rivaliza com Amândio, Geovety, Zeca, Chiby, Paulão e Arménio. Na selecção nacional jogou com Akwá, Jony, Betinho, Paulão, Paulo Silva, Jonas (falecido), Delegado, Julião (falecido), Orlando, Minhonha, Jamba e outros. 

Por dentro


Nome completo: Edgar Gerónimo
Filiação: Manuel Gerónimo e de Domingas dos Santos
Data e local de nascimento: 25 de Dezembro de 1978 em Luanda
Estado civil: Solteiro
Filhos: Três filhas
Altura: 1,63 metros
Prato preferido: Bitoque
Hobby: Ler, especialmente, o Jornal dos Desportos
Música: Antilhanas antigas
Cor: Azul
O que mais teme: A morte
Acredita em Deus: Sim
Porquê? É o criador de tudo
Religião: Não frequento nenhuma
Fonte de inspiração: Luís Figo e Zidane
Clube do coração: 1º de Agosto
Cidade que gostaria de conhecer: Dubai
Cidade angolana que mais gosta: Luanda
Sonho: Formar as minhas filhas