Jornal dos Desportos

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Futebol

Cidadela pode ficar sem jogos

Betumelano Ferr?o - 23 de Março, 2017

Sambilas indicaram a antiga catedral do futebol nacional como palco para os seus jogos mas só utilizaram uma vez este ano

Fotografia: Nuno Fash |Edições Novembro

A Cidadela é capaz de estar a apanhar por tabela por causa da tragédia ocorrida no estádio 4 de Janeiro. O Jornal dos Desportos concluiu com base nas várias versões em sua posse, que a Federação Angolana de Futebol (FAF) decidiu alegar, pouco depois da tragédia do Uíge, questões de segurança para impedir que o estádio receba jogos do campeonato nacional.

O estádio nacional era a casa oficial escolhida pelo Progresso Sambizanga, os sambilas ainda chegaram a efectuar lá um jogo, foi contra o 1º de Maio de Benguela, válido para a 2ª jornada, mas depois tiveram de se mudar para os Coqueiros por causa da chamada de atenção da federação, apurou este diário.

Uma fonte do Progresso Sambizanga esclareceu ao Jornal dos Desportos que a sua equipa tinha a pretensão de manter a tradição de continuar a jogar na Cidadela, mas logo a seguir a tragédia no 4 de Janeiro o clube teve de escolher um outro recinto.

Mesmo sem apontar quem, a fonte do clube sambila revelou que foram usados argumentos como \"as grandes fissuras que a Cidadela tem, e a qualidade dos balneários\", para convencer o emblema do Sambizanga a abdicar do estádio nacional.

JOAQUIM CAFUXI
Director do estádio responsabiliza a FAF


O director do Complexo da Cidadela Desportiva, Joaquim Cafuxi, responsabilizou a Federação Angolana de Futebol (FAF) pelo recuo do Progresso Sambizanga em continuar a jogar no estádio nacional. Sem receio de dar a cara, ele revelou ter em sua posse uma carta dos sambilas, cujo conteúdo conhece de cor.

\"O primeiro parágrafo é bastante esclarecedor, eles (Progresso Sambizanga) dizem mesmo que por questões de segurança, foram orientados pela FAF a parar de jogar na Cidadela\", revelou. A alegação feita pelos sambilas apanhou de surpresa o director do Complexo da Cidadela, pois a FAF tinha feito vistoria ao estádio antes do início do Girabola ZAP, motivo por que o Progresso realizou o seu primeiro jogo em casa no estádio nacional, lembrou Joaquim Cafuxi.

Como para um bom entendedor meia palavra basta, o director diz ter compreendido muito bem o que se estava a passar. \"O que aconteceu é que em função dos tristes acontecimentos ocorridos no Uíge, se achou melhor não jogar mais na Cidadela, é a única conclusão a que cheguei mal comecei a ler a carta do Progresso\", argumentou.

A troca da Cidadela pelos Coqueiros vai deixar a direcção do complexo sem uma das suas fontes de receita, mas Joaquim Cafuxi esclareceu que o dinheiro é uma questão de somenos importância, o que se nega a aceitar é que o estádio não tenha condições de segurança.

\"Evocar este tipo de questão é que não está correcto, são apenas alegações e nada mais, cada um é livre de jogar onde quer, só não podem alegar questões de segurança\", reafirmou.

O director Joaquim Cafuxi criticou o que considerou \"um paradoxo\" da FAF, que solicitou o uso da Cidadela para os treinos da Selecção Nacional de Sub-17, pois dias depois de orientar o Progresso a trocar de estádio.

\"Por pouco nós teríamos rejeitado este pedido, mas como não queríamos levantar polémica preferimos ceder, não estamos neste cargo para criar dificuldades\", garantiu.Doravante, ninguém sabe quando a Cidadela vai voltar a albergar jogos do campeonato ou da taça, as únicas provas internas cujos jogos acolhia, mas Joaquim Cafuxi diz não estar nem um pouco preocupado se o estádio deixar de ser útil ao futebol.

\"O que conta é que o estádio não está interdito, só o governo pode tomar esta medida, o estádio contínua apto mas se calhar, o que está a acontecer agora pode ser um mal que veio para bem\", concluiu.


A FAF contraria a versão do Progresso, \"foram eles que pediram para passar a realizar os seus jogos nos Coqueiros\", assegurou ao Jornal dos Desportos uma fonte da federação angolana.

O órgão reitor do futebol não detalhou por que motivo os sambilas decidiram mudar de casa, pelo que não aceitou sequer admitir que a mudança tem a ver com questões de segurança.

Em defesa da sua dama, a fonte argumentou que a federação estaria a dar uma no cravo e outra na ferradura, pois os treinos da selecção de Sub-17, que prepara o africano do Gabão, estão a decorrer na Cidadela.

\"Não faria sentido alegar questões de segurança para proibir que o Progresso jogue e ao mesmo tempo escolher o recinto para os miúdos treinarem, seria falta de bom senso\", sublinhou.

Um possível regresso do Girabola ZAP à Cidadela não depende da federação, realçou a mesma fonte. A única certeza que a FAF deu ao Jornal dos Desportos é que o estádio não está interdito.

\"Não temos competência nem capacidade para tomar este tipo de medida, se houvesse uma interdição a nossa selecção nunca estaria a usar o recinto\", rematou.

Importa lembrar, que muitos anos antes da tragédia do Uíge, questões de segurança já limitavam o pleno uso do emblemático estádio. Desde 2008, que os jogos das Honras deixaram de lá ser disputados, antes, em 2002, o Governo interditou o uso do segundo anel depois dos estudos feitos pelos especialistas revelarem que a má qualidade do material usado era responsável pelas fissuras no segundo anel.