Futebol

Claque deve apoiar até o jogo terminar

Filomeno Manaças - 14 de Janeiro, 2010

É preciso fazer barulho do princípio ao fim do jogo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Os Palancas Negras regressam hoje ao Estádio 11 de Novembro para, diante do combinado do Malawi, arrancar uma vitória que vai ser extremamente importante para a obtenção do passe para os quartos-de-final. Trata-se de um jogo que não se afigura fácil e vai requerer da Selecção Nacional o redobrar de esforços e, sobretudo, de concentração.

Mas a tarefa de conseguir uma vitória hoje, diante do Malawi, não é apenas do onze nacional que vai estar em campo e da equipa técnica. A claque angolana é chamada a jogar um papel único no incentivo dos jogadores para que, no final, todos possamos festejar a vitória. Diria mesmo que os adeptos angolanos são, hoje, obrigados a ter um comportamento melhor do que aquele evidenciado no jogo de abertura, em que a Selecção Nacional esteve a ganhar ao Mali por 4-0, mas quando surgiu o 4-2, a claque começou a murchar, aos 4-3 emudeceu e entrou em transe, e aos 4-4 foi o descalabro.

Do mesmo jeito que à Selecção Nacional se exige que se mantenha concentrada e não pare de lutar enquanto o apito final do árbitro não soar, também a claque angolana não deve parar de fazer barulho enquanto o jogo não terminar. Alguém deve ter a iniciativa de comandar sem parar e variar as intervenções. As grandes ondas, que se criam nos estádios e dão outra beleza ao espectáculo, apenas em duas ou três ocasiões percorreram as bancadas.

Para quem esteve no jogo inaugural, foi visível que, quando os jogadores do Mali eram submetidos à pressão dos apupos do público, mostravam-se intranquilos e chegavam mesmo a perder o controlo da bola ou a fazer passes transviados. A confirmação de que o Mali sentiu essa pressão foi mesmo feita por um dos seus atletas em conversa com jornalistas angolanos.

À boa maneira das claques de outras paragens, os angolanos são chamados hoje, a partir das 19h30, a fazer barulho no Estádio 11 de Novembro, do princípio ao fim do jogo. A claque não pode parar!

É PRECISO ACREDITAR

Depois do jogo Angola-Mali, o desânimo apossou-se da maior parte dos angolanos que presenciou a partida, descrentes no que tinham acabado de ver. Ninguém quis admitir que, dos 4-0 conseguidos até ao minuto 80, Angola tenha saído do campo com um empate a quatro bolas com sabor a derrota, frustrando assim uma inauguração histórica e fabulosa do Estádio 11 de Novembro.

Mas hoje, é preciso acreditar. E é preciso acreditar porque quem até aos 80 minutos ganhava ao Mali por quatro bolas a zero, ao Mali que não é uma selecção qualquer, ao Mali que tem um toque de bola simplesmente fora de série, é indiscutivelmente uma selecção que, se estiver atenta e corrigir as suas falhas, se souber no momento certo se refrescar com jogadores que saibam reter a bola e levar o perigo à baliza contrária (que até os tem), pode ir muito mais longe e tem uma palavra a dizer nesta 27ª edição da Taça de África das Nações em futebol.

É preciso dizer que Angola está em 95º lugar no ranking da FIFA e vulgarizou uma selecção que está em 47º nessa tabela classificativa. O futebol é uma autêntica caixa de surpresas e é ponto assente que a lógica nem sempre funciona. Tanto assim é que o adversário de hoje, que está em 99º lugar no ranking da FIFA, derrotou a Argélia por três bolas a zero. A mesma Argélia que ocupa o 26º lugar nessa tabela, melhor classificada que a Dinamarca, o Paraguai e o grande Ghana.
A selecção e o público têm hoje uma e a mesma empreitada. Hoje tem de ser um dia de todas as certezas, assim como devem ser todos os jogos que doravante vierem. Mãos à obra e força Palancas Negras!

Adeptos reiteram apoio aos Palancas

Os adeptos da selecção nacional no município do Icolo e Bengo, província do Bengo, reiteraram sua confiança nos Palancas Negras, que nesta quinta-feira, defrontam o Malawi, jogo da segunda jornada do Grupo A da fase preliminar da Taça de África das Nações Angola´2010, a disputar-se em Luanda.
Numa ronda efectuada ontem (quarta-feira) pela Angop, os apoiantes sublinharam que os pupilos de Manuel José foram treinados de forma física, psicológica e desportiva para ultrapassar os obstáculos durante a partida no estádio "11 de Novembro".

Frisaram que o empate contra o Mali, na ronda inaugural, pertence ao passado e que a selecção nacional, neste momento, deverá ter as suas atenções viradas para os próximos desafios.
Jandira Peres, funcionária pública, disse que, apesar do empate frente à selecção do Mali, acredita ver Angola a vencer qualquer adversário, a julgar na maturidade e entrega dos jogadores demonstradas na partida de abertura.
"Estamos cientes de que todos gostamos de ganhar, mas é preciso estar preparado para perder, ganhar ou empatar, razão por que é importante haver entrosamento e concentração do combinado nacional para que, no jogo com o Malawi, possamos  impôrmo-nos", referiu.

Jandira Peres disse ainda que gostaria ver a administração municipal do Icolo e Bengo colocar à disposição do público uma tela gigante para assistir às partidas do CAN/2010.
Já o estudante Jorge Kafuti sublinhou a necessidade dos jogadores estarem preparados e concentrados para o próximo desafio, acrescentando que Angola tem tudo a seu favor para passar à fase seguinte.