Jornal dos Desportos

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Futebol

Clubes e FAF reajustam calendário

Betumeleano Ferrão - 01 de Fevereiro, 2018

Clubes votaram à favor da proposta B

Fotografia: Edições Novembro

A maioria dos clubes presentes ontem na reunião com a FAF votaram à favor da proposta B, apresentada na semana passada pela federação, que propunha à disputa esta época de apenas do Girabola ZAP. O segundo classificado do campeonato representa o país nas Afrotaças como vencedor da Taça de Angola, anunciou Jeremias Simão, presidente do Conselho Técnico da FAF.
Os dirigentes das formações presente concordaram com o modelo do órgão de reitor do futebol nacional, mas fizeram questão de proceder à um pequeno reajuste na duração da temporada 2018, que agora terá menos dois meses de duração.
\"Vamos iniciar o campeonato no dia 9 de Fevereiro, como estava previsto, mas a conclusão do Girabola ZAP está prevista para Agosto. A prova já não termina em Outubro como era nossa pretensão\", afirmou o dirigente.
O voto da maioria prevaleceu no final, contudo, o mais importante para o presidente do Conselho Técnico é que \"os clubes ajudaram muito\" a federação a se adaptar ao novo calendário da FAF, para que a época 2019 seja disputada dentro das novas datas propostas pela CAF.
Antes da reunião decisiva de ontem alguns clubes tiveram um encontro e emitiram no final o seu ponto de vista, que no entanto, em nada choca com o que foi votado. \"Nós tivemos acesso às conclusões do colégio dos clubes, que não foi superior a 7, mas o fundamental é que tudo foi levado em consideração e analisado nessa reunião decisiva\", enalteceu.
O voto da maioria defraudou as expectativas da minoria como o Sporting de Cabinda, Sagrada Esperança e o FC Bravos do Maquis. Os dirigentes desses clubes falaram em separado para os jornalistas, ainda assim alinharam no mesmo diapasão e os seus clubes não vêem nenhum tipo de benefício no modelo aprovado.
A localização geográfica de Cabinda é o maior problema dos leões, por isso, o presidente dos verde e branco, Manuel Coelho, lamentou pelo facto do seu clube ser o único dos 16, que nas 30 jornadas viaja sempre de avião para chegar a casa dos adversários. \"Não temos como viajar por estrada, fica sempre mais dispendioso para nós. Esse cenário, viagens aéreas, não é viável para nós\", deplorou.
As equipas do Leste não têm essa condicionante, porém, também fizeram as contas e discordaram do voto da maioria. \"Infelizmente, tivemos de nos submeter à maioria. Não queríamos mais complicar, mas fique claro que não viemos aqui a pensar só em nós\", afirmou José Ramos, vice-presidente do Sagrada.
O FC Bravos do Maquis calculou os custos e concluiu que há coisas que foram passadas por alto, mas o que se votou agora é irreversível. \"A maioria votou nos moldes antigos e com essa decisão vamos ter de fazer mais esforço físico e financeiro, pois, vai haver mais viagens em pouco tempo\", lamentou o presidente Manuel Kitadica \"Docas\".


PROVA EM SÉRIE
Paixão e Kangamba divergem nas opiniõ
es

O presidente do Progresso Sambizanga, Paixão Júnior, apresentou \"uma proposta exequível\" que previa o retorno das séries, a semelhança da primeira edição do campeonato nacional. O dirigente considera este modelo o ideal para aliviar o fardo financeiro dos clubes mais carentes.
O argumento apresentado pelo dirigente da formação sambila não agradou nem um pouco o \"boss\" do Kabuscorp, Bento Kangamba. O dono do clube palanquino defende a manutenção do figurino actual e voltou a bater na sua tecla de sempre, \"quem não tem dinheiro que não entra no campeonato\", aconselhou.
A visão de Paixão Júnior leva em conta os aspectos desportivos e financeiros. Defendeu a sua dama com eloquência e fez com que Leonel Casimiro, Recreativo do Libolo, meneasse a cabeça em sinal de concórdia e aprovação.
\"Esse é um Girabola de transição, então a saída é mudar os moldes de disputa. Teríamos duas séries com 8 equipas cada e seria disputada a duas voltas.  Cada um faria 14 jogos, depois teríamos a segunda fase com 6 equipas e os 3 primeiros de cada série, que fariam mais 10 jogos no total das duas voltas\", argumentou.
Com o Petro de Luanda e o 1º de Agosto em grupos diferentes, o campeonato seguiria o seu rumo normal com uma única jornada semanal e até poderia começar com uma semana de atraso.
\"Nessa proposta, até poderíamos começar o Girabola a 16 de Fevereiro e não precisaríamos de jogar às quartas-feiras. Esse é o modelo que melhor atende as necessidades dos clubes, porque teríamos menos gastos e menos viagens\", esclareceu.
Disse mais adiante que os jogos competitivos não estariam postos de parte. \"Iríamos juntar o útil ao agradável, porque teríamos sempre jogos competitivos e também iríamos salvaguardar o poder competitivo das equipas que participam nas afrotaças\", defendeu.


SEGUNDONA
Dirigentes defendem
modelos diferentes

A Paixão Júnior é de opinião que a FAF uniformizasse também o campeonato da segunda divisão com a criação de duas séries. O dirigente defendeu que com este modelo seria mais fácil o campeão e o vice ganharem o direito de preencherem as vagas das equipas despromovidas.
Com a mão na massa, o presidente sambila esclareceu que a sua proposta até prevê a disputa da Taça de Angola a partir dos 16 avos de final, mas apenas a uma mão.
 \"Num cenário desses, sempre teríamos as duas provas a decorrer sem problemas, quem chegasse à final da taça faria somente 5 jogos\", sublinhou.
O retorno às séries não seria uma novidade, porém, Bento Kangamba é contra e advertiu para não \"misturar realidades\". o presidente palanquino é defensor acérrimo dum Girabola ZAP com 16 equipas.
\"O nosso campeonato sempre foi assim e agora com o fim da guerra estamos mais organizados, pois, podemos ir a todo o sítio jogar\", afirmou.
O presidente Kangamba voltou a aconselhar os que reclamam de dinheiro a encontrarem soluções para os seus problemas, antes de chegarem à primeira divisão.
Sublinhou que questões financeiras ou desgaste físico, por jogar duas vezes por semana, são argumentos pouco convincentes para optar por campeonatos em séries.
\"Nós podemos jogar duas vezes por semana, pelo menos para a minha equipa esse não é problema. Não temos nada a ver com isso\", assegurou.


SUPERTAÇA
Rivais abrem “mão” do troféu


O 1º de Agosto e o Petro de Luanda acordaram em não disputarem a Supertaça 2018. A falta de consenso quanto a data ideal fez com que os rivais concluíssem na reunião à porta fechada, realizada ontem, no anfiteatro da FAF, de que não é vantajoso disputar o troféu no final do campeonato.
O presidente Carlos Hendrick, 1º de Agosto, foi o primeiro a falar aos jornalistas. \"Não faz sentido jogar a Supertaça depois do término do campeonato, por isso, esse ano não vai ser possível realizar essa prova\", garantiu.
A ideia de realizar o referido troféu no decorrer da época, para cumprir-se com às orientações da CAF, não agradou muito a direcção da formação militar. O dirigente fez questão de sublinhar que do ponto de vista competitivo, os rubro e negro ficaram mais aliviados por saberem que essa época só vão gastar energias em duas frentes, Girabola ZAP e Champions.
Sem receios de enumerar os ganhos, Carlos Hendrick assegurou aos jornalistas que os acertos entre a federação e os clubes beneficiou o seu clube e foi determinantes para que o 1º de Agosto privilegiasse o mais importante.
\"Uma temporada assim, sem Supertaça e Taça de Angola satisfaz aquilo que são as nossas pretensões. Na realidade ficamos mais descomprimidos, foi uma decisão benéfica\", enalteceu.
O Petro de Luanda alinha no mesmo diapasão. Os tricolores gostariam de conquistar mais um troféu, contudo tiveram de se render as evidências e concordaram em tudo com o rival, assegurou Sidónio Malamba, director para o futebol.
O dirigente tricolor fez questão de salientar que o adversário colocou às diferenças de lado e depois de analisar todos os cenários, tomaram uma decisão consensual.
\"É um acordo que as duas equipas chegaram. Analisamos todas as datas e durante a conversa concluímos que nenhuma data nos favorece, nem mesmo depois do fim do campeonato\", avaliou.
Malamba afirmou que os reajustes que a CAF fez ao seu calendário deixou os clubes sem grandes alternativas, com ou sem vontade o Girabola 2018 tem de começar em Fevereiro e acabar em Agosto para dar tempo aos competidores de descansarem para meses depois começarem o campeonato seguinte.
\"Tem tudo a ver com o que a CAF quer. Tivemos de fazer os ajustes necessários e trabalhamos com base nessas exigências para estarmos mais próximo daquilo que queremos\", concluiu.
A FAF queria que os rivais repetissem o mesmo de 1999, quando jogaram a Supertaça a duas mãos no final do campeonato, 2-2 na primeira mão e 4-0 para os militares no jogo de resposta, mas dessa vez a ideia não passou, lamentou Jeremias Simão.
\"Nós vamos respeitar esse acordo dos clubes. Realmente o grande problema está na data. Entre o mês de Fevereiro e Agosto não conseguimos encontrar uma data favorável\", lamentou.
Conformado com a posição dos dois clubes revelou que federação tudo fez para salvaguardar a competição. \"A FAF quis que fosse no fim do Girabola, o Petro foi o mais renitente em aceitar. No final ambos acabaram por concordar que não valia a pena jogar no fim do campeonato\", afirmou o presidente do Conselho Técnico.