Jornal dos Desportos

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Futebol

D`Agosto em grande plano

Mrio Eugenio - 28 de Agosto, 2012

Militares fogem dos concorrentes ao posto de vice-campees

Fotografia: Jornal dos Desportos

Tal como dissemos na última análise ao campeonato dos grandes, o despique está centrado na luta pelo segundo lugar, embora em relação ao título as coisas continuem em aberto, principalmente agora que a diferença entre o primeiro e o segundo é de nove pontos. Com a certificação pela CAF que o país volta a contar com quatro equipas nas Afrotaças e com o segundo lugar a dar direito a acompanhar o campeão nacional nas eliminatórias de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões não restam dúvidas que o despique do campeonato vira-se para a vice-liderança.

Na corrida ao segundo lugar estão 1º de Agosto, Kabuscorp do Palanca, Petro de Luanda, ASA, Interclube e mais duas ou três equipas. A sonharem ainda com o título, os militares assumem-se como os mais sérios aspirantes ao segundo lugar, com uma vantagem de quatro pontos em relação a palanquinos e petrolíferos, outros potenciais candidatos. A jornada disputada no fim-de-semana confirmou isso mesmo, pois os pupilos de Filemon reforçaram a vice-liderança com a vitória de 2-0 sobre o Santos e os empates do Kabuscorp do Palanca e do Petro de Luanda.

O D’Agosto, com a vantagem de quatro pontos, está mais motivado para fazer disso uma “garantia” para a eventualidade de não conseguir concretizar a meta principal, que continua a ser o título de campeão. O segundo classificado voltou a conseguir um resultado convincente, a exemplo do que sucedeu na 21ª jornada, em que venceu o FC Bravos do Maquis por 3-1. Num jogo em podia ter construído um resultado mais volumoso, o D’Agosto voltou a denotar fragilidades na finalização, algo que tem continuar a trabalhar para não defraudar os objectivos que ainda podem ser concretizados, numa altura em que o campeonato corre célere para o término.

A pausa de 20 dias que o campeonato vai registar pode ser aproveitado pela equipa técnica militar para colocar nos “trinques” a equipa para as sete derradeiras jornadas, em que tem pela frente Sporting de Cabinda (24ª), Benfica de Luanda (25ª), ASA (26ª), Petro de Luanda (27ª), Sagrada Esperança (28ª), Académica do Soyo (29ª) e Atlético do Namibe (30ª). Os principais concorrentes também vão continuar a trabalhar para recuperar terreno perdido e manter a esperança de chegarem ao segundo lugar. Kabuscorp, Petro de Lunada, ASA e Interclube, coincidetemente, não foram além de empates sem golos, o que permitiu a ligeira fuga do D’Agosto.

Estas quatro equipas no caso de não lograrem o segundo lugar podem ter o terceiro como consolo, pois também permite presença nas eliminatórias de acesso à fase de grupo da Taça da Confederação. Além de se digladiarem entre si, podem contar também com alguma concorrência, pois há pelo menos três equipas que as seguem, que matematicamnete ainda podem chegar ao terceiro lugar sem muita ginástica, FC Bravos do Maquis, Progresso do Sambizanga e Sagrada Esperança.

PRESSÃO  AGORA  É  MAIOR
Campeão invicto mais menos isolado


O campeão nacional, a desperdiçar pontos, com empates, desde a 21ª jornada, continua no comando do Girabola, embora mais próximo do segundo classificado, 1º de Agosto, de quem já chegou a estar a 15 pontos. Agora as duas equipas estão separadas por nove, ou seja, a três vitórias de uma ou há três derrotas da outra. O Recreativo do Libolo foi ao planalto central e não somou os três pontos, conseguindo apenas um, fruto do empate com o Recreativo da Caála, o que facilitou a aproximação do seu mais directo perseguidor, que saiu vitorioso na mesma jornada.

A equipa do Kwanza-Sul precisa agora de 12 pontos para a revalidação antecipada do título, mas apenas se o 1º de Agosto se mantiver na passada das vitórias, pois com aquele número de pontos o Libolo chega aos 67 pontos, única cifra a que os militares podem atingir se ganharem os restantes jogos que tem pela frente até fechar a prova. Por estes cálculos percebe-se que o campeão não pode continuar a perder pontos sob pena de precisar de pegar na calculadora para fazer contas até ao fim do campeonato.

Na análise anterior lembramos que o campeão tem um calendário que pode ser considerado complexo, pois defronta nas próximas jornadas adversários que estão entre a linha da estabilidade e a da despromoção, FC Bravos do Maquis (24ª), Nacional de Benguela (25ª), Santos FC (26ª), Sporting de Cabinda (27ª) e Benfica de Luanda (28ª). Apenas nas duas últimas rondas volta a defrontar equipas do seu campeonato, ASA (29ª) e Petro de Luanda (30ª). ME

Próxima jornada
Petro-Interclube
é o jogo grande


A 24ª jornada, marcada para a segunda quinzena de Setembro, tem no Petro de Luanda-Interclube o jogo de maior cartaz, embora as atenções estejam igualmente viradas para o confronto entre o campeão Libolo e o FC Bravos do Maquis. No primeiro caso, é a reedição de mais um dérbi entre dois colossos do futebol na capital, que este ano, estão muito aquém do potencial a que já habituaram os prosélitos. Os petrolíferos, que têm evidenciado melhor vigor competitivo, são favoritos, mas como se trata de um dérbi não se colocam de parte os três resultados possíveis no final da contenda.

O campeão recebe o moralizado Maquis que há duas jornadas faz excelentes resultados. Depois de três empates, o Recreativo do Libolo, que anseia resolver a questão do título quanto antes, tem a oportunidade de regressar às vitórias, ao jogar em casa diante do seu público e num terreno que conhece. O favoritismo recai por isso em si. Os vice-líderes vão à Cabinda defrontar uma equipa que embora aflita está a subir de rendimento de jornada para jornada, faltando-lhe apenas alguma sorte. Sendo assim, os militares têm uma deslocação difícil, mas com imensas possibilidades de pontuar por jogarem num terreno onde habitualmente fazem bons resultados. Moralizado com triunfo sobre o Santos, o D’Agosto tem tudo para continuar na senda das vitórias.

O Kabuscorp do Palanca defronta o ASA, noutro grande dérbi da capital. Os palanquinos, que também têm na mira o segundo lugar, jogam com um adversário que se colocou, sem querer, entre os concorrentes ao título e agora com direito a sonhar com o regresso às Afrotaças. Passada a fase da instabilidade, os aviadores podem ser um obstáculo para equipa do Palanca. Mas é no campo onde uma delas vai procurar mostrar que é mais forte ou que está em melhores condições. ME

Médico do clube 1º de Agosto
é contra calendário da prova

O “longo” período de tempo em que se disputa o Girabola – 8/9 meses – proporciona o surgimento de várias lesões aos jogadores. Este é o motivo principal por que Jorge Gispert, médico do 1º de Agosto, aconselhou ontem a Federação Angolana de Futebol (FAF) a rever os prazos em que se realiza a maior prova futebolística nacional, a fim de ajudar a preservar a integridade física dos atletas. O número de jornadas do campeonato angolano até é aceitável, mas Jorge Gispert aconselhou a FAF a tentar encontrar outras formas para encurtar a temporada futebolística nacional, “considero aceitável que cada equipa faça 30 jogos, mas não deveríamos ficar por ali, devia-se encontrar outra solução para que houvesse mais tempo de competição e menos paragens, como tem acontecido”, frisou.

Embora admitindo que esteja a meter a sua foice em seara alheia, o terapeuta assegurou que todos os jogadores do Girabola são forçados a suportar “grandes cargas de treino, sem necessidade” para poderem aguentar as exigências provocadas por “muitos” meses de competição. “Não consigo perceber como é que um campeonato começa em Março e termina em Outubro ou Novembro, eu gostaria entender uma razão para isto. Fico sem perceber por que se mantêm as equipas tanto tempo no activo”, argumentou.

Por causa dos treinos e jogos, os atletas mais utilizados nos respectivos plantéis são os mais propensos a adquirirem lesões de esforço repetitivo como tendinites ou problemas musculares, afirmou. O plantel do 1º de Agosto tem sofrido muitas baixas, “algumas delas por culpa do próprio calendário de competição”, disse, “é fácil criticarem o meu ponto de vista, mas só quem é submetido a um rigoroso processo de treino seguramente consegue entender o que pretendo dizer”.

POSITIVO
As férias inesperadas do Girabola vão dilatar ainda mais o seu período de disputa, mas Jorge Gispert vê um lado positivo neste interregno de quase três semanas: “Vai ser muito bom para todas as equipas e jogadores, disto não tenho dúvidas, pois vão poder repousar mais uns dias e retemperar energias para a recta final do campeonato”, precisou. Enquanto durar o mini defeso do campeonato, a equipa médica do 1º de Agosto vai recuperar os jogadores lesionados, com realce para os do sector defensivo, “até agora são os que mais nos preocupam, mas até ao desafio com o Sporting de Cabinda contamos ter todos aptos”, vaticinou o Dr. Jorge Gispert.

EM BENGUELA
Turma militar
prepara estágio

O 1º Agosto vai aproveitar o defeso do campeonato para estagiar durante uma semana em Benguela, no qual anseia disputar 3 ou 4 jogos de controlo com equipas locais, apurou ontem este diário junto do técnico Romeu Filemon. É intenção dos agostinos aproveitar a paragem do campeonato para manterem a forma competitiva para continuarem no encalço do líder Recreativo do Libolo, “não contávamos com este interregno, mas como surgiu achamos por bem encontrar outras soluções para que os nossos atletas se mantenham activos e em prontidão”, assegurou o técnico.

Com excepção do Nacional de Benguela, as demais equipas de referência da província de Benguela estão na Segunda Divisão, mas têm nível competitivo para ajudarem os militares a manterem o ritmo competitivo nas 23 jornadas disputadas no Girabola. “Temos acompanhado o bom desempenho dos representantes benguelenses na segundona, por isso chegámos a conclusão de que têm qualidade para testar o nosso nível competitivo”, precisou. A equipa técnica rubro-negra está interessada em manter os atletas no activo, por isso aguarda a todo o instante que todas as equipas contactadas respondam de maneira positiva as solicitações que receberam em tempo oportuno. “Queremos acreditar que o 1º de Maio, Nacional, Académica do Lobito e se possível o 17 de Maio vão querer defrontar-nos no micro estágio”, disse. BF

A fim de evitar sobrecargas do plantel, Romeu Filemon vai suspender o trabalho a partir de amanhã até ao dia 2 de Setembro. Os militares regressam ao trabalho na segunda-feira, 3, para treinar de manhã e viajar à tarde. Mas antes de dispensar os atletas, o treinador quer vê-los empenhados no jogo de controlo que vão realizar esta manhã com os juniores do clube. O amistoso está previsto para as 9h30 e vai ser disputado no campo sintético Daniel Ndunguidi. Ontem os militares também treinaram na relva artificial, mas usaram o piso sintético do campo Nicola Berardineli.