Jornal dos Desportos

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Futebol

Denucias de nepotismo contra a CCAFA

Betumeleano Ferrão - 30 de Novembro, 2016

O clima na arbitragem nacional continua pesado com duras criticas ao presidente

Fotografia: Dombele Bernardo

As denúncias de nepotismo feitas por Dibondo Abraão, na entrevista que publicamos ontem, contra o Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola \"CCAFA\", foram ao encontro de outras feitas em posse do Jornal dos Desportos.

Uma fonte do CCAFA revelou que nunca na história da referida instituição se viu tantos familiares de dirigentes a entrarem na arbitragem nacional mesmo sem os requisitos e qualidades que se exige para merecerem tal desiderato.

 Muitos dos parentes dos dirigentes recebem um tratamento diferenciado, ascendem rapidamente para a primeira categoria e pouco tempo depois os seus nomes constam na lista de internacionais enviados à FIFA.

O dedo acusador está apontado contra o CCAFA por deixar ler nas entrelinhas que o grau de parentesco seja um \'requisito\' determinante. O nosso diário foi informado de que a direcção de Muluta Prata permitiu que os vínculos de parentesco falem mais alto na hora de nomear e avaliar os árbitros.
As sucessivas nomeações acabam por ser determinantes para que os protegidos consigam uma dupla vantagem sobre os demais e realizem mais jogos, amealhando maiores valores pecuniários. Com a taxa de 60 mil de prémio por partida para os árbitros e 55 para os assistentes estes acabam por estarem bem servidos.

O JD soube que o presidente Muluta Prata é dos dirigentes que mais familiares tem na arbitragem. Além do filho Estanislau Guedes Tavares Muluta Prata, árbitro assistente internacional, ele é aparentado com mais meia dúzia de juízes como António Dungula, de quem a figura máxima do CCAFA é apontada como cunhado.

A nossa fonte assegurou que no seio da família da arbitragem circulam informações, segundo as quais há parentes dos dirigentes que não exercem nenhum tipo de actividade laboral, sendo este o motivo principal porque estão entre os mais nomeados da temporada.

MULUTA PRATA

Filiados contestam mandato


Numa altura em que às eleições na Federação Angola de Futebol para sucessão de Pedro Neto promete agitar o defeso no futebol nacional, a nomeação de novos árbitros internacionais continua a dividir a classe e com acusações graves, O CCAFA é ainda acusado de ter protagonizado algo inédito num dos jogos do Girabola ZAP. \"Escolheu um comissário para avaliar o trabalho dos seus filhos, um foi o árbitro principal e o outro assistente\", revelou.

O nosso interlocutor considerou de falta de bom senso a atitude da direcção do conselho porque uma das tarefas do comissário é atribuir a nota aos árbitros. A nossa reportagem soube que o CCAFA teve vários elencos, mas em nenhum deles os filhos ou outros parentes dos dirigentes estavam ligados a arbitragem, mas hoje o cenário é completamento contrário.

Assegurou que no tempo de Délcio Costa ou Jorge Mário Fernandes ninguém falava de nepotismo na arbitragem, porque esta não existia no seio da classe.

Em próximas edições, o Jornal dos Desportos conta voltar a este tema com uma versão oficial da direcção do CCAFA, um dirigente da instituição comprometeu-se em dar esclarecimentos relacionados com este e outros temas da actualidade da arbitragem angolana.
BF