Jornal dos Desportos

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Futebol

Diagnstico esclarece pouco sobre a causa da morte de Ziba

Jlio Gaiano, Benguela - 13 de Janeiro, 2018

Diamantferos perderam um atleta (primeiro direita) na pr-poca que decorre em Benguela

Fotografia: Jos Soares| Edies Novembro

As causas que estiveram na base da morte do jogador do Sagrada Esperança da Lunda Norte, Ntaku Zibakaka “Ziba”, continuam a ser motivo de controvérsia entre os especialistas em medicina forense, em Benguela, pois, lamenta-se o facto de o diagnóstico efectuado ser inconclusivo.
A peritagem da autópsia não pôde identificar o produto tóxico encontrado nos órgãos do atleta,  que gera  especulação à volta do sucedido.
A Dra. Maria de Fátima João de Almeida, médica legista e perita forense, assegurou que apesar dos esforços envidados para se identificar as reais causas que resultaram na morte de Zibakaka, deparou-se com a falta de Laboratório de Toxicologia forense na província.
“A causa da morte do atleta foi a intoxicação de substância  não identificável. Foram encontradas alterações ao nível do estômago, pâncreas e a nível de todos os órgãos. Ou seja, havia congestão generalizada dos órgãos”, precisou a médica e acrescentou que para o efeito a sua equipa começou por realizar o trabalho de âmbito externo e apurou que o atleta gozava de boa saúde.
“Antes disso, tivemos uma conversa com o vice-presidente do Grupo Desportivo Sagrada Esperança (José Ramos), que revelou o que deve ter acontecido antes do infausto acontecimento. O dirigente referiu que (o jogador) era saudável e que não aparentava nada de anormal. Tanto é, que foram sempre controlados pelo médico do clube e ele (Zibakaka) era saudável (… )”, disse.
 A médica revelou que no decorrer da autópsia detectou-se  alteração de quase todos os órgãos, porém, lamentou o facto da sua equipa não poder identificar com precisão a referida substância encontrada nos órgãos internos do falecido Ntaku Zibakaka “Ziba”, por falta de equipamento apropriado de que o Hospital Central de Benguela faz frente.
“Necessitamos de condições de acondicionamento do transporte para o envio para o Laboratório de Toxicologia em Luanda, caso contrário, é difícil senão impossível apresentar os resultados reais, no que toca à substância tóxica ingerida pelo atleta”, concluiu.
O falecido jogador actuava como lateral esquerdo da equipa diamantífera.Chegou a Angola em 2015. De nacionalidade congolesa democrático, Ntaku Zibakaka \"Ziba\" nasceu a 5 de Maio de 1994, na República Democrática do Congo. Actuou em várias equipas do primeiro e segundo escalões.
Em 2015, por intermédio do Sagrada Esperança, o antigo atleta do Styale da RD Congo deixou a  terra natal e veio para Angola a convite da direcção do Sagrada Esperança da Lunda - Norte, que o contratou por duas temporadas.
O Sagrada Esperança da Lunda - Norte encontra-se desde sábado na cidade de Benguela, para efectuar um estágio de pré-temporada, com vista a época futebolistica de 2018 que pensa vencer, segundo os seus dirigentes e membros da equipa técnica.


REVELAÇÃO DE COLEGAS
Lateral esquerdo fazia uso de substâncias proibidas


O lateral esquerdo Zibakaka, do Sagrada Esperança, faleceu no domingo no Hospital de Benguela, para onde foi transportado depois de uma recaída durante a sessão de treinos. O jogador foi vítima da forma desregrada que nos últimos tempos se transformou numa prática, todavia, a direcção do clube e a equipa médica desconheciam.
Pessoas que privaram momentos de lazer com o congolês democrático, entre eles colegas de equipa, desconfiam que o falecido lateral esquerdo do Sagrada Esperança da Lunda - Norte tenha feito uso de produtos proibidos, como o estupefaciente, longe dos olhares dos responsáveis do clube.Contudo, lamenta-se o facto dos médicos legistas não puderem identificar a substância tóxica encontrada no estômago e no pâncreas. 
“No dia em que chegámos a Benguela, o Man Ziba mostrou alguma indisposição, apesar de revelar ares de motivação para o primeiro dia de trabalho”, contou uma das fontes contactadas pela nossa reportagem.
Entretanto, no dia em que se verificou a morte, Zibakaka aparentava estar diante de algo que estava mal consigo mesmo. Não disse nada, apenas seguiu para os treinos, dez minutos depois de exercícios nas areias da praia Morena caiu inanimado,  de imediato foi transportado  para o Hospital Central de Benguela para tratamento, tendo falecido pouco depois.
“Tudo apontava que fosse um caso superável, até porque situação como aquela podia acontecer com um de nós. Infelizmente, não foi nada disso que aconteceu. Minutos depois, recebemos a notícia de que o nosso lateral esquerdo acabou mesmo por sucumbir a caminho do hospital. Estamos tristes, porém, compenetrados em honrar a memória do nosso colega”, relatou em surdina um dos atletas do clube diamantífero, que por razões disciplinares preferiu manter-se no anonimato.
O Jornal dos Desportos apurou, que a direcção do Sagrada Esperança da Lunda - Norte, entidades governamentais, no caso dos Serviços de Migração Estrangeira, bem como familiares do atleta Ntaku Zibakaka estudam através dos canais diplomáticos dos dois países (Angola e RD Congo), a possibilidade da transladação dos restos mortais para o país de origem.                                                      JG