Jornal dos Desportos

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Futebol

Ditadura militar o primrdio do tri

Betumeliano Ferro - 31 de Dezembro, 2018

Fotografia: Vigas da Purificaco

O Girabola voltou a cantar-se a uma só nota. Há três anos, consecutivas, que mais pontos menos pontos, tem sempre o mesmo campeão, 1º de Agosto. Tal, como no começo do Girabola, a ditadura militar tomou conta do campeonato angolano.
O tri, segundo da história do clube, é a melhor prova de que a nação rubro -negra tem, para exultar os efeitos claros da bonança, como consequência dos investimentos em termos de infra-estruturas e formação.
À semelhança das conquista anteriores, os rubro - negros tiraram partido de todas as condições favoráveis, para fugirem com antecipação e adormecer à sombra da tranquilidade, sem que nenhum dos rivais tivessem pernas para impedir a consagração, que num determinado momento tornou-se uma mera questão de jornadas.
O grande mérito do 1º de Agosto esteve na eficácia, que demonstrou numa época atípica, em que o reajuste do calendário em conformidade com a orientação da CAF e não da FAF, como se quer fazer crer, forçou os competidores do campeonato angolanos a estafarem-se mais do que o normal.
Até neste quesito, os militares fizeram a festa da conquista. Assim, como acontece em campo de batalha, a condição física acabou por fazer a diferença, para a equipa terminar a frente de todos.
A ambição de sentar, em dois cavalos ao mesmo tempo, Girabola e Champions, cobrou  um alto tributo ao 1º de Agosto. A sobrecarga de jogos acabou por condicionar a exibição, mas o que conta é que o que era o mais importante, revalidar o título.
A equipa esteve à altura, pelo menos, teve pernas para conservar a coroa de campeã. Não faltou fôlego, como se chegou a pensar, por causa do calendário apertado. A equipa técnica soube com inteligência, gerir o plantel, em função dos compromissos em que esteve engajada.
Quando o conhecido Zoran Maki, chegou ao 1º de Agosto, em 2010, como membro da equipa técnica de Drulovic, foi anunciado como  o substituto do ganhador Dragan Jovic, sérias dúvidas levaram a duvidar que o sucessor  aquecesse  a cadeira que herdou.
Por mais, que as exibições colocassem muitos contra o treinador, a grande verdade foi o quesito mais importante,  nenhum defeito foi apontado a excelente campanha do 1º de Agosto de Maki. A equipa foi sempre eficaz, nunca complicou, quando era para confirmar o que parecia óbvio.
Como não há bela sem senão, há quem  argumente que os militares podiam muito bem liquidar a conta muito mais cedo. É verdade, que isso podia acontecer se a contestação não tivesse como objectivo, encontrar uma falha ao bom trabalho desenvolvido pelo sérvio.

Zoran Maki estreia
com título


No ano de estreia, a orientar a equipa do 1º de Agosto, o técnico sérvio Zoran Maki foi feliz e conquistou o Girabola Zap,  facto que levou a que o tricampeonato fosse exposto na galeria do clube militar, o segundo da sua história.
O sérvio substituiu o seu compatriota Dragan Jovic, deu continuidade ao título conquistado pelo antecessor, com mais três pontos em relação ao rival, Petro de Luanda, em 28 jogos, devido à desistência do campeonato, da formação do JGM do Huambo.
Zoran Maki somou 15 vitórias, 12 empates, uma derrota (diante da Académica do Lobito), registou 31 golos marcados e oito sofridos, uma safra que o habilitou a ser campeão, numa época marcada por muitas paragens do campeonato, dado o envolvimento da Selecção Nacional na campanha de acesso para o CAN/2019.
Depois da passagem pelo Kabuscorp do Palanca e pelo Sagrada Esperança, Zoran Maki conquistou o título,porém, não conseguiu manter-se na equipa agostina.
Além de conquistar o Girabola Zap 2018, o técnico sérvio teve o mérito de catapultar a equipa, pela primeira vez na sua história, nas meias-finais da Liga dos Clubes Campeões Africanos, onde foi eliminado, de forma tendenciosa, pelo Esperance de Tunis da Tunísia, actual campeão. Contra todas as expectativas nem mesmo o título conquistado e o percurso na Liga dos Campeões pesaram na sua folha de serviço para a direcção do clube dar o seu voto de confiança ao treinador para se manter no comando militar. Jorge Neto