Jornal dos Desportos

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Futebol

DMS profissionaliza atletas das guias

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 04 de Fevereiro, 2019

Decathlon Marketing & Sports aposta em jogadores para mercado europeu

Fotografia: Aro Martins | Edies Novembro

Um projecto desportivo de formação de jogadores de futebol com vista à sua profissionalização, começou a ser implementado no Clube Sport Lubango e Benfica, pela empresa Decathlon Marketing & Sports (DMS).
A assinatura do contrato de parceria entre as duas instituições, cuja duração é de 10 anos, renovável, caso as partes entendam,  aconteceu há dias na sede social do clube encarnado das terras altas da Chela, na presença de sócios, adeptos, atletas, técnicos, imprensa local e dirigentes desportivos, com destaque para o presidente de direcção da Associação Provincial de Futebol da Huíla (APFH), João Gonçalves.
O projecto consiste em formar jogadores, com idades entre 17 e 23 anos, ao fim de um determinado período do ano sejam vendidos a clubes europeus, para a sua profissionalização.
O presidente do Conselho de Administração da Empresa Decathlon Marketing & Sports (DMS), Dino da Cunha Mateus Paulo, esclareceu que os propósitos que levaram a abraçar este projecto, em conjunto com Sport Lubango e Benfica, foi o facto de a sua empresa de consultoria desportiva ver necessidade de reerguer clubes históricos do país.
Acrescentou, que no Sport Lubango e Benfica é o clube que apresentou as melhores condições para a implementação do projecto, desde o ponto de vista infra-estrutural e a base de formação de talentos existente na agremiação. 
“A ideia partiu de um projecto da própria empresa, que identificou alguns clubes com quem queríamos trabalhar, em questão de consultoria desportiva. O Benfica enquadrava-se nos critérios que nós identificamos. Era a equipa que melhores condições tinha,  para nós implementarmos um projecto desportivo dessa natureza”, disse.   
Dino Paulo referiu, que basicamente a sua empresa está a fazer uma parceria para gerir a questão do futebol profissional da equipa de futebol do Sport Lubango e Benfica. 
“Vamos estar na área técnica, administrativa e comercial da equipa de futebol. Somos a empresa que vai fazer todo o trabalho , entre empresas e clubes para arranjar patrocínios. A empresa vai arranjar parcerias com os empresários, para identificar os jogadores que queiram levar para fora do país. Vamos dar todo o apoio à questão da gestão desportiva do próprio clube”, explicou.
O também agente FIFA, disse que numa primeira fase o projecto vai estar somente fixado na Huíla, pode nas próximas épocas estender-se às províncias do Huambo e de Benguela.
Assegurou, que a escolha das províncias não foi aleatória, mas o facto de produzir grandes atletas, devido à sua condição climática.
Dino Paulo garantiu, que o primeiro campo de recrutamento é a Huíla, porque o Sport Lubango e Benfica  produz talentos. Indicou que a DMS vai buscar igualmente jogadores em outras partes do país.
“O número de jogadores é reduzido, porque também não queremos fazer um plantel extenso, o objectivo como já disse, é que os jogadores ao fim de um ou dois anos sejam vendidos. Então, não interessa termos um plantel muito vasto. Os jogadores  vão ser escolhidos a dedo”, frisou.


DINO PAULO
“O futebol deve ser visto como um negócio”

A aposta da Decathlon Marketing & Sports (DMS) com a equipa sénior do Sport Lubango e Benfica, é a de competir na Segunda Divisão, para criar bases para a ascensão a curto prazo,  à Primeira Divisão, segundo Dino Paulo. 
 “Se a equipa não chegar à Primeira Divisão, não vamos morrer por causa disso, porque o projecto é de longo prazo. O que nos interessa aqui, é formar jogadores que sejam rentáveis. Logicamente, que a Primeira Divisão é um objectivo, por uma questão de exposição”, admitiu.
Defendeu, que se a Segunda Divisão nacional fosse igualmente exposta, como é o Girabola Zap, com a implementação deste projecto não havia tanta pretensão de estar numa Primeira Divisão.
“Digo isso, porque o objectivo aqui, é que os jogadores sejam formados e ao fim do ano sejam vendidos. Daí, que a nossa média de idade, é de jogadores de 17 a 23 anos. Logicamente, para termos uma equipa competitiva, temos de ter alguns jogadores acima dessa idade. Com jogadores muito novos e sem muita experiência para o objectivo que o clube quer, temos a noção que nos primeiros tempos vai ser complicado, então, é necessário ter alguma experiência para ajudar”, apontou.
Em termos de material desportivos e para a superação de técnicos, a situação está acautelada de acordo com Dino Paulo. 
Para o presidente do Conselho da Administração da empresa de consultoria desportiva Decathlon Marketing & Sports (DMS), chegou a altura do futebol não ser visto como uma modalidade de beneficência, mas como um negócio. Fundamentou, por este motivo é que firmou contrato com o Sport Lubango e Benfica, para dar suporte ao clube de como se pode transformar numa verdadeira empresa desportiva.
“Queremos fazer jogadores, para serem comercializados no mercado internacional”, destacou
Referiu que a pretensão do Sport Lubango e Benfica é a subida à Primeira Divisão do futebol nacional.
“Esse, é o principal objectivo ,porque na Primeira Divisão é onde estão os olheiros. Os patrocinadores querem dar o apoio e onde também começam a ganhar dinheiro, através de receitas de televisão e outras situações ”, disse. 


PROFISSIONALIZAÇÃO
“Queremos ensinar
os clubes em Angola”

O presidente do Conselho da Administração da empresa de consultoria desportiva Decathlon Marketing & Sports (DMS), Dino da Cunha Mateus Paulo, assegurou que com projecto em curso no Sport Lubango e Benfica, pretende-se ensinar os clubes nacionais como devem profissionalizar o seu departamento de futebol, para que sejam rentáveis ou uma “máquina” de fazer dinheiro, como acontece em qualquer parte do mundo.
A República Democrática do Congo, Ghana, Camarões, Nigéria, África do Sul e principalmente os países da África do Norte foram apresentados por Dino Paulo, como exemplos de como é que os clubes conseguem ser sustentáveis e rentáveis.
“Queremos exactamente fazer a mesma coisa aqui, com o Sport Lubango e Benfica. Sem falar que o Sport Lubango e Benfica é um clube histórico. É o maior clube da província da Huíla, até onde nós sabemos. E, nós, queremos voltar a dar alegria a esse clube e à população que suporta a agremiação”, destacou.
Garantiu, que no Sport Lubango e Benfica a sua empresa vai dar mais vazão ou melhorar  o que era a pretensão do próprio clube, ou seja, apostar na descoberta e formação de talentos.
“A ideia é a profissionalização do futebol. Nós, com este projecto, queremos ensinar os clubes em Angola como é que devem profissionalizar o seu departamento de futebol, para que sejam rentáveis e sejam de facto uma máquina de fazer dinheiro, como em qualquer parte do mundo. Temos vários exemplos em África. Não vou falar da Europa, porque todo mundo sabe qual é a realidade europeia. Mas vou falar da realidade próxima de nós. Por exemplo, a Republica Democrática do Congo, Ghana, Camarões, Nigéria, África do Sul, com realce para os países da África do Norte, que são exemplos claros de como é que os clubes são sustentáveis e rentáveis. Então, nós queremos exactamente fazer a mesma coisa, com o Sport Lubango e Benfica”, aclarou.
O também agente FIFA, assegurou que o projecto vai produzir resultados desejados, pelo facto de estar com um orçamento ajustado.