Jornal dos Desportos

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Futebol

Escorpies tentam picar Palancas com mistura europeia

Betumeleano Ferro - 05 de Setembro, 2019

Seleco defronta amanh a Gmbia em Banjul para a primeira mo

Fotografia: Jornal dos Desportos

A preliminar com os Palancas Negras é a soberana oportunidade que os Escorpiões querem aproveitar ao máximo, para provar o continente que o seu ferrão, já é letal. Os primeiros minutos da eliminatória começam amanhã, às 17h00 (18h00 em Angola), no estádio da Independência, na capital Banjul, com a selecção local a recorrer à nata do seu futebol, que joga nos variados campeonatos europeus, para obter vantagem logo na primeira mão.
O técnico belga Tom Saintfiet recebeu um novo voto de confiança, o contrato agora vai até 2021, um acto que aparenta ser simples, mas que resume bem a confiança e o reconhecimento da federação, na qualidade do trabalho do treinador.
Com tudo a seu favor, o treinador decidiu reduzir o grupo, de 41 para 23, todos são atletas que assim como quem os treina, andam ombro a ombro a participar nesta fase importante do futebol gambiano, uma boa mescla de veterania e juventude cheias de talento.
A aposta na continuidade, feita pelos Escorpiões, contrasta com o clima menos bom por que passam os Palancas Negras, realmente, esta primeira parte da eliminatória vai ser o teste de fogo para os dois treinadores, embora, já seja possível ler nas entrelinhas que uma derrota ou até mesmo um empate, pode deixar Pedro Gonçalves, Angola, numa posição fragilizada, ainda mais porque o fiasco no CAN do Egipto deixou os adeptos com enormes motivos de queixa.
O futebol angolano tem mais visibilidade, assim, os Palancas Negras vão jogar no escuro. É verdade que o adversário tem jogadores conhecidos como o central Omar Colley, titular na Sampdória de Itália, o lateral esquerdo Pa Modou Jagne, do FC Zurique da Suíça, ou os jovens avançados, Musa Barrow, Atalanta, da Itália, o regressado avançado Yusupha Njia, colega de Mateus Galiano, no Boavista, mas agora essa legião europeia vai actuar junta e está sob pressão para não falhar.
A maior rotina dos Palancas Negras é capaz de ser um trunfo decisivo, se os angolanos forem eficazes nos momentos - chave do jogo. É verdade, que o peso da camisola agora não ganha jogo, mas há enormes lições acumuladas pelo combinado angolano, para deixar que o adversário tome conta do desafio, chegar, lutar e vencer é o lema que tem de mover a Selecção Nacional do princípio ao fim.
O jogo de Banjul pode não ser suficiente para separar as águas, mas é fácil de concluir que os Palancas Negras têm a obrigação e a responsabilidade de deixar a sua marca em campo, realmente, têm de fazer pela vida para ditar o ritmo do jogo. Quanto mais a qualidade individual e colectiva dos angolanos aparecer no estádio da Independência, mais chances Pedro Gonçalves e pupilos vão ter de festejar golo (s) e a ansiada vitória, capaz de dar a tranquilidade necessária para evitar que a segunda mão seja uma questão de vida ou de morte.
Uma vitória é sempre uma vitória, se houver esse pensamento único no balneário nacional, é provável que o jogo se torne muito mais fácil do que se espera, porque vai matar de imediato a esperança dos Escorpiões, de ferir de morte os Palancas Negras. O mais importante não é apenas o valor do adversário, a capacidade de reagir às adversidades também vai ser determinante para a selecção impedir,  que o oponente se transfigure ao ponto de fazer aparecer o anão gigante em campo.
Quando a eliminatória começar, vai estar tudo empatado, é óbvio que o nulo ou empatar com golos pode gerar enorme desconfiança no seio dos adeptos, as más lembranças do recente desaire caseiro, no adeus à corrida ao CHAN, tem de ser levado muito à serio pelo combinado nacional. É verdade, que empatar é melhor do que perder, mas do jeito como selecções antes desconhecidas, como da Gâmbia tem crescido com atletas \"europeus\", não há melhor resultado do que ganhar extramuros.