Jornal dos Desportos

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Futebol

Esperana renovada

Paulo Caculo - 19 de Novembro, 2018

Palancas Negras silenciaram Cavalos burkinabes no 11 de Novembro

Fotografia: Edies Novembro

A Selecção Nacional deu ontem provas da sua força colectiva e capacidade ofensiva ao vencer (2-1) o Burkina Faso e alargou o passo rumo à Taça das Nações do próximo ano. Mateus Galiano, aos 45 e 56 minutos, ajudou a dar corpo a uma vitória que chegou a inspirar alguns cuidados na etapa inicial. 
Mas é bom que se diga que nem por isso Angola fez um jogo espectacular. Muito pelo contrário. Foi uma vitória sofrível, de sufoco e diríamos mesmo arrancada a ferro e fogo. Que o diga aquele cabeceamento de Traoré travado pelo travessão, muito cedo, aos 3 minutos, numa altura em que as equipas ainda faziam o estudo mútuo.
A verdade é que a equipa de todos nós entrou a dormir e olhando para aqueles primeiros 20 minutos de jogo, ficou-se com a ideia de que o conjunto às ordens de Srdjan Vasiljevic reclamava alguma magia, arte, criatividade e engenho às jogadas produzidas a partir do nosso meio-campo.
Apesar de assumir as despesas do jogo sem especulações, continuava a faltar intensidade, inspiração e atitude à Selecção Nacional. E os forasteiros aproveitaram-no para provocar alguns calafrios à baliza de Landu que, diga-se, em amor à verdade, esteve impecável entre os postes nesse período.
O conjunto nacional era uma equipa muito previsível e a dada altura deixava transparecer a imagem negativa de alguma intranquilidade, talvez pressionada pela ansiedade de chegar ao golo. É verdade. Angola tinha pressa de “saltar o muro” adversário, mas as suas jogadas esbarravam sempre na muralha defensiva contrária. 
Foi a partir do minuto 35 que o melhor de Angola sobressaiu. Ou seja, nesse período o conjunto nacional passou a imprimir maior dinâmica às suas jogadas, privilegiando o passe e a posse do esférico. Com o futebol da selecção a fluir, Gelson Dala passou a ser a grande dor de cabeça para a defensiva burkinabe. Sempre que o craque angolano tivesse a bola nos seus pés, o ataque de Angola destroçava a defensiva do Burkina Faso. 
E foi como que água mole a bater insistentemente em pedra dura que, aos 45´, a defesa forasteira desmoronou perante a magia artística de Gelson Dala, a fazer de \"gato sapato\" os opositores, antes de servir com competência Mateus Galiano, que teve apenas que rematar certeiro. 
O golo ajudou a espevitar ainda mais o futebol do combinado Nacional, que regressou do intervalo cheio de intenções. Angola passou a jogar frequentemente em zonas nevrálgicas do meio-campo burkinabe, facto que permitiu ao combinado Nacional conquistar terrenos adiantados.
A mandar no jogo e a conservar maior tempo a bola mesma posse, os angolanos incomodavam bastante a baliza adversária. E como quem tem Gelson Dala em campo acaba por ter parte das despesas garantidas, não admirou que o camisola 10 da selecção voltasse a fazer das suas aos laterais do Burkina, antes de oferecer o segundo golo a Mateus Galiano, aos 56´.
Depois disso, o conjunto angolano teve o jogo controlado, continuou a pressionar, mas sobretudo tapar ao ataque burkinabe as principais vias de acesso à área de Landu. Mas alguma falta de concentração levou a que sofresse um golo, aos 68´, por intermédio de Bakary Kone.
Com o golo marcado, a equipa do português Paulo Duarte acreditou que podia chegar ao golo da igualdade, mas não teve ímpeto ofensivo para concretizar as poucas jogadas que produziu nos minutos complementares. Srdjan Vasiljevic ainda mexeu na equipa, colocando em campo Geraldo, Stélvio Cruz e Mabululu, para os lugares de Mateus Galiano, Freddy e Gelson.

ANGOLANOS INDIVIDUALMENTE
Dupla “G” reforça 
esperança angolana

A vitória dos Palancas Negras tem um sabor especial, pois foi coroada com uma exibição marcada pela habilidade de Gelson Dala e a eficácia de Mateus Galiano, o que alimentou as esperanças do combinado nacional em chegar ao CAN dos Camarões em 2019.
Landu: Mostrou confiança e não foi por sua culpa que o combinado nacional consentiu o golo. Continua a mostrar segurança entre os postes, daí a aposta do seleccionador em mantê-lo na baliza em detrimento de Tony Cabaça. 
Isaac: No aspecto defensivo cumpriu com o seu papel, mas não foi muito produtivo no aspecto ofensivo, onde acusou alguma intranquilidade. Ajudou pouco o ataque, faltou os habituais cruzamentos para a grande área. 
Buatu: Não acusou a responsabilidade do jogo, fez uma dupla segura com Bastos, e soube tapar os caminhos da baliza defendida por Landu. Deu tranquilidade à defesa, apesar de em alguns momentos pecar neste ou naquele lance, mas sem comprometer com a sua função.  
Bastos: É o líder da defesa do combinado nacional. Orientou os colegas nas marcações e ficou nas dobras, sempre com a segurança que lhe é característico. Não arriscou muito nas subidas como gosta de fazer.  
Paizo: Defendeu bem e ainda ajudou o ataque com as habituais subidas, criando superioridade numérica. Teve pulmão para subir e descer com muita disposição, como se o jogo estivesse ainda no início. 
Show: Recuperou muitas bolas e deu alguma elasticidade ao meio-campo, jogou fácil, embora tenha errado alguns passes, talvez por excesso de confiança. 
Herenilson: Deu robustez defensiva ao combinado nacional, travou e ganhou várias batalhas com os médios adversários, fazendo o seu papel como tão bem sabe fazer.  
Djalma: Esteve bastante inconformado, daí ser um dos que mais deu nas vistas, aproveitando a sua experiência para levar a equipa para frente, onde foi várias vezes travado em falta. 
Fredy: Causou algumas dores de cabeça aos defesas adversários, mas faltou mais agressividade ofensiva, pois não teve a baliza como foco, em função de não ter rematado. 
Galiano: O capitão dos Palancas Negras colocou a equipa em vantagem em dois momentos importantes que a equipa precisava, acabando por se destacar no desafio com o bis rubricado. Soube aparecer nos momentos chaves a finalizar os cruzamentos teleguiados de Gelson. 
Geraldo: Entrou no segundo tempo, apesar de deixar claro aos defesas que estava ali para criar problemas, mas faltou mais ousadia da sua parte. O seleccionador nacional cumpriu com o desejo do público ao lança-lo em campo no segundo tempo. 
Stélvio Cruz: Esteve pouco tempo em campo, mas ainda conseguiu intervir em jogadas defensivas e dar alguma tranquilidade.
Mabululu: Não teve tempo para mostrar o que sabe, pois entrou no período de compensação. 
 Jorge Neto


GELSON  DALA 
Exibição de luxo
O avançado Gelson Dala realizou ontem, no 11 de Novembro, uma grande exibição. O craque angolano foi a “estrela do jogo” estremeceu os defesas adversários, que encontraram grandes dificuldades para travá-lo, inclusive usaram a rispidez para, talvez, tirá-lo do campo, daí se compreender que tenha sido substituído nos minutos de compensação. Dos seus pés, saíram os cruzamentos que Mateus Galiano concluiu da melhor maneira. Faltou pelo menos um golo para coroar a sua grande exibição.  Nota dez!


BURKINABES  POR  SECTOR
Cavalos  foram  mansos  demais

A pressão exercida pelos burkinabes no inicio do jogo não passou disso. A equipa de Paulo Duarte quis resolver o desafio ainda na primeira parte, porém não teve capacidade para aguentar a boa capacidade demonstrada pelos angolanos, principalmente a partir do minuto 35. 
O guarda-redes Hervé Koffi teve uma postura digna até antes de sofrer o primeiro golo. Fez o que teve ao seu alcance, porém foi incapaz de travar as jogadas em que Mateus Galiano \"facturou\" para os Palancas Negras, duas jogadas em que não teve culpas.
A defesa do Burkina Faso teve uma tarde de muito trabalho. Charles Kabore, Bakay Yazo, Farid Yazo e Bakaride Kone, principalmente os centrais e o lateral esquerdo, não iveram sossego ao longo do jogo, sobretudo quando Gelson Dala tivesse a bola no pés. Aliás, os golos de Angola partiram de jogadas em que o avançado do Rio Ave deixou sem soluções os defensores dos \"Cavalos\".
O meio-campo do Burkina Faso trabalhou muito. Lutaram bastante, principalmente Blati Traoré, que procurou sempre libertar os colegas no ataque, mas nem por isso conseguiram cumprir com os objectivos. Para além deste centro-avante, os burkinabes tiveram Yakomba, Razak e Barros Bayala no meio-campo, porém não tiveram capacidade para superar os trincos angolanos Herinilson e Schow.
O ataque comandado pelo nosso conhecido Jonathan Pitroipa, que procurava sempre desfazer-se da bola com rapidez, sobretudo na segunda parte, o máximo que conseguiu foi marcar o golo que reduziu a desvantagem no marcador. Nem mesmo Armud Thalo, entrou a render Isidore Traoré, conseguiu fazer assistências para os seus colegas, pois estiveram sempre bem \"controlados\" pelos defensores dos Palancas Negras.                      Manuel Neto 


OPINIÃO DOS TÉCNICOS 


Srdjan Vasiljevic  (Angola)
\"Uma grande vitória\" 

“A equipa de Angola e uma grande família e devo agradecer a todos os jogadores e aos que não estiveram em campo hoje (ontem). O nosso trabalho ainda não acabou. Conseguimos uma grande vitória. Estamos honrados pela selecção de Angola. O mérito total é dos jogadores e do público que nos deu todo o apoio. Ainda não nós apuramos e teoricamente nada ainda foi conseguido. Vamos aguardar pelo ultimo jogo e que possamos dar todo o nosso empenho para nos apurarmos”.

Paulo Duarte   (Burkina Faso)
\"Angola esteve melhor\" 

“Foi um bom jogo, diante de uma selecção que tem bons jogadores, que evoluem no campeonato local. A boa organização de Angola e o facto de ter uma equipa bem organizada e compacta, que nos criou enormes dificuldades e a jogar em casa geriu muito bem as suas jogadas. Penso que Angola esteve melhor, defende bem e tem um conjunto com boas unidades. Procurámos contrariar este futebol, mas não tivemos alguma intensidade”.

ARBITRAGEM 
Trabalho parcial 

O árbitro congolês democrático Jean Jacques Ngombo fez um trabalho negativo. O juiz deixou transparecer durante todo o jogo a ideia de querer favorecer a equipa do Burkina Faso. Foi muito passivo perante a jogadas protagonizadas pelos burkinabes à margem das leis. Teve várias ocasiões para admoestar com o cartão amarelos os jogadores forasteiros, porém limitou-se a fazê-lo apenas uma vez, ao passo do lado dos angolanos exibiu a cartolina por duas vezes.