Jornal dos Desportos

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Futebol

"Estamos no mundial por mrito"

Paulo Caculo, Casablanca - 10 de Fevereiro, 2020

Treinador garante que brilharete alcanado no campeonato africano de Marrocos mrito da equipa nacional

Fotografia: Agostinho Narciso| Edies Novembro

A medalha de bronze,  no CAN de Marrocos e o apuramento ao Campeonato do Mundo, deste ano, na Lituânia, são feitos conquistados por Angola, por mérito próprio, que provam os níveis de qualidade registados no futsal angolano. Quem o diz é Benvindo Inácio, técnico nacional.
“Não há dúvidas de que foi um grande campeonato. Para mim, os jogos corresponderam  às expectativas criadas, antes de chegarmos aqui. Excelente organização de Marrocos e da CAF. Foram jogos muito bem disputados, com rigor e onde tenho a reter o facto de ter muito fair - play e acima de tudo desportivismo”, para em seguida acrescentar estar satisfeito com a prestação dos seus pupilos.
“Estamos extremamente satisfeitos, pois, cumprimos a missão que nos trouxe a este CAN. Quando saímos de Angola, nós, equipa técnica e a Direcção da Federação prometemos que vínhamos para este campeonato africano lutar, para subir ao pódio. Fizemos a aposta, porque sabíamos que nos daria a possibilidade de representar Angola, no Campeonato do Mundo”, asseverou Benvindo Inácio.
O seleccionador confessou que não foi uma missão de fácil gestão. “Felizmente, conseguimos cumprir com os nossos objectivos. Não foi fácil. Tivemos de lutar bastante, sobreviver a tudo e a todos. Aliás, tenho dito que esta medalha de bronze e o apuramento ao Campeonato do Mundo são feitos conquistados por Angola, por mérito próprio, e que provam que o nosso futsal tem subido de qualidade. Os nossos rapazes lutaram com muita garra, dedicação e humildade e conseguimos chegar ao patamar prometido”, afirmou.
Sublinhou, que quando a equipa perdeu o jogo com o Egipto, na fase de grupos e depois com o Marrocos, nas meias-finais, “algumas vozes pouco crentes começaram a pensar que não íamos ultrapassar a equipa da Líbia”, mas sempre teve a convicção de que seria possível, pois, “estava muito confiante que pudessemos ganhar a selecção da Líbia”, facto que veio a acontecer.
“Não conseguimos vencer o Marrocos, porque é superior à nossa equipa e provou na final, ao ganhar o Egipto, por cinco golos de diferença. Quer dizer que estivemos muito bem contra eles e só provamos neste campeonato, que somos verdadeiros guerreiros e merecemos um resultado positivo”, realçou.
“Se não perdêssemos o jogo com o Egipto, íamos à final. Prometi aos meus filhos, à minha família e aos amantes do futsal, em Angola, que iríamos conseguir o apuramento ao Mundial”, destacou consciente que a Nação gostou da prestação.
“Felizmente, os jogos foram transmitidos pela TPA,  penso que todos viram o nosso desempenho e estão satisfeitos com o trabalho feito pela Federação, pela equipa técnica, médica e jogadores. Sem esquecer todos aqueles que de forma directa ou indirecta contribuíram para que tivéssemos esse sucesso, vibrando com as nossas vitórias e sofrendo com as nossas derrotas. No fim acabámos todos sorrindo, porque conseguimos o nosso objectivo”, acrescentou.
Benvindo Inácio admitiu, por outro lado, que a excelente prestação no CAN chega na melhor altura. “Tenho a agradecer à direcção da Federação, por me ter concedido a oportunidade de estar num palco do campeonato africano. Esperei estes anos todos, até que chegou a minha vez. Fui várias vezes campeão angolano, conquistei dez títulos no campeonato nacional em 15 participações e achei que podia ter uma oportunidade para comandar a Selecção angolana de futsal”, comentou.
Agradeceu a aposta da direcção da FAFUSA e está feliz por cumprir com o desafio. “Estou feliz pelo facto da Federação confiar em mim e ter aberto às portas, para que pudesse mostrar a todos os amantes da modalidade, que tenho e teria capacidade de orientar a Selecção e apurar ao Mundial”, destacou.
Confessou, para finalizar, ter sentido enorme emoção ao ver a Selecção ser agraciada com o troféu “FairPlay” do CAN.

CAMPEONATO DO MUNDO
Atletas esperam mais apoios

   
Consumado o sonho da presença no Mundial, a ser organizado pela Lituânia, dos jogadores da Selecção Nacional, é unânime a opinião de que se as instituições competentes olharem para o futsal de forma diferente, os resultados serão manifestamente superiores.
No seio do grupo, de jogadores do combinado nacional, cuja média de idade é de 24 anos, reina o sentimento de que alguma coisa “continua a faltar, em termos de apoios.
“Conseguimos o nosso objectivo. Estamos de parabéns, não foi fácil, foi tudo fruto de muito trabalho, sacrifício e união de grupo. Sem isso, era impossível. Fizemos das nossas dificuldades forças para superar as selecções com melhores condições que à nossa”, afirmou Mano Sele, o camisola 10 e “obreiro” de um dos golos mais bonitos do CAN.
“Foi extremamente difícil. É uma competição de alto nível e conseguir a qualificação ao mundial não é fácil, porque houve selecções que chegaram aqui com esse objectivo, mas ficaram pelo caminho. O mais importante para nós foi termos subido ao pódio, como terceiro classificado”, disse.
“Sinto-me bastante satisfeito, porque consegui corresponder com às expectativas do treinador e dou graças à Deus pelo trabalho feito. O Mundial será uma competição muito mais difícil, que vai exigir de nós mais responsabilidades, vamos precisar de mais apoios, melhores condições de trabalho para podermos dar mais alegrias ao povo angolano”.
O capitão Nuno é igualmente optimista, em relação ao futuro do futsal e da Selecção. “Penso, que tudo por que passamos em Luanda, durante a preparação para este CAN, faz parte do passado. Agora, teremos de olhar para a preparação para o Mundial, que é este ano e não está muito longe, mas de forma diferente. Teremos de trabalhar muito mais e gozar de um nível de preparação diferente para o melhor”, sublinhou o líder do balneário do conjunto nacional.
“O sentimento é de muita satisfação, o grupo está feliz, porque não foi fácil e acho que as conquistas quanto mais difíceis, são mais saborosas. Passamos por muitas dificuldades, conseguimos o terceiro lugar e o apuramento ao Mundial, que é o objectivo que nos trouxe à este CAN”, acrescentou.
Para o ala Jó, outras das unidades em destaque,  no combinado nacional, autor de quatro golos, Angola esteve muito bem e encarou os adversários com respeito e humildade, facto que contribuiu, grandemente, para o culminar dos êxitos.
“Sabíamos seriam todos os jogos muito complicados, também estávamos cientes que com muita dedicação e esforço dos colegas, conseguiríamos chegar ao objectivo. Vamos ao Mundial dispostos a dar o máximo, melhorar a nossa experiência. Vamos trabalhar, para chegar ao nosso objectivo, que é fazer uma boa prestação na Lituânia”, rematou o jogador.
“O CAN foi muito bom e bastante competitivo. As equipas estiveram muito bem e tivemos atitude, marcámos golos e tivemos este sucesso. As únicas grandes dificuldades foram com Marrocos e Egipto, selecções mais fortes do campeonato”, enfatizou Leo, para em seguida o namibense, Caluanda, emendar:
“Em alguns momentos dos jogos tive algum receio, de que alguma coisa fosse falhar e iríamos voltar mais cedo ao país, porque houve resultados com o Egipto e Marrocos que não esperávamos, mas depois os níveis de confiança começaram a crescer e tudo correu bem”.                                                 

REGRESSO
Selecção já em Luanda

A Selecção Nacional de futsal encontra-se, desde a madrugada de ontem, em Luanda, proveniente de Laâyoune, que de 28 de Janeiro a 7 deste mês disputou a VI edição do Campeonato África das Nações (CAN), organizado pelo Reino de Marrocos.
Durante a presença no campeonato africano, Angola realizou cinco jogos, venceu três, perdeu dois, marcou 14 golos e sofreu 12 tentos, oito dos quais na fase de grupos.
O combinado nacional estreou-se com triunfo, no jogo com Moçambique, por 7-4, após categórica e irrepreensível exibição. O triunfo proporcionaria as condições para começar a sonhar com a concretização do primeiro objectivo: passar da primeira fase de disputa da prova.
No segundo jogo, a Selecção veio a perder o jogo com o Egipto, por 0-3,  a derrota provocou  cenários de frustração, embora, não representasse o culminar dos sonhos porque ainda faltava mais um jogo com os mais "fracos" do grupo.
Na terceira jornada, frente a Guiné Conacri, os pupilos de Benvindo Inácio regressaram aos triunfos, por 5-1,  confirmavam o inédito apuramento às meias-finais do CAN. Nesta fase, Angola teve como adversária a então campeã Marrocos, que averbou derrota, de 0-4.
Na disputa pelo terceiro lugar, os angolanos chamaram  a si o mérito, ao vencer a equipa líbia, por 2-0, com golos de Prado e Mano Sele. Além da conquista da medalha de bronze, a Selecção Nacional recebeu, ainda, o troféu de equipa “Fair Play” do CAN, por ser a mais disciplinada do campeonato,  averbou, apenas, uma cartolina amarela, no caso, admoestada ao atleta Osna, no desafio com o Egipto.
Marrocos ergueu o título e o seu guarda-redes, Reda Khiyari, recebeu o troféu de menos batido e o melhor do campeonato.