Jornal dos Desportos

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Futebol

FAF pretende mais aco nas associaes provinciais

Paulo caculo - 29 de Março, 2018

Snia Anastcio aborda futuro da modalidade com ambio e optimismo

Fotografia: Contreiras Pipas | EDIES NOVEMBRO

A Federação Angolana de Futebol (FAF) desenvolve um projecto para o ressurgimento das competições provinciais de futebol feminino, cujo principal objectivo visa afastar a modalidade da letargia em que se encontra. Quem o diz, é Sónia Anastácio, vogal para o futebol feminino.
A responsável da FAF pela coordenação do futebol das senhoras, afirmou durante uma entrevista ao Jornal dos Desportos, que a Federação esmera-se na realização de torneios experimentais ao nível de todo o país, com vista a permitir o ressurgimento de competições e consequentemente, despertar o desenvolvimento da modalidade no seio das Associações.
\"Prevemos realizar no mês de Maio dois torneios experimentais a nível do país, um na parte norte,  outro na parte sul. Neste momento, o convite foi endereçado a todas as Associações provinciais,  sete já responderam, positivamente. Temos três Associações na parte sul, o Uíge deve albergar, possivelmente, as equipas da parte norte - Malanje e Luanda. Na parte sul, a competição deve ser na província da Huíla. Já há a confirmação de Benguela, Huambo e Namibe. Neste momento, estamos a trabalhar para o ressurgimento das competições ao nível das Associações provinciais\", referiu.
De acordo ainda com a antiga futebolista da Terra Nova e da Selecção Nacional, o quadro actual do futebol feminino não é estático, porque considera estar  a trilhar caminhos que permitem aspirar a futuros êxitos. A responsável espera, por isso, contar com mais envolvimento das Associações em defesa da causa.
\"Ainda estamos muito lentos, não estamos a acompanhar a dinâmica que se deve à falta de envolvimento de alguns membros de algumas Associações provinciais, com relação ao que é a participação e entrega para o desenvolvimento futebol feminino. Há quem diga que quando há uma senhora à frente, o processo corre melhor. Tenho uma boa relação com as responsáveis das Associações de Luanda e de Benguela. São senhoras,  a dinâmica de trabalho delas é totalmente diferente,  em relação às outras províncias\", destacou. Sónia Anastácio mostra-se optimista em relação ao futuro, sobretudo, pelo facto de haver pessoas dispostas a ajudar a Federação para a obtenção de êxitos neste processo de desenvolvimento do futebol feminino. Considerou fundamental o surgimento de apoios em termos materiais, para a prática da modalidade no seio das senhoras.
\"A possibilidade de ajuda em termos de material pode relançar o futebol feminino em Angola. A falta de material para a prática é dos grandes problemas que as equipas enfrentam. Se houver força de vontade de todas as pessoas envolvidas no desenvolvimento do futebol feminino, acho que seja possível invertermos o quadro\", assegurou.
A responsável antevê o futuro com enorme crença, razão pela qual justifica a sua presença no elenco liderado por Artur de Almeida, garantiu haver todos os esforços no sentido de  tirar o futebol feminino do marasmo em que se encontra.
\"O grande objectivo é tirar o futebol feminino da quase letargia e talvez sejamos capazes de voltar, não aos anos áureos que sempre tivemos, mas fazer um bom trabalho com o futebol feminino e poder contar  no futuro com as selecções, pelo menos a nível do continente, para  que consiga manter a nossa posição\", perspectivou.

FUTURO
“Podemos voltar a sonhar”

A dirigente Sónia Anastácio diz não ter dúvidas em relação ao futuro do futebol feminino nacional. A antiga futebolista considerou existir razões para sonhar em melhores dias, desde que continue a haver vontade de todos, em colaborar com o projecto em curso.
O grande desafio, segundo a coordenadora para o futebol feminino, passa irremediavelmente por ressurgir as competições ao nível das províncias e o engajamento das equipas e das direcções das Associações no desenvolvimento da modalidade.
\"O futebol feminino precisa cada vez mais, de pessoas como o senhor Jean-Marie, por exemplo, proprietário de uma Academia de futebol, em França, esteve cá no país para manifestar o  desejo de ajudar no desenvolvimento do futebol feminino, oferece material desportivo e disponibiliza-se para a realização de estágios, em França, para as nossas equipas e selecções\", disse Sónia Anastácio.
\"Precisámos de facto, de pessoas que nos transmitam uma mensagem positiva e que tenham vontade de ajudar, para que o futebol em Angola tenha grande progresso a nível do feminino. Se for possível desenvolver este trabalho, acho que podemos voltar a sonhar\", acrescentou a responsável.
Sónia Anastácio disse aguardar que a proposta de parceria com a Academia francesa se efective e que a FAF faça um verdadeiro trabalho para o desenvolvimento do futebol feminino, algo em que acredita e o país estar a precisar hoje, mais do que nunca.