Jornal dos Desportos

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Futebol

Fraca divulgao do CAN afasta benguelenses da festa

26 de Setembro, 2019

Benguela, como nas demais provncias do pas.

Os preprativos do Campeonato Africano das Nações de futebol adaptado, competição que vai decorrer de 4 a 12 de Outubro próximo, na cidade de Benguela, está a passar despercebido na maioria das pessoas residentes e dos que visitam a cidade das acácias rubras, devido a sua fraca divulgação, antevendo-se, por isso, a uma diminuta afluência   do público ao estádio de Ombaka. As principais ruas e avenidas da cidade de Benguela, palco da compita, bem como da vizinha cidade do Lobito, vilas da Catumbela e da Baía Farta, para citar apenas estas regiões da província, estão despidas de painéis publicitários sobre o certame. Ademais, são desconhecidos os responsáveis pela divulgação dos referidos “spots”. Está tudo escondido no "segredo dos deuses", gerando daí informações desencontradas com a realidade dos factos. O exemplo vem do taxista Ambrósio Tumalã. Quando questionado, deu para perceber que de nada sabia sobre o Campeonato Africano de futebol com muletas que, dentro de duas semanas, vai decorrer na cidade de Benguela. Manifestou-se surpreso. “CAN de futebol com muletas? Não sei de nada, apenas ouvi por alto que viriam equipas de fora, mas nunca me informaram que fosse campeonato de futebol com muleta, até porque não vejo nada nas ruas. E se existe, ainda não vi nada”, comentou. Outra voz desconhecedora do assunto veio da estudante universitária de Psicologia, Elizabeth Kamandele, para quem, existe uma espécie de desinteresse da parte de determinadas pessoas com poder de decisão no país, em ver fracassada a realização da prova. Ainda assim, acredita na capacidade mobilizadora das pessoas envolvidas no processo de organização do certame.
“Ainda vai-se a tempo para encher as ruas com publicidades a custo baixo. Há muitos tecidos descartados e que podem ser utilizados, paredões e outros meios para se pinchar e publicitar o evento. O resto, completa-se com pequenas (mais significativas) acções informativas em programas radiofônicas, televisivas e até colóquios em locais de maior concentração populacional. Para isso, é preciso pensar o país real e evitar gastos desnecessários, se quisermos realizar uma prova exemplar e mostrarmos ao mundo o quão especial somos, na verdade”, anotou. Já Xavier Tchiteke Sumbasuku, deficiente físico de nascença, revelou-se um tanto quanto confuso com o sucesso que se espera da realização do CAN em Benguela. No seu entender, ao trazer para o país a organização da prova, o Estado angolano, por intermédio do Comité Paralímpico (CPA), deveria ter em atenção todas as condicionantes que, no seu entender, estão na base do improviso. “Não faz sentido, um evento de dimensão internacional passar despercebido na maioria das pessoas. Não pode ser, o governo local e o CPA devem envidar esforços, no sentido de corrigir eventuais falhas que surgiram neste processo. O momento é este. É preciso, enquanto podem, ajustar tudo e começar-se já a vivenciar o ambiente do CAN de futebol com muletas, envolver todo mundo na festa que, afinal, será de todos os angolanos, estando a cidade de Benguela, o centro das atenções”, sugeriu. Uma fonte afecta ao Comité Paralímpico Angolano contactada pelo Jornal dos Desportos, apesar de admitir “ligeira falhas” (nas suas palavras) na organização do processo, garante que a problemática dos painéis publicitários, bem como merchandising, circunstanciados em bonés, t-shirts, esferográficas, porta chaves, para além de outros produtos publicitários a retratarem o histórico do futebol adaptado no país, no continente e no mundo, estão assegurados e que nos próximos dias estarão à disposição do público interessado, tanto em Benguela, como nas demais províncias do país.