Jornal dos Desportos

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Futebol

Gigantes!

Betumeleano Ferro - 22 de Setembro, 2018

Militares tm um

Fotografia: DR

A irrepreensível exibição do guarda-redes Tony Cabaça desequilibrou ontem a favor do 1º de Agosto a eliminatória contra o TP Mazembe. Por mais que se peneire tudo quanto se passou durante a contenda, o nome de Tony Cabaça vai perdurar sempre como o herói da qualificação, pois foi a mão cheia de defesas, incluindo duas grandes penalidades, que fez mais diferença do que a igualdade a uma bola.
O número de defesas oportunas feitas pelo guarda-redes do 1º de Agosto até certo ponto ajudaram a determinar qual das equipas tinha mesmo arcabouço para chegar às meias-finais.
A cabeça fria que faltou ao TP Mazembe teve muito a ver com a ansiedade provada pela actuação de Tony Cabaça, tão logo o adversário se apercebeu que estava diante duma barreira impenetrável, os militares se inspiraram no bom exemplo do valoroso colega e se esticaram pelo cumprimento e largura do relvado para o golpe final.
Sem nunca perder o foco na qualificação, os militares conseguiram evitar cair nos mesmos pecados do adversário, sabiam o que queriam mas nunca tiveram pressa de lá chegar, pois queriam acertar o alvo sem precisar de muitas tentativas.
O resto as mãos de Tony Cabaça trataram de fazer, a partir do momento em que a equipa sentiu que as redes estavam bem guardadas, tratou de gerir bem a posse de bola, a segura e eficaz circulação deu poucas possibilidades ao Mazembe de fazer mossa nas costas da defensiva do D\'Agosto.
O golo inaugural de Muleka aos 12\' foi um dos raros momentos em que o TP Mazembe conseguiu tirar proveito duma jogada típica do seu ataque, a troca de passes curtos a entrada da área culminou com a entrada fulminante do avançado, que após iludir um adversário atirou sem dar hipóteses a Tony Cabaça.
A vantagem era magra, porém, suficiente para o TP Mazembe pensar em ampliar e depois espalhar o pânico em campo, essa estratégia tinha tudo para dar certo, mas tão logo o guarda-redes militar começou a assumir o protagonismo em campo, com o passar dos minutos a equipa anfitriã deixou cair a máscara e todos viram que não tinha um plano B, pois, repetiu os mesmos movimentos ofensivos que foram bem lidos por Tony Cabaça, sobretudo no duelo directo com Ngita.
Sem nunca perder de vista o alvo, o 1º de Agosto empatou quando menos se esperava, aos 34\' o árbitro Mehdi Abid Charef apitou uma falta na zona frontal de Gbohouo. Em vez do tiro directo, os militares optaram por uma jogada de laboratório, a bola foi tocada para Mongo que com a canhota disparou com todas as forças que tinha, o efeito e a potência do remate impediram o guarda-redes do Mazembe de esboçar qualquer defesa.
Mesmo com a eliminatória favorável com o 1-1, o 1º de Agosto demorou a acreditar que estava com a mão na massa, é por isso que quis estragar tudo a terminar a primeira parte e a começar a segunda.
Ao capitão Dani Massunguna faltou visão periférica ao provocar um penálti desnecessário, Tony Cabaça voltou a levar a melhor sobre Ngita a um minuto do intervalo; mal começou o segundo turno, Jacques iniciou uma jogada de contra-ataque mas depois borrou a pintura, atirou a figura de Gbohouo.
Esse falhanço quase custou caro porque no minuto seguinte, 47\', Mehdi Abid Charef foi severo demais, deu novo penálti contra o 1º de Agosto, outra vez Dani Massunguna mal na fotografia. Como em todas as histórias, se há um vilão é porque também há um herói e este ainda tinha espaço na sua cabaça, houve troca de marcador, Tresor Mputu tentou provocar o guarda-redes militar mas sem sucesso. O sangue-frio de Tony falou mais alto, deixou que o craque do Mazembe escolhesse o ângulo e silenciou o estádio.
Ainda havia muitos minutos para se jogar, mas é inegável que uma equipa ficou tocada pela sua sucessão de falhanços. É verdade que teve mais bola, tentou abrir corredores laterais, abusou dos cruzamentos, usou o físico para desgastar e tirar proveito, mas na baliza continuava tudo na mesma, o imperturbável Tony Cabaça era o dono e senhor de tudo para frustrar o último assalto, aos 81\' e 90+1\' justificou por que era o protagonista da eliminatória, ao segurar firme a passagem do 1º de Agosto.

REGISTO
Militares igualam tricolores

   O sotaque angolano voltou a pronunciar meias-finais na milionária prova continental. A longa atitude de espera do futebol nacional por novo brilharete na maior montra dos clubes africanos terminou com a qualificação do 1º de Agosto.
 Em 2001, coube ao Petro de Luanda abrir as hostilidades com a sensacional campanha que parecia que nunca mais iria se repetir, mas eis que agora surgem os militares a igualar a mesma marca em Lubumbashi, a mesma cidade em que há 30 anos os tricolores eliminaram o Mazembe.
Sem em 2001, o sucesso tricolor foi suportado pelo milionário orçamento de mais de 4 milhões de dólares, que a então direcção de Silva Neto achou pertinente para o Petro ser falado no continente, a proeza do 1º de Agosto também tem a ousadia da sua direcção, que arriscou para petiscar, em meio ao conflito de interesse com a FAF, por causa dos internacionais angolanos que o campeão não queria partilhar na íntegra com a selecção.
A esta altura a ferida ainda sangra porque é inegável que sem os castigados o 1º de Agosto talvez não teria pujança suficiente para ultrapassar todos os obstáculos que encontrou pela frente para figurar entre as quatro melhores equipas da Champions.
Assim como sucedeu em 2001 com o Petro de Luanda,  foi necessário esperar para ver até onde iria chegar a ousada aposta da direcção do 1º de Agosto.
A medida que os adversários começaram a cair um a um o caminho ficou limpo e depois de duas eliminatórias, as mesmas que os tricolores fizeram, a fase de grupo também se tornou realidade extramuros, como na vez do rival.
O sorteio do grupo D colocou o campeão nacional ao lado de adversários que aparentavam ser mais cotados, mas o 1º de Agosto percebeu que era com o Zesco da Zâmbia que teria de estar mais atento, pois o Etoile du Sahel da Tunísia, estava num degrau acima.                   

MORTES NO 11 DE NOVEMBRO
Bombeiros descartam falhas de segurança

 O trágico desfecho do ambiente em torno do jogo entre as equipas do 1º de Agosto e o TP Mazembe da RDC, no sábado, no Estádio 11 de Novembro, referente à primeira mão dos quartos - de -final da Liga dos campeões, continua a provocar reacções da sociedade civil.
 Faustino Minguês, porta voz dos serviços de protecção civil e bombeiros, descarta as alegações segundo as quais as cinco mortes de jovens adeptos do futebol, na zona exterior ao Estádio, deveu-se ao facto de ter havido falha, com relação aos serviços de segurança e dos bombeiros colocados no local.
 \"Não condiz com a verdade, as informações postas a circular, fazendo crer que não havia efectivos dos bombeiros no local do incidente. As nossa forças estiveram no local e foram a tempo de socorrer algumas vítimas. Estamos a falar, concretamente, da senhora Filomena Zau, que foi socorrida pelas nossas forças, para o Hospital Geral de Luanda e também de outro cidadão, que está por se identificar. Ambos, morreram no hospital\", esclareceu o porta voz dos bombeiros. 
 Segundo ainda Faustino Minguês, as forças de segurança colocadas no Estádio, foram as últimas a abandonar o local do espectáculo e apenas abandonaram o 11 de Novembro, depois das 20 horas.
 Ainda assim, refere que as pessoas que aparecem nas imagens postas à circular nas redes sociais, alegadamente a acudirem as vitimas, têm a ver com o clima de agitação que se criou após as mortes.
 \"Nós estivemos no Estádio, com um corpo de segurança com mais de 120 efectivos. É normal que ocorra a situação de aglomeração de pessoas perto das vítimas, porque estamos a falar de uma área exterior ao Estádio. Não foi no interior do palco do jogo. Portanto, isso, pressupõe dizer que descartamos a passibilidade de não ter existido bombeiros no local, porque se não existisse bombeiros, os sete feridos graves não seriam socorridos para o hospital,  pelas forças do INEMA e da Polícia Nacional\", justificou.
 O que de facto aconteceu, de acordo ainda com o porta voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, os adeptos decidiram sair do Estádio às pressas,  por uma zona estreita e tendo em conta as emoções, muitos forma caindo e pisados por outros, facto que originou que acontecessem as mortes por asfixia.
\"Em função do facto das pessoas terem passado umas por cima de outras e não houve tempo de socorrerem as vitimas, as cinco pessoas acabaram por morrer asfixiadas.  Todo o esforço foi feito, por parte das forças de segurança, no sentido de  socorrer as vítimas. Das cinco vitimas mortais, três tiveram mortes imediatas, e estamos a falar de membros da mesma família, e as outras duas vítimas,  morreram no hospital. Houve igualmente sete vítimas por ferimentos ligeiros\", explicou.
 Faustino Minguês garante,  que todos os esforços estão a ser feitos pelos órgãos competentes, no sentido de  apurar o que esteve na origem das mortes. Assegura, que existe uma Comissão que está a trabalhar para apurar as verdadeiras causas da tragédia, registada no Estádio 11 de Novembro. Paulo Caculo