Jornal dos Desportos

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Futebol

Igor lamenta passagem pelo clube

Daniel Melgas, no Luena - 07 de Dezembro, 2014

Igor Nascimento enaltece disponibilidade demonstrada e considera governador Paulo Pombolo

Fotografia: Jornal dos Desportos

O avançado Igor Nascimento, que na última época representou a equipa da União Sport Clube do Uíge, assegurou ontem ao Jornal dos Desportos ter vivido na equipa do Uíge a pior experiência na sua carreira de futebolista iniciada há 17 anos, no Interclube, com passagens em outras agremiações africanas e europeias. 

O futebolista apontou a desorganização administrativa e a falta de profissionalismo dos seus dirigentes como uma das causas do insucesso do representante do Uíge no último Girabola, o que originou a descida de divisão da equipa.

“Da União do Uíge só tenho lembranças desagradáveis”, disse de forma peremptória Igor, acrescentando que os dirigentes do clube não possuem profissionalismo que se exige na alta competição, o que ditou a descida do grémio do Uíge para a Segunda Divisão.

“A desgraça da União do Uíge começa pela falta de organização e profissionalismo dos dirigentes do clube. Também devo realçar a quase inexistência de condições de trabalho à disposição dos jogadores e equipa técnica. Foi a pior experiência que já tive no futebol”, lamentou o futebolista de 31 anos, actualmente sem clube.

O jogador elogiou a disposição demonstrada pelo governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, pois, como disse, tudo fez para que a União Sport Clube não baixasse de divisão.

“No meio de tudo isso, devo realçar o apreço de Sua Excelência o governador do Uíge (Paulo Pombolo) que fez de tudo para manter a União na Primeira Divisão. Estava presente em quase todos os jogos que realizavam em casa. Nos bons e maus momentos, ele ia aos treinos para saber o porquê da situação vivida e orientava caminhos para solução dos problemas da equipa”, recorda, tendo considerado o "número um" da província do Uíge “homem do futebol”.“Já joguei em várias províncias e nunca vi um governador tão envolvido na causa de um clube. O governador Pombolo convenceu-me de que é realmente um homem do futebol”, sublinhou.

Os adeptos da União do Uíge, tal como o governador Paulo Pombolo, não foram também esquecidos pelo avançado Igor Nascimento. O atleta considerou um "show" a maneira como eles viviam e festejavam os jogos da equipa. 

“Estava a ser injusto se falasse da União do Uíge sem me referir aos adeptos, um povo amante do futebol, e por isso é uma pena que neste momento eles não tenham equipa no Girabola. Lembro-me daquela zona montanhosa do estádio 4 de Janeiro. É um show”, sustentou.


ÉPOCA 2015
Igor privilegia
FC do Maquis


O FC Bravos do Maquis, clube em que militou três épocas e meia, de onde saiu para representar o Benfica de Luanda, Interclube, Recreativo da Caála e União do Uíge, é a preferência do avançado Igor Nascimento para jogar na época de 2015, caso haja vontade pelos seus serviços por parte da direcção presidida por Augusto Manuel Quitadica “Docas”.

Igor do Nascimento, que na última época representou a União Sport Clube do Uíge, está sem clube e pretende regressar ao FC Bravos do Maquis, agremiação que diz ser sua “casa”.

“É sempre um prazer e honra poder voltar a jogar pelo FC Bravos do Maquis, uma equipa à qual estou muito ligado e onde passei grandes momentos. Clube que até certo ponto contribuiu para o meu crescimento como profissional, social e principalmente como homem”, disse o futebolista com vasta experiência em clubes africanos e europeus.

O antigo futebolista do Malatyaspor Kulubu, da Turquia, revelou ao Jornal dos Desportos que já manifestou o seu desejo de regressar ao clube maquisarde para testemunhar o final da sua carreira, assim como poder trabalhar no mesmo para transmitir os seus conhecimento e experiência acumulada nos 17 anos de futebol.

Igor está aberto a novas propostas e confirmou existirem contactos com muitos clubes que militam no Girabola, que não revelou, sendo prioridade o FC Bravos do Maquis.

“Não que o FC Bravos do Maquis seja o meu único foco. Sou profissional e estou aberto para qualquer clube, partindo do princípio que a carreira futebolística é curta. Sempre pensei no meu pós futebol, razão pela qual estou sempre ligado aos estudos, embora não pretenda deixar o futebol”, reiterou o futebolista formado nas escolas do Interclube.  
DM


FORMAÇÃO
“Clubes devem investir nos técnicos”


O antigo futebolista do Club African de Tunes, Igor do Nascimento, que na última época representou o União Sport Clube do Uíge, afirmou ontem, no Luena, que os maiores problemas do nosso futebol estão na formação, isto é, na capacitação dos formadores ou treinadores. Sustentou que enquanto não se melhorar esta área o futebol angolano nunca vai chegar onde todos sonhamos.

“Falo com conhecimento de causa. Não é por acaso que a maior escola de futebol do país (AFA) tem formadores estrangeiros, não por xenofobia. Isso demonstra a fraca qualidade dos nossos formadores”, disse, reconhecendo que o país tem muito boa matéria-prima que precisa de ser bem trabalhada. “Os nossos clubes devem investir na boa formação e capacitação dos nossos treinadores”, referiu. Com base nisso, o futuro quadro em Relações Internacionais e Ciências Políticas espera por mais atenção aos técnicos das camadas de formação.

Igor Nascimento diz não perceber o motivo que leva Angola a tornar-se um “desértico futebolístico”, depois de atingir o Campeonato do Mundo de futebol de 2006, que decorreu na Alemanha.

“Na minha modesta opinião, acho que o nosso futebol já não tem grandes problemas em termos de organização. Hoje em Angola, tanto dentro da federação, como em grande parte dos clubes, já se constata uma grande capacidade de organização, apesar de ainda existir muito para se fazer em termos competitivos”, sustentou. Com passagem pelo Malatyaspor Kulubu (Turquia) e FC Haka (Finlândia), Igor do Nascimento, 31 anos de idade, pela visão que tem do futebol africano, em função da sua passagem pelo Club African de Tunes, diz que a maioria do clubes angolanos está melhor organizada que muitos bem cotados em África.

A organização dos clubes, associações e federação constituem condição indispensável para que o futebol doméstico seja de "alto nível" e possa estar melhor posicionado que muitos países e selecções africanas. 


“Muitos países africanos que dão cartas em termos competitivos não têm metade da nossa capacidade organizativa”, disse o futebolista que procura dar um novo rumo à sua carreira de 17 anos, após deixar o despromovido União do Uíge.   
DM