Jornal dos Desportos

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Futebol

Incidentes colocam 1 de Agosto sob alada disciplinar da CAF

Betumeleano Ferro - 20 de Setembro, 2018

Cinco pessoas morreram aps o jogo da primeira mo dos quartos de final da Liga dos Campees

Fotografia: Santos Pedro| Edies Novembro

As mortes ocorridas no final do 1º de Agosto  - TP Mazembe colocam a equipa angolana, sob alçada disciplinar da Confederação Africana de Futebol (CAF), soube o Jornal dos Desportos junto de um dos oficiais do órgão reitor da modalidade no continente, presente no embate da primeira mão.
A dimensão da tragédia só começou a ser conhecida um dia depois, mas a fonte contactada pelo Jornal dos Desportos argumentou que os regulamentos da CAF são claros: “tudo o que acontece dentro do estádio é responsabilidade de quem joga em casa”.Para melhor controlar o que se passa em todos os campos em que se disputam as Afrotaças, a CAF criou uma sala com o nome de Comand Center (Comando Central em português), com vários ecrãs para, segundo a fonte, “acompanhar tudo o que se passa nos estádios”, para depois agir com base nas imagens.
No dia seguinte a tragédia, o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), acompanhado pela Polícia, esteve no exacto local em que os adeptos acabaram por perecer, mas até ao momento não há nenhuma versão oficial, para explicar o que aconteceu para o final triste.
 O Jornal dos Desportos esteve presente no 11 de Novembro e testemunhou graves problemas de desorganização.
A luta para comprar bilhetes era tão intensa, que, em algumas entrada, as viaturas como que tiveram de travar um duelo com os adeptos para conseguir passar.
À medida que os adeptos entravam no interior do estádio, foram dezenas as que saltaram um dos muros do segundo anel, para terem acesso às bancadas. Um bom número de adeptos assistiu ao jogo na zona de trabalho reservada aos jornalistas, antes e depois do jogo utilizaram as mesmas portas e escadas, que deveriam ser exclusivas para os jornalistas, alguns deles aparecem como intrusos nas imagens que a TV Zimbo fez, quando entrevistava actuais e antigos atletas.
Além das mortes, o jogo também ficou manchado pela invasão de adeptos das duas equipas, antes do apito inicial. Primeiro foi um adepto vestido com a camisola do 1º de Agosto, a seguir entraram outros igualmente afectos aos militares, e como que para empatar, dois adeptos do Mazembe, um deles trajado com a cores oficiais do clube, saltaram a vedação, a Polícia conseguiu agarrar um, o outro conseguiu escapar e voltou para a bancada.

INCIDENTES NO ESTÁDIO
Minjud estabelece prazo do inquérito

O Ministério da Juventude e Desportos estabeleceu o prazo de 15 dias, para apresentar o resultado do inquérito das mortes, que ocorreram no exterior do Estádio 11 de Novembro. A informação foi avançada terça-feira, ao nosso jornal, pelo Secretário de Estado para Desportos, Carlos Almeida, à margem de um encontro que manteve com o presidente da Confederação Africana de Atletismo, na Galeria dos Desportos, na Cidadela Desportiva. O Secretário de Estado sublinhou que a comissão foi criada para o efeito e dentro de 15 dias serão apresentados os resultados do inquérito que está ser feito.
"Está criada a comissão para apurar as causas das cinco vítimas que faleceram, depois do jogo entre o 1º de Agosto e o TP Mazembe e dentro de 15 dias vamos apresentar os resultados", disse Carlos Almeida.
O responsável do Minjud referiu, ainda, que apesar do incidente ocorrer no exterior do estádio, devem-se apurar os motivos. "Mesmo que o incidente tenha ocorrido fora do campo, críamos uma comissão interna que, no prazo estabelecido, vai ter a conclusão do caso", frisou o Secretário de Estado para Política Desportiva.
Na tragédia, que ocorreu no último sábado, depois do jogo da Liga dos Clubes Campeões, os adeptos da equipa militar perderam a vida, quando já iam a sair do Estádio 11 de Novembro. Segundo informações colhidas pelo JD, houve precipitação, o que provocou tumulto entre a multidão e os espectadores saltaram o muro do estaleiro adjacente ao recinto, o que fez com que algumas pessoas pisassem as outras.
O Jornal dos Desportos soube, por outro lado, que o 1º de Agosto prontificou-se em ajudar às famílias, para a realização do funeral.
Luís Alberto, adepto da equipa do "rio seco", disse não entender os motivos que levaram os adeptos a saltar o muro. "Estive no campo e apesar de o estádio estar cheio, houve organização tanto na entrada como na saída, não entendo os motivos que levaram as pessoas a saltar o muro, quando existe um portão", disse.
O adepto militar acredita que as pessoas queriam encurtar à distância entre o portão de acesso ao exterior do estádio e a estrada principal. PEDRO FUTA

Futebol
Ministério atrasa comissão de inquérito


Passados cinco dias após à tragédia que vitimou cinco pessoas, à margem do jogo entre o 1º de Agosto e o TP Mazembe, para a primeira "mão" dos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões de África que se  disputou a 15 do mês em curso, o Ministério da Juventude e Desportos, organismo que tutela a gestão do Estádio Nacional 11 de Novembro, ainda não anunciou a composição da comissão de inquérito, para averiguar as causas do incidente. Numa nota de imprensa publicada no dia seguinte às mortes, o Ministério lamentou e prometeu criar uma comissão. Na nota, o gabinete de comunicação institucional confirmava a morte de cinco pessoas e o ferimento de sete outras, que à data da emissão da nota tinham recebido alta hospitalar.
"O fatídico acidente é resultante da saída às pressas e desorientada de uma multidão, na zona fora do muro de vedação do Estádio 11 de Novembro. O Ministério da Juventude e Desportos lamenta as mortes e endereça os sentimentos de pesar às famílias. Uma comissão vai ser criada para averiguar as causas do incidente", refere a nota.S.C

Às família
Governo de Luanda manifesta solidariedade

O Governo Provincial de Luanda enviou ontem uma mensagem de solidariedade, para as famílias dos adeptos de futebol ocorrido à saída do Estádio 11 de Novembro, que acabava de albergar partida entre o lº de Agosto de Angola e o TP-Mazembe da República Democrática do Congo. Segundo uma nota do GPL que a Angop teve acesso ontem, quarta-feira, este trágico acontecimento que, uma vez mais, leva a dor e o luto para o seio de famílias de Luanda, afecta todos pois tratam-se de jovens e adolescentes que, na flor da idade e fazendo parte do “viveiro” de Angola, muito ainda tinham a dar o processo de desenvolvimento de Angola de hoje e de amanhã.
“Quis a crueldade do destino que esta fatídica ocorrência tivesse lugar num recinto que pela sua natureza vem sendo fonte de muitas alegrias para a juventude, em particular para os adeptos de futebol, que buscam àquele Estádio momentos de lazer e diversão ,sempre que chamados a apoiar as suas equipas”, lê-se na nota.
O Governo Provincial de Luanda dedica aos feridos votos de rápida recuperação e regresso saudável ao convívio familiar.