Jornal dos Desportos

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Futebol

Inspectores da FIFA trabalham em Angola

Betumeleano Ferro - 24 de Maio, 2018

Uge para manter encontros com o governo e com autoridades desportivas locais.

Fotografia: Mavitide Joo Mulaza | Edies Novembro

A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) vai enviar no próximo mês, de 4 a 11, uma equipa de especialistas a Angola com o objectivo de "dar sugestões à FAF sobre como gerir as operações de um estádio e como fazer a gestão da multidão, que aparece para participar do espectáculo do mundo do futebol".
O Jornal dos Desportos teve acesso ao programa elaborado pela FAF, no qual foi possível constatar que uma das preocupações da FIFA foi "o fatídico acontecimento ocorrido no início do Girabola Zap 2017", no estádio 4 de Janeiro no Uíge.
O quesito segurança é o que mais vai estar em destaque na visita dos especialistas da FIFA, mas a FAF também fez saber que a comitiva vai ao Uíge para manter encontros com o governo e com autoridades desportivas locais, enquanto em Luanda está agendado um encontro mais alargado com membros da FAF, Oficial de Segurança, Polícia Nacional e gestores de estádios.
A segurança dos estádios 4 de Janeiro, Uíge, 11 de Novembro, Coqueiros e 22 de Junho, todos eles em Luanda, vai merecer uma atenção especial dos especialistas que chegam a Luanda a 4 de Junho, no dia seguinte vão ao Uíge e de lá regressam à capital no dia 7 para cumprir com a agenda final.
A presença dos especialistas da FIFA no Uíge provocou um sentimento agridoce ao presidente Agostinho Neves António da APF local. Embora tenha se mostrado satisfeito com a inclusão da sua província, ele queria ser visitado noutras circunstâncias, "é evidente que gostaríamos de os receber por um outro motivo, mas vai ser pelos piores", lamentou.
Os tristes acontecimentos de 10 de Fevereiro de 2017 no estádio 4 de Janeiro despertaram o alarme em Angola, pelo que Agostinho António anseia tirar o máximo proveito das novas orientações que vai receber dos especialistas.
"O mais importante é que vamos ser visitados por especialistas enviados de propósito pela FIFA, queremos aproveitar ao máximo o que de novo nos vão trazer", afirmou.
A segurança nos estádios nacionais começou a ser muito comentada depois das mortes ocorridas no 4 de Janeiro, ainda assim o presidente da APF diz acreditar que alguma coisa se aprendeu.
"Ninguém prevê quando uma coisa dessas vai acontecer, é evidente que não queremos que uma cena parecida volte mais a acontecer nos nossos recintos desportivos, não pode voltar a acontecer por causa das lições que todos tiramos desses tristes acontecimentos, é verdade que saímos todos beliscados mas agora é hora de prestar atenção aos que vêm nos visitar", garantiu.

INVESTIGAÇÃO
Tragédia no 4 de Janeiro atarefa PGR


O presidente da Associação Provincial de Futebol do Uíge (APFU), Agostinho Neves António, prestou ontem declarações na sede local da Procuradoria Geral da República, no âmbito do inquérito da tragédia ocorrida o ano passado no estádio 4 de Janeiro, no decurso do jogo Santa Rita - Libolo, na qual morreram dezassete pessoas.
"Eu vim na condição de presidente, já prestei o meu depoimento, o que quero agora é que as coisas sigam o seu curso normal para que no final se faça justiça", augurou.
Todas as declarações feitas por Agostinho António foram ao encontro da posição oficial, assumida o ano passado pela Associação Provincial.
"Nós mantivemos à nossa posição, uma vez mais lamentamos todas as mortes ocorridas, ao mesmo tempo que continuamos a desejar que os culpados sejam sancionados", garantiu.
A Associação Provincial de Futebol do Uíge, segundo Agostinho António, mantém-se de consciência tranquila, pois nada teve a ver com os tristes acontecimentos.
"Não intervimos em nada, não fomos nós que estivemos na organização do jogo, o regulamento diz que quem joga em casa é que é o responsável pela organização, nós demos todas as orientações nesse sentido, o que ocorreu depois não pode vincular a APF", sublinhou.
Embora clame por inocência, Agostinho António afirmou que o seu consulado também saiu manchado com os 17 mortos e 61 feridos que resultaram da tragédia.
"Infelizmente, aconteceu na nossa província, não podemos ficar indiferentes ao que aconteceu, vai continuar a ser o dia de má memória para todo o meu elenco", lamentou.
O presidente foi à PGR prestar declarações, mas diz ter saído com a firme convicção de que a verdade vai prevalecer no final, ninguém mais vai ficar com dúvidas sobre o que aconteceu no dia 10 de Fevereiro de 2017.
"Eu não sou perito na matéria, não sei se vai haver ou não penalizações, me limitei a responder a tudo o que me perguntaram, o meu desejo é o mesmo de sempre, que se mostre quem são os culpados para que a justiça possa fazer o seu trabalho", augurou.
A maior tragédia ocorrida num recinto desportivo em Angola provocou comoção além fronteiras, agora o presidente da APF quer que o desfecho do inquérito da PGR alivie em definitivo os que estavam no sítio errado na hora errada.
"Eu próprio nem sabia dos tristes acontecimentos, estava alheio como todos os que estavam no estádio, só minutos depois do jogo terminar é que me chamaram para dar a triste notícia, então há questões que nem eu sei responder, foi por isso que não consegui responder a algumas perguntas, é possível que chamem mais pessoas para dar essas respostas", finalizou.