Jornal dos Desportos

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Futebol

Ivo volta a "traar" objectivos do DAgosto

Jorge Neto - 03 de Junho, 2019

Traa adiantou que estabeleceram metas especficas para a poca terminada

Fotografia: Contreiras Pipa| Edies Novembro

O 1º de Agosto ambiciona repetir, na próxima época, a iniciar  no dia 15 de Agosto, o recorde inédito de terminar o Girabola Zap sem nenhuma derrota e conquistar o penta - campeonato, de acordo com o técnico -adjunto Ivo Traça.
O antigo médio militar revelou que tiveram de redobrar  esforços, quando viram que podiam alcançar esse feito, pela primeira vez, na competição interna.
"Quando nós nos apercebemos, que podíamos terminar o campeonato sem derrotas,  transformámo-nos mais, redobramos os esforços de trabalho para não sofrermos nenhuma derrota no campeonato. Fomos felizes, aconteceu. Não perdemos nenhuma vez na Taça de Angola, nem no campeonato nacional. Gostaríamos de no próximo ano fazermos o mesmo recorde para irmos buscar o penta", disse em entrevista no site do clube.Ivo Traça adiantou ainda, que estabeleceram metas específicas para a época terminada, acentuando um mínimo de golos sofridos e marcar o máximo possível. "Uma equipa como o 1º de Agosto tem de criar metas, fazer apostas e nós fizemos uma aposta. O ano passado, quando o treinador era o Zoran Maki nós pedimos aos jogadores que gostaríamos de terminar a primeira volta com três ou cinco golos sofridos,  e a segunda se tanto mais três, mas marcando entre 40 a 55 golos. E, nós marcamos poucos e sofremos poucos", destacou.
O treinador acrescentou,  que "este ano  melhoramos,  sofremos poucos e marcamos mais. Embora,  que não chegamos ao número de golos que nós pretendíamos, saímos com nove golos sofridos, a meta era essa, entre oito a dez tentos, durante a época toda".
O facto de jogar juntos há várias épocas,  faz que o sector defensivo esteja coeso e garanta estabilidade, tal como considerou o técnico -adjunto. "Há três anos que estão juntos,  a nossa defesa  joga de olhos fechados e está muito sólida.
O sector defensivo ganha os campeonatos, mas o ataque é que faz  golos. Se nós no ataque marcamos por jogo três ou quatro golos e sofrer dois ou um,  não temos problemas nenhum", apontou os 49 golos marcados e nove sofridos.
 Apesar de não abrir o jogo, Ivo Traça garantiu haver uma estratégia para que o sector defensivo se mantenha forte ,igualmente, na Liga dos Campeões Africanos, em que a equipa vai participar na próxima época. 
"Vamos criar uma estratégia para a competição africana,  para este sector defensivo, em função do momento que o  sector está a atravessar, habitualmente composto pelo Tony, depois os defesas e acompanhados de dois trincos habituais, o Show e o Macaia. O segredo disso foi o trabalho", rematou.

LIGA DOS CAMPEÕES
Atraso de reforços afectou a campanha


Ivo Traça admitiu que  para a Liga dos Campeões, os reforços contratados chegaram à equipa sem grande forma desportiva,  aliada a isso, o plantel teve de fazer uma adaptação "em relação à filosofia do técnico Dragan Jovic, após a saída de Zoran Maki".
"Nós fomos buscar o Ary Papel, o Aquino e o Mabululu, jogadores vindos como reforços, eles também não fizeram a pré-época e era muito difícil com a mudança de treinador, a forma como  aborda a sua equipa é diferente da forma como o outro abordava,   tivemos de fazer um trabalho de adaptação em relação ao trabalho do professor Dragan", reconheceu.
O antigo médio admitiu, que abordaram mal a eliminatória diante dos congoleses,  em função dos golos sofridos no Estádio 11 de Novembro. 
"Nós começamos a perder a eliminatória com a equipa do Congo Brazzaville, aqui em casa,  administrativa e desportivamente, no campo. Sofremos dois golos que não devíamos,  e nós sabemos que quando se joga em África tudo pode acontecer:  não nos prevenimos em relação a isso", disse Ivo Traça  sobre um desafio em que ganharam por 4-2, em Luanda, e perderam,  por 2-0, no Congo Brazzaville.
O auxiliar de Dragan Jovic lembrou,  que apesar da situação negativa sentaram-se  à mesa mesma com a direcção do clube,  e encontraram formas de ultrapassá-la e concentrar todas às atenções na competição interna. 
"Mesmo depois da eliminação prematura,  tivemos cabeça, tivemos uma reunião urgente, entre a comissão técnica e a direcção do clube, na qual  criamos a estratégia de atacar o campeonato nacional e a Taça de Angola. O presidente sempre nos deu as melhores condições para trabalhar,  esse também foi um dos segredos. É verdade que faltaram algumas coisas,  mas aquilo que mais precisávamos nós tivemos", concluiu.
A falta da realização de uma pré-época e o facto de começar uma temporada logo a seguir à outra, sem descanso, esteve na base da eliminação prematura do 1º de Agosto,  na primeira eliminatória da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
A afirmação foi feita por Ivo Traça que abordou o tema com muita honestidade e franqueza,  sobre a desilusão que sofreram depois do brilharete na "champions" anterior, em que chegaram à inédita meias -finais e eliminados de forma inglória pelo Esperance de Tunis.
"Temos de ser honestos, nós comissão técnica, a direcção do clube e jogadores,  deixámo-nos levar pelos feitos que fizemos na competição africana anterior, e mesmo tendo ganho o campeonato da forma como ganhamos. Nós não preparamos bem o início da época,  porque começamos em cima da outra, não fizemos a pré-época", disse sobre a eliminação diante da formação do AS Otôho do Congo Brazzaville.

GOLOS SOFRIDOS
Massunguna garante consistência na defesa

A equipa do 1º de Agosto consentiu apenas três golos, em dois jogos, durante o Girabola Zap 2018/2019, com o defesa-central Dany Massunguna em campo, sendo um dos principais pilares do sector defensivo do conjunto tetracampeão nacional.
No total os militares viram as suas redes violadas em nove ocasiões, contando com o empate a três bolas diante do Desportivo da Huíla, referente a 17ª jornada, em que as duas equipas foram sancionadas com uma derrota e a consequente retirada de três pontos, por alegada falta da verdade desportiva.
Os nove golos foram apenas em quatro jogos, sendo o Sagrada Esperança da Lunda Norte, nas duas voltas (3-3) e (1-1), o Desportivo da Huíla (3-3) e Sporting de Cabinda (4-2), as equipas que conseguiram passar pelo guarda-redes Tony Cabaça.
Dany Massunguna falhou o primeiro desafio diante do conjunto diamantífero na 12ª jornada e frente aos huilanos na 17ª ronda, tendo marcado presença apenas nos restantes dois jogos.Dos habituais jogadores titulares, o capitão da equipa foi o único que viu menos vezes a 'violação' da baliza, sempre que esteve em campo, contrastando com os colegas Tony Cabaça (sofreu todos golos), Bobô, Paizo e Isaac. A dupla formada pelo capitão rubro negro e o congolês democrata, além dos outros atletas acima referidos, jogam há quatro épocas seguidas juntos e mostram um bom entrosamento, "de olhos fechados", tal como diz o técnico-adjunto Ivo Traça.
Além de defenderem, Dany Massunguna, Bobô e Paizo marcaram cada três golos, sendo um auto-golo de Paizo diante do Sagrada Esperança na segunda volta. Com isso, os defesas agostinos mostram que não se limitam em missões defensivas.