Jornal dos Desportos

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Futebol

Jorge Arajo encantado com equipa

Paulo Caculo - 24 de Fevereiro, 2013

Arajo quer ganhar visibilidade no 1 de Agosto para representar os Palancas Negras

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jorge Araújo está encantado com o seu novo clube. O jovem reforço do 1º de Agosto, formado nas escolas do FC Porto, afirmou ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que vestir a camisola da Selecção Nacional é o seu principal objectivo no primeiro ano de experiência no futebol angolano.
Aos 24 anos, o lateral acredita que chegou a hora de “dar o salto” na carreira. Confessa estar ansioso por começar a justificar as suas qualidades ao serviço da formação militar, equipa que lhe abriu às portas em Angola, após um percurso na Europa, com passagens pelo campeonato português e inglês.

“Penso que assinei pelo melhor clube de Angola. O meu principal objectivo é fazer uma boa carreira no 1º de Agosto, ajudar a equipa a conquistar o título do campeonato e ser convocado para a Selecção. As minhas exibições serão fundamentais para o meu desafio de jogar nos Palancas”, reconheceu Jorge Araújo, que garante estar seguro de que a jogar em Angola ganha maior visibilidade para ser convocado. “Fui muito bem recebido e já estava à espera disso. Tive a sorte de encontrar um bom grupo e um excelente plantel. Sempre tive o desejo de jogar em Angola, mas primeiro precisei de conversar com algumas pessoas que já conheciam a realidade do nosso futebol. Pedi informações ao Nuno Martins e ao Gil Gomes, e garantiram que jogando cá teria mais possibilidades de ser visto e convocado para a Selecção”, sublinhou.

EXPERIÊNCIA
O lateral recorda com satisfação a primeira chamada aos Palancas Negras, em 2008, com o técnico Lito Vidigal. Nessa altura, confessa, surgiu-lhe a primeira ideia de abraçar a carreira em Angola, porque “fiquei a saber que o nosso campeonato está muito evoluído, forte e jogando cá teria muito mais visibilidade para voos maiores”, sublinhou. Jorge Araújo valoriza, por isso, a presença num dos clubes do Girabola que empresta habitualmente jogadores aos Palancas Negras. Acredita que pode materializar o sonho de vestir as cores da selecção nas próximas convocatórias. “Vou empenhar-me ao máximo e mostrar muito trabalho”, garante o atleta. No entanto, reconhece que a última palavra pertence ao seleccionador Gustavo Ferrín.

“Acho que fiz uma boa pré época. Estive em todos os jogos da equipa. Mas devo salientar que já vinha de uma pré-época em Portugal e, praticamente, fiz duas pré-épocas. Penso que foi muito boa a preparação, embora curta, mas muito objectiva. Tenho a dizer que tive sorte e consegui enquadrar-me no grupo muito rapidamente”.


OBJECTIVO
“Quero ser campeão”


O novo reforço dos militares não se cansa de repetir o desejo de ser campeão, na mesma dimensão que aborda o sonho de jogar nos Palancas Negras. O lateral proveniente do Portsmouth, da segunda liga inglesa, acredita que pode ajudar este ano o 1º de Agosto a quebrar o longo jejum no Girabola, cujo título foge há mais de seis épocas. “Quando cheguei aqui, fiquei a saber que a equipa não ganha o título há uns bons anos. Espero poder ajudar o grupo a ser campeão. Vim com esta mentalidade. Sei que as exigências são maiores, mas estou de corpo e alma para ser campeão”, confessa o jogador, justificando haver condições no clube para isso acontecer.

“Temos um bom plantel e uma boa organização para fazermos um bom campeonato. Só trabalhando é que se pode pensar numa perspectiva maior em relação ao que pretendemos no final da época. A título pessoal, espero também conservar a titularidade. Acredito que não é fácil, porque o plantel tem muitos bons valores, é dotado de jogadores de qualidade e todos querem jogar. Mas não vim para ficar no banco”, afirma Jorge Araújo, jovem que deixou Angola aos 11 anos.
PC


CONSTATAÇÃO

“É uma honra vestir esta camisola”


O jogador do 1º de Agosto tem já as primeiras impressões sobre os níveis do futebol praticado no seu país. Jorge Araújo considera haver, naturalmente, algumas diferenças entre o praticado na Europa. E sublinha o “permanente contacto físico” como sendo uma das realidades não encontradas no campeonato europeu. “O futebol angolano é diferente. Aqui joga-se mais pelo físico, mas, graças a Deus, a minha condição física facilita a adaptação. Não vejo muitas dificuldades, apenas existem algumas diferenças. Na Europa o futebol é jogado mais à base da técnica”, assegura Jorge Araújo. 

O lateral garante nunca ter descartado a opção de jogar em Angola e “quanto mais num grande clube” da dimensão do 1º de Agosto. Em face disso, considera ser “uma honra e orgulho” vestir a camisola do 1º de Agosto. “Sinto-me bem e feliz pela opção que fiz. Pretendo atingir os objectivos pessoais no clube e convencer o seleccionador. Acho que chegou a altura certa de dar o salto. Muita gente que joga na Europa pensa que vir para o futebol angolano é uma desvantagem. Não acho isso. Considero uma mais-valia para a minha carreira. Acho que jogar aqui é uma boa opção”, afirmou.

Jorge Araújo garante que ainda sonha com o regresso ao futebol inglês, já que é o campeonato onde sempre gostou de jogar, embora nunca tivesse conseguido a grande visibilidade que gostaria de ter. “É minha intenção fazer um bom campeonato cá, jogar na Selecção. O meu sonho é poder voltar para a Inglaterra, porque foi lá que senti mais emoção e prazer de jogar futebol”.
PC


AFROTAÇAS
Liga dos Campeões
é “uma boa montra”


O facto de o 1º de Agosto estar nas competições africanas, na óptica de Jorge Araújo, serve de motivo para continuar a acreditar numa carreira brilhante. O lateral direito enaltece a presença da equipa militar na eliminatória de acesso a fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos. “A competição africana é também uma boa montra. Abre-nos algumas portas e estou feliz por estar num clube que disputa essa prova. Os jogos internacionais são mais difíceis e isso ajuda a por à prova qualquer equipa”, reafirmou. “Sempre sonhei estar na Selecção e espero um dia concretizar este meu sonho de criança. Depois de atingir ao escalão de sénior carrego este desejo comigo.

As coisas não são sempre como esperamos, mas tenho fé e acredito que, com muito trabalho e enorme dedicação, terei a sorte de ser convocado”, garante o futebolista, que espera jogar o CHAN em África e o Mundial de 2014 no Brasil. “A minha passagem pelo FC Porto foi muito importante, porque foi lá que comecei a minha base e evolui em algumas características que não se encontram muito em África. Acho que evolui muito e se não tivesse passado por uma escola como a do Porto, se calhar teria muitas debilidades hoje”, acrescenta.
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