Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Juventude com muito talento d esperanas ao Desportivo

ARO MARTINS, no Lubango - 26 de Novembro, 2017

A misso da equipa era a permanncia do conjunto no Girabola

Fotografia: CONTREIRAS PIPA / Edies Novembro

O Desportivo da Huíla que ocupou, na tabela classificativa geral do Girabola Zap 2017, a 8ª posição, com 41 pontos, pode ser uma equipa mais competitiva e renovada na próxima época se a direcção apostar na manutenção e renovação dos contratos dos jogadores.
Esta posição é defendida pelo treinador da equipa, Mário Soares. Segundo o mesmo, caso a base permaneça, em função da qualidade do plantel criado na segunda volta, constituído, maioritariamente por jogadores jovens, podem proporcionar surpresa no campeonato de 2018.
O treinador olhou para atrás e considera que a equipa que orientou teve um balanço positivo no Girabola ZAP. "Eu creio que fizemos um campeonato dentro das perspectivas, em função daquilo que foi a exigência da direcção do Clube", disse.
"Quando chegamos ao comando da equipa, assumimos o compromisso de a levarmos a bom porto, passava pela permanência do conjunto na primeira divisão. Conseguimos esse desiderato e com o acrescimento de uma atracagem muito segura, e com um sentimento do dever cumprido porque em 2018, nós teremos Girabola no Lubango", sublinhou.
 Para quem traçou como meta a permanência e ocupou o 8º lugar com 41 pontos, certamente usou uma estratégia positiva, mas, ainda assim o treinador, reconhece algumas falhas.
"Daquilo que foi o compromisso interno, falando nós equipa técnica e atletas, ficámos a quem dos nossos objectivos porque tínhamos como perspectiva, o 6º lugar. Ficamos com o sentimento de que podíamos fazer um pouco mais".
"Mas também devo dizer que, para conseguir esse desiderato, fruto do trabalho árduo, e partindo do principio de que o hoje deve ser sempre melhor que ontem e o amanhã melhor que hoje, vamos continuar a crescer e a trabalhar mais e melhor para que consigamos superar as nossas dificuldades e fazermos das nossas fraquezas um motivo forte para podermos trabalhar. Creio que foi por ali que fomos trilhando caminho que nos levou ao sucesso, principalmente na segunda volta, mas também tenho o segredo grande que foi o balneário" acrescentou.
"Nós treinadores dificilmente gozamos ferias na sua plenitude. Estamos sempre a trabalhar. Mas também tenho que ter a consciência de que, aquilo que foi a nossa exposição no Girabola 2017, a equipa está na montra alta e isso tem custos. Nós como equipa modesta, de certeza que não temos condições para prender, principalmente aqueles jogadores fortes e de maior valia do nosso colectivo. Temos que estar preparados para isso e assim, perspectivar uma época nova, receber novos atletas e formar uma nova equipa e fazermos um Girabola dentro da nossa realidade", disse.
 Bastante optimista, Mário Soares olha já para o próximo ano e defende que "se não mexermos na estrutura base do plantel que realizou a segunda volta do Girbola 2017, creio que o Desportivo da Huíla, sem medo de errar, estará em condições de lutar para ocupar um dos lugares acima do meio da tabela classificativa. Vamos melhorar a actual classificação. O Clube, apesar da sua responsabilidade ser melhor, teremos a oportunidade de introduzir novos elementos naquilo que é a nossa forma de estar, e podemos surpreender muitos adversários".


BALNEÁRIO   
União e inter-ajuda reforçou o grupo


"Tivemos um balneário bastante blindado. Conseguimos resolver internamente os nossos problemas conseguimos cumprir com o apanágio popular de que a roupa suja lava-se em casa. É o que nós cumprimos. Não fizemos sair nada daquilo que foram as nossas dificuldades, internamente conseguimos superar".
Estas são palavras de Mário Soares quando falava ao Jornal dos Desportos sobre o balneário da sua equipa, sobre a qual ainda acrescentou que " fizemos uma família unida em que o princípio era um por todos e todos por um, onde cada um vivia o problema do outro e procurava-se sempre superar e tentar resolver a ajudar este ou aquele que tivesse um problema. A união do balneário deu-nos muita força".
 No princípio do campeonato o Desportivo da Huíla pareceu muito forte e chegou a ocupar um dos lugares cimeiros. Mas depois baixou. "Em momento algum andei preocupado.
Em algumas entrevistas minhas aos órgãos de comunicação social eu tivera dito que o Desportivo era uma formação em crescimento e tal ganho seria conseguido ao longo da competição, fruto da sangria que tivemos, comparativamente ao plantel de 2016, que perdemos por volta de 6 jogadores que eram titulares e experientes, como Dani Traça, Tchitchi, Kumaka, Elísio, Cassinda e Nandinho. Nós sabíamos da importância que esses jogadores tinham no plantel e era preciso fazer sacrifício em 2017", esclareceu Mário Soares.
"Sabíamos que em função do novo plantel, seriamos uma equipa em crescimento, dentro da competição e se tivermos em conta a turbulência que tivemos na nossa preparação para esta equipa. Mas mesmo assim, foi positiva a nossa participação", enalteceu.


POLÉMICA
Job “tirou sono” a Mário Soares


O Desportivo da Huíla viveu um caso caricato que envolveu  Job, jogador Petro de Luanda. Nesse desafio ganho pelos Militares da Região Sul, por 2-0, lembra Mário Soares " Eu sabia do porquê que eu estava a fazer aquilo. Sabíamos que era um jogo difícil. Do outro lado tinha o Petro que tinha como foco principal lutar para a conquista do título e do nosso, a permanência. Nessa partida, tinha que usar todas artimanhas possível para ganharmos o jogo e fruto do conhecimento que tinha de cada jogador, levantei uma pequena complicação ao Job".
"As complicações que tive com o Job não foram por acaso. É fruto do conhecimento que tinha do atleta e da diferença que faz em campo. Em casa, sabíamos do jogador que podia correr mais e menos. O Job faz a diferença no Petro", recordou o treinador, sublinhando ainda que " foi algo premeditado para alterar o actuar do Job".
"Eu tenho um apresso muito grande pelo Job e ele sabe. Fiquei admirado e surpreendeu-me negativamente como o Job reagiu. Já esperava  isso. O Job sabe do carinho e da admiração que tenho por ele. Sempre reconheci o Job como o melhor ala do nosso Girabola e agora mais com a idade, aliado ao toque mágico do treinador Beto Bianchi, ele cresceu muito mais e se transformou num jogador que actua pelo colectivo. Acaba por ser um jogador muito mais perigoso do que era antes, dada a sua imprevisibilidade", lamentou Mário Soares.
O treinador admite que " ainda hoje fico com o sentimento do dever cumprido naquele momento. Envergonhado porque não devia fazer o que fiz, mas com o sentimento do dever cumprido porque tinha que usar as armas todas para ganhar a partida e poder garantir a nossa permanência no Girbaola. Numa pequena falta cometida pelo meu jogador, Job deveria reflectir muito mais e acreditar no que eu lhe disse. Que foi premeditado foi".
" Tudo que eu disse ao Job foi completamente enganador, porque o Job caiu na minha armadilha. Mas desejar sempre tudo de bom na carreira de Job e que continue a ser o que ele é e um dia que nos encontrarmos o abraço não vai faltar porque hoje ele já deve compreender e entender o que fiz. E se assim for, deve ser mais uma lição ou aula que mais ninguém poderá fazer aquilo que eu fiz".


TODA ÉPOCA
Militares trabalharam
de mangas arregaçadas


Os militares da Região Sul como também é conhecido o Desportivo da Huíla, realizou, praticamente, a sua pré época quando o Girabola ZAP já estava em curso e, tal situação, terá contribuído para a prestação razoável que tece.
"As oscilações nos resultados deveu-se a pré época que fizemos menos boa e a muita juventude que tínhamos no plantel. Mas tínhamos confiança naquilo que nós íamos fazendo. Tínhamos como compromisso, emprestar todo nosso saber em prol dessa agremiação e fazer crescer a rapaziada que tínhamos no plantel", explicou.
 Quanto aos jogadores jovens que a equipa apresentou, Mário Soares elucidou que "eles primeiro tinham que acreditar em si mesmo, tínhamos que cada vez mais potenciar as qualidades psico-motoras dos atletas e quando esse pressuposto foi se co-penetrando nos atletas, eles de forma natural foram cumprindo com as suas acções e demonstrar o perfume do seu futebol de forma natural e o colectivo teve benefícios com isso".
Na segunda volta a equipa deu a ver um plantel renovado com a entrada de novos jogadores. À pergunta se isto o orgulhou, retorquiu:"Tivemos uma primeira volta que nos deu alguns indicadores. Esses indicadores, na reabertura do mercado melhoramos a nossa estrutura do trabalhão que íamos fazendo, com a entrada de um guarda-redes jovem e de dois jogadores provenientes dos juniores que haviam de dar os primeiros passos no Girabola",
"Nós conhecíamos do seu potencial e faltava apenas a experiência. Refiro-me do guarda-redes Kisse, do jogador Bruno Manuel e Nandinho. Creio que acabaram por ser a mais-valia que nós pretendíamos", disse.
Nesse mesmo período, a equipa perdeu o guarda-redes Nuno, que era titular para o 1º de Agosto, e foi substituído por um jovem." Ainda assim, estávamos com um défice na posição 6 e ao longo dos jogos fomos adaptando por outro central, que era o Elias, e com a vinda do Bruno Manuel, conseguimos estabilizar esta posição", esclareceu o técnico.
 O médio Mavambo cedido pelo Petro de Luanda ao Desportivo da Huíla mereceu uma apreciação do treinador terminado que está o campeonato."O Mavambo era o jogador espontâneo que nós precisávamos. Com a sua saída para o Santa Rita da Cassia do Uíge, fomos buscar o Nandinho. Conseguimos o ganho em função da sequência do que se fez na primeira volta", avaliou.
 Falando ainda sobre a segunda volta e sobre a crença depositada à sua rapaziada, Mário Soares deu a conhecer que "tivemos que trabalhar muito o aspecto psicológico dos garotos, porque muito deles foram os primeiros passos no Girabola, outros que já tiveram a mais tempo foram menos utilizados ou tiveram e a nossa missão e eu particularmente, como líder dessa equipa técnica, foi trabalhar na mentalidade dos trabalhadores e os jogadores acreditaram e foi isso que permitiu termos sucesso na segunda volta".
 "Reconhecemos que tivemos alguma debilidade naquilo que era o valor individual e só podíamos ser forte se conseguíssemos , dentro do plantel formar uma equipa, não de 11 jogadores, mas de 30 jogadores que compunham o conjunto militar da Região sul. Cada um que fosse chamado para substituir por um ou outro, cada um desempenhou bem o seu papel e a equipa não oscilava e assim, colhemos os frutos que tivemos na segunda volta", acrescento.                                                                


TÍTULO
Ser campeão nacional
exige várias condições


"Tenho que ter os pés bem assentes no chão de que, para ganhar um campeonato, é preciso ter uma estrutura administrativa, técnica, financeira, atlética e infra-estrutura boa", respondeu Mário Soares sobre se um dia pensa ganhar o Girabola à frente de uma equipa.
Para o técnico " há muitos factores que concorrem, para no final sermos campeões de uma determinada prova. Dai, não posso estar a garantir o título. Para poder pensar no título, tenho, antes de pensar na estrutura que recebe o plantel".
A Mário Soares questionado dual vai ser a exigência a efectuar à direcção do Desportivo para melhoria da classificação no próximo ano, tendo o mesmo respondido que "tenho que ter em conta as possibilidades do Desportivo da Huíla. Já estou na segunda passagem no CDH e sei bem dos meandros desta agremiação".
 "Mas vou pedir que se reforce o plantel. A principal solicitação seria o facto de não deixar sair nenhum atleta da espinha dorsal da equipa, mormente alguns por opção foram menos utilizados teremos de dispensa-los, porque há perspectiva de emagrecermos o plantel", revelou finalmente o treinador.
 " Para melhorar o oitavo lugar  sei que vai ser difícil, mas mesmo assim, peço a direcção para reforçar o grupo, sem deixar sair os jogadores que constituíram a espinha dorsal do plantel", acrescentou.
O Desportivo da Huíla já representou o País na Taça da Confederação em 2013 e poderá um dia voltar a ser o embaixador angolano na prova. Isso não foi por acaso. Naquela época foi algo bem planificado, tenho dito sempre que, e a mensagem que passo sempre de que, se quisermos ter um titulo nacional, a via mais próxima de conseguir tal feito é através da Taça de Angola", aconselhou.
"Creio que direcção, com melhores condições financeiras,  se assim fosse, este ano teríamos participado na Taça de Angola e por essa via, conforme fomos nas provas africanas, lá teríamos chegado", concluiu.