Jornal dos Desportos

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Futebol

Kaporal pode estar na mira do 1º de Agosto

JÚLIO GAIANO - Lobito - 13 de Novembro, 2017

Kaporal (à esquerda)confirma que vários clubes estão interessados nos seus préstimos para a próxima época

Fotografia: Jornal dos Desportos

Kaporal, terceiro melhor marcador do Girabola ZAP com onze (11) golos,  o mesmo número do segundo classificado (Rambé, do 1º de Agosto), disse durante uma entrevista ao Jornal dos Desportos, que não é oficial alguma aproximação à equipa do 1º de Agosto, mas há interesses de alguns clubes".
" Não é bem assim. Há alguns clubes que estão a negociar com a direcção do clube, a minha transferência. Não posso referir os nomes desses clubes, pelo facto de nada estar definido", disse o jovem dianteiro.
O jogador diz que não tem pressa, em relação ao seu destino imediato, pois, são por demais esclarecedoras as suas palavras. " Espero que até antes do fim de Dezembro as coisas fiquem aclaradas, e o público saberá. Por enquanto, é segredo. Segredo que só vai ser desvendado quando as partes envolvidas no processo selarem em papel, o acordo definitivo".
O avançado também respondeu, à propósito das especulações sobre um pretenso interesse do 1º de Agosto pelos seus serviços na próxima temporada, sem citar clubes afirmou, que o processo de negociação está a ser liderado unicamente pela direcção do 1º de Maio de Benguela, sem que haja mais alguém a agencia-lo.
" Infelizmente, o 1º de Maio está só neste processo. O facto de ser oriundo de uma equipa de bairro, e sem afirmação na alta competição, fica difícil arrumar alguém que possa velar pela minha carreira futebolística. Acredito, que nos próximos tempos o quadro mude, até porque existe alguém que se prontificou a velar pelos meus serviços", esclareceu.
Kaporal explicou, no entanto, que está a estudar a proposta, sublinhou depois, " não quero precipitar-me, preciso de mais tempo para assentar as ideias,  ouvir mais, e inteirar-me dos meandros do processo. Logo que poder, vamos selar o acordo, para sairmos todos a ganhar".
" É um processo que não depende somente de mim, mas de um conjunto de factores em que os interesses das partes envolvidas são sempre postos na mesa das negociações. O clube em que estamos vinculados, o agente e a entidade interessada pelo nosso serviço, têm sempre uma palavra a dizer. Por isso, acho prematuro falar de coisas que ainda não existem. Mas  uma coisa é certa: os próximos tempos serão determinantes para a minha carreira de futebolista", acrescentou o jogador.
    
Sem contrato

Kaporal, apesar das qualidades que exibe, e por tudo quanto deu a ver ao longo da época, esteve ao serviço dos proletários sem contrato algum. Esteve à experiência, marcou onze golos e é o terceiro melhor marcador do Girabola ZAP.
" Não assinei contrato algum, com a direcção do 1º de Maio de Benguela, pelo facto de vir de uma competição de recreação (Gira - bairro). A minha inserção no clube serviu para exibir o meu potencial, na mais alta-roda do futebol nacional", revelou.
"Felizmente consegui,  agora como é lógico, caberá à direcção do clube achar-se no direito de tirar proveito do investimento que fez sobre a pessoa, que sou hoje nas lides do futebol nacional", acrescentou de forma radiante.
 O facto de não beneficiar de um contrato, pode porém deduzir a ideia de que a qualquer momento Kaporal possa sair para um outro clube, sem precisar de cumprir com as formalidades administrativas.
O jogador, sobre isto, reafirma que não é bem assim. E, depois justifica, "Quando cheguei eu era um ilustre desconhecido. Não tinha projecção. Ainda assim, fui integrado no plantel. Saí da sombra, e aqui estou", disse.
Interrogado se esta não é uma posição de mero amadorista, em vez de profissional, Kaporal foi peremptório. "Por uma questão de princípios e de ética, não faz sentido ignorar este pormenor, que julgo ser de grande simbolismo para mim, e para aqueles que me apoiaram”, rereconheceu o jovem atacante.
Esta posição não significapara o jogadoralgum conformismo.
“Claro, que ambiciono ir mais além, e se poder, atingir o estrelato aí onde me sentir bem e melhor, para desenvolver o meu trabalho" ,justificou.

INCUMPRIMENTOS
Atleta proletário reclama salários em atraso


O 1º de Maio de Benguela continua a viver momentos de grande e grave crise financeira. Há contratos por honrar, salários por pagar. Apesar deste dilema, Kaporal é um dos jogadores que mantém a crença na resolução de tais impasses.
"O clube, nesses últimos anos, está a passar  por necessidades financeiras graves. O campeonato terminou, os apoios prometidos tardam a chegar. A direcção está a envidar esforços, no sentido de saldar as dívidas referentes a salários e prémios de jogos. Não está fácil, entendemos esta parte", disse.
" Há garantias de que vão pagar o que nos devem, não sabemos quando. Espero que não seja tarde de mais. Vêm aí as festas das quadras festivas. Sem dinheiro fica difícil. É disso que os dirigentes proletários procuram evitar", augurou de forma esperançosa o jogador.
Chamado a ser mais elucidativo, Kaporal, mesmo assim, preferiu não especificar  meses de salários em falta." A direcção do clube sabe quantos deve aos jogadores, técnicos e demais funcionários. Não sou a pessoa indicada para falar de números".
"O meu capitão (Márcio Luvambo), talvez seja a pessoa indicada para o fazer. Aliás, revelar ou não,  é o que menos interessa. Importa que os apoios prometidos à direcção surjam, para  facilitar as coisas. O resto, não passa de barulho que só atrapalha o processo, que deve ser célere". ajuntou.

PALANCAS NEGRAS
Jogador experimentou pré-selecção nacional

Por ter dado nas vistas durante a época, Kaporal despertou a atenção, não só dos adeptos e dirigentes, mas, particularmente, de alguns treinadores. Por esta razão, Beto Bianchi convocou-o para a Pré-Selecção Nacional, onde, no entanto, não ficou.
" Se calhar faltou experiencia. Só sei que trabalhei no duro para ficar entre os eleitos, infelizmente, não aconteceu. O técnico Beto Bianchi julgou que não era a pessoa para aquele lugar, por isso, mandou-me de volta ao país".
O avançado, não decepcionou, porque o treinador é soberano. " Entendi a sua posição. Não me desanimei, pelo contrário, continuei a trabalhar e acreditar no meu potencial. Foi uma experiencia boa para mim que vinha de uma equipa pequena e que lutava para não baixar de divisão", disse.
Pela frente ainda restam oportunidades e uma d elas e mostrar trabalho, como é o caso de sonhar representar o País no CHAN. " Desta vez, as coisas vão ser diferentes. Sei o que é fazer parte dos pré-seleccionados. Percebi que só talento não basta. O trabalho psicológico deve ser bem aprimorado para se impor naquele grupo de trabalho", considerou.
"Estou melhor preparado e disposto para servir o meu país com brio e tenacidade. Afinal, é uma honra voltar a merecer a confiança do técnico Beto Bianchi para representar a nação. Por isso, prometo não decepcionar", prometeu o avançado.