Jornal dos Desportos

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Futebol

Kaporal quer melhorias no desporto

Jlio Gaiano, em Benguela - 12 de Novembro, 2017

Camisola 3 dos proletrios diz que Namibe tem jovens com qualidades futebolsticas

Fotografia: Kindala Manuel

O atacante do Estrela 1º de Maio de Benguela, João Menha “Kaporal”, terceiro melhor marcador do Girabola Zap 2017 com 11 golos, os mesmos que Rambé (1º de Agosto) e menos cinco que Tiago Azulão (vencedor/Petro de Luanda), considerou preocupante o estado em que se encontra o desporto de alto rendimento na província do Namibe, particularmente o futebol, pelo que solicitou a intervenção da classe empresarial para investir de forma a resgatar da letargia em que se encontro. De acordo com o atacante proletário, a província do Namibe tem muito bons jogadores, que precisam de oportunidade para se singrarem no futebol de alto rendimento. O futebol de salão e o Girabairro servem de escape aos jovens talentos, de exibirem os seus dotes futebolísticos, daí, a necessidade de se inverter o quadro que se afigura penoso. 
“O governo local aposta pouco na dinamização do desporto. Não duvidamos que existam prioridades, que não são poucas. Todavia, não esqueçam que o desporto movimenta multidões, dá vida à cidade. A província fica mais conhecida e os governantes e a população. Sem desporto a cidade fica morta, é isto que se passa no Namibe”, precisou.
No entender de Kaporal, atribuir culpas aos empresários locais pela decadência desportiva na província, é de todo pecaminoso, pelo facto de estarem, na sua maioria, descapitalizados financeiramente. Por isso, pouco ou nada podem fazer, diante da situação que lhes é posta a enfrentar. Defende que seja o Estado a criar condições objectivas e subjectivas, para potenciar os clubes, os núcleos e as escolas da província.
“Há muitos empresários no país, que beneficiaram de apoio financeiro do Estado e que estão confinados, na sua maioria, na cidade capital. Julgo que por uma questão de coerência, cabe ao Estado definir políticas que ‘obriguem’ esses empresários a estenderem os seus investimentos nas outras províncias distantes de Luanda, por exemplo como a do Namibe. De outra forma, torna-se muito difícil, a província voltar a ter uma equipa na primeira divisão”, sublinhou.


CONSTATAÇÃO
“Futebol namibense
está moribundo”


A província do Namibe já foi considerada como referência no futebol nacional, superada apenas por Luanda, Benguela, Huambo e Huíla. Produziu muito bons jogadores, que despontaram nos diferentes clubes do país. O Grupo Desportivo Santa Rita de Moçâmedes, foi o primeiro representante da província, no Girabola em 1979.
O Independente do Tômbwa e o Atlético Desportivo da Sonangol do Namibe, foram os últimos “inquilinos” da região, na maior prova do futebol nacional.
Contudo, a falta de incentivos da parte das entidades competentes na província, tem adiado o regresso substancial de uma equipa à fina-flor do futebol nacional, soube o Jornal dos Desportos, do atleta do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, João Menha “Kaporal”, terceiro melhor marcador do Girabola Zap 2017.  
“O Namibe está literalmente parado, em termo de futebol federado. O governo provincial alega não ter dinheiro, investe nas outras actividades de pouca monta, como os concursos de beldades (misses), relega o desporto para segundo plano. Esta é a realidade crua e nua, que a sociedade namibense deve corrigir com urgência, antes que seja tarde”, apelou Kaporal.
João Menha “Kaporal”, umas das revelações do último Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, que consagrou o 1º de Agosto como bicampeão, marcou 11 golos e ficou atrás de Rambé (1º de Agosto) com o mesmo número de tentos, e  menos cinco que Tiago Azulão (Petro de Luanda) vencedor dos artilheiros da competição.                              

CONCORRÊNCIA
Goleador respeita
Yano do Progresso

Yano, do Progresso do Sambizanga, é o jogador que na pré-selecção nacional, mais sombra vez a Kaporal. Interrogado, no bom sentido, se este o "assusta", o terceiro melhor marcador do Girabola ZAP recordou que a crença nas suas qualidades vem de longa.
" Fui ensinado, desde criança, que para se ganhar na vida, primeiro, é preciso acreditar-se em si e confiar no seu potencial; não baixar a cabeça e encarar as adversidades com a naturalidade que se lhe impõem. Em segundo, nunca, mas nunca mesmo, dar-se por vencido antes da contenda. Enquanto existirem forças nada é impossível. É com esta determinação e espírito de luta que vou apresentar-me na Selecção Nacional", lembrou.
Yano, explicou o entrevistado " é um bom jogador, gosto da sua forma de jogar. O problema não é se me assusta ou deixa de me assustar. Sou um jogador que também sabe jogar a bola e que conquistou o seu espaço no panorama futebolístico do país".
"O que é importante é mostrar serviço e convencer o técnico que somos capazes de servir o país da melhor maneira possível, como por exemplo, cumprir o dever de um atacante que passa, necessariamente, por fazer golos. Nesta posição, o essencial não é só jogar bem, mas facturar, sob pena de sermos preteridos", alertou.
 Não sendo egoista, Kaporal destaca outros colegas do 1º de Maio. Um deles é o guarda-redes Rui. " Se for bem acompanhado pode fazer uma boa figura na Selecção Nacional. Foi com ele que a equipa ganhou estabilidade no sector defensivo", revelou, para depois acrescentar que "ele ajudou a manter na primeira divisão, apesar da idade que tem (19 anos)".
"Espero que tenha sorte e lhe seja dada a oportunidade para constar no leque dos seleccionados para o CHAN. É um jovem com muito talento e qualidade para chegar, ver e vencer" augurou.