Jornal dos Desportos

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Futebol

La Liga quer expandir projecto

Manuel Neto - 29 de Janeiro, 2018

Edmundo Endje aponta novas balizas para a cooperação entre a La Liga e as estruturas que dirigem o futebol angolano

Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

O representante da La Liga para África, Edmundo Endje, disse em entrevista ao Jornal dos Desportos  que a expansão internacional do projecto do campeonato de Espanha reveste-se de capital importância para todos os países africanos, com realce para Angola.\"É um novo projecto que abarca oito oficinas distribuídas por vários países africanos, concretamente,  Marrocos, Costa do Marfim, Nigéria, Camarões, Quénia, Tanzânia, África do Sul e Angola\", revelou.
O nosso interlocutor sublinhou que \"a nossa estratégia nesta primeira fase  visa explorar os níveis desportivos, económicos e outros, que o país oferece para uma melhor aplicação do projecto que se pretende para o bem do desenvolvimento angolano\", explicou. O dirigente afirmou que o futebol nos dias de hoje  é um grande negócio e como tal, deve ser sustentado de forma a atrair investimentos e trazer valências para Angola.
\"Estamos a encetar contactos com as federações e outros parceiros, no sentido de avaliarmos como trazer valências para o país. Ou seja, este projecto pode ser uma plataforma para os angolanos serem vistos no mundo, na arena desportiva, particularmente, no futebol\", destacou.Endje disse estar vislumbrado com o talento dos atletas angolanos, apela à  maior atenção na formação.\"Pelo pouco que pude ver, conclui-se que em África, particularmente em Angola, existem muitos talentos\", precisou. \"Acompanho de perto alguns jogos dos escalões jovens, e assisti igualmente à final da Taça de Angola, entre o Petro e o 1º de Agosto. Confesso que fiquei emocionado. A breve trecho, penso acompanhar também os jogos de andebol e basquetebol\", anunciou. Reconheceu que o atleta africano é por natureza bem dotado tecnicamente, bem acompanhados podem jogar ao nível dos melhores. Defendeu a necessidade de mais investimentos nos escalões de formação.
\"Devo dizer que o africano, por natureza, tem magia a jogar futebol. Mas sendo o futebol uma modalidade colectiva, é essencial que se delapidem os talentos que surjam, dar-lhes os apoios necessários para o seu melhor aproveitamento\", aconselhou.

DESAFIO
“Vamos apoiar em conhecimentos”


Edmundo Endje adiantou que a instituição que representa  organizou eventos, em vários países da Ásia e de África, concretamente, Japão, Indonésia, Coreia e Índia. Confessou que ficou encantado com a paixão demonstrada pelos angolanos.
\"Foi um evento que realizamos na Baía de Luanda, com o acompanhamento em tela gigante, do jogo entre Real Madrid e Barcelona. A forma efusiva como a juventude presente festejava um drible, era parecida com o festejo de um golo. Nunca tinha visto isto em Espanha, ou em outro lado\", recordou. O equato -guineense disse  que o projecto que a La Liga pretende implementar se for bem aproveitado, pode trazer muitos ganhos em termos de recursos para gerar receitas.
\"Não vamos apoiar com valores monetários, mas com os nossos conhecimentos, em prol da formação de talentos, assessorias em infra-estruturas, formação de treinadores e até mesmo gestores\", avançou.
\"Um país com bons treinadores e bons gestores, facilmente desenvolve as suas políticas desportivas e deste modo, surgem talentos que podem elevar o nome de Angola\", destacou e aconselhou a abraçarem a iniciativa de outros países. \"O exemplo mais recente, é o do camaronês Samuel Eto\'o, que numa parceria com o Barcelona fez projectos que beneficiaram o seu país nas mais variadas vertentes sociais, lançou muitos jovens para o mundo desportivo\", acentuou.O nosso interlocutor prometeu, igualmente, apoiar o Girabola de forma a ser mais sustentável e competitivo.

Contas
Empresários de Cabinda querem “gestão aberta”


Os empresários de Cabinda estão cépticos em apoiar o Sporting de Cabinda, alegando a falta de transparência de uma gestão aberta e clara da actual direcção dos leões do Norte. Para eles, a direcção deve apresentar com clareza o seu orçamento que contêm receitas e despesas para o presente Girabola-Zap.
O empresário João Neves disse que antes de partir para um apoio financeiro quer saber, em primeiro lugar, do orçamento da época do Sporting de Cabinda, das despesas dos jogos em casa e fora, dos apoios do governo da Chevron e o que falta para apoiar.
"O governo não pode seleccionar apenas o Sporting para apoiar, deve elaborar um programa de ajuda solidária com inserção de dois projectos, porque muita  gente que não se revê no futebol e no Sporting de Cabinda, por isso não é justo, estarmos a pedir toda gente a apoiar este clube", disse, acrescentando que deve existir dois projectos onde as pessoas vão optar em que modalidade apoiar.
"O futebol sendo um desporto de dimensão nacional, as empresas locais que contribuírem acima de um milhão deve beneficiar de taxas fiscais junto da administração geral tributaria. Temos que saber como temos que controlar esta verba porque eh de todos os empresários e com o rigor em gerir esta verba", desabafou.Para o empresário Mendes Mesquita, sendo um clube de futebol obriga-se a ter um director oficial de contas para a gerência dos fundos a serem alocados sejam bem contabilizados. Referiu que nenhum ser humano vai meter-se num caixão, sabendo que, o caixão vai para o buraco."´É complicado tirar do nosso sacrifício que já eh menor e quase nada se vende, porque não há dinheiro nas mãos dos clientes. Os homens que estão a frente do Sporting devem ser sérios. Não tem problema em ajudar o clube e estou confiante que as empresas vão apoiar, mas, esperamos que haja realismo na gestão das contas", concluiu.
          JOAQUIM SUAMI, em Cabinda

SPORTING DE CABINDA
Leões do Norte podem desistir


O Sporting de Cabinda, único representante da província mais ao Norte do país no Girabola, pode desistir de competir na edição deste ano, que arranca a 10 de Fevereiro, por falta de apoios financeiros para suportar os encargos da competição.
O governador Eugénio Laborinho que avançou a informação, na última quarta-feira, durante o encontro que manteve, na sede das secretarias, com os empresários ligados aos ramos da indústria, comércio, construção civil, obras públicas, medicamentos e prestação de serviços, exortou a necessidade de todos os cabindenses de apoiarem o Sporting de Cabinda para competir no Girabola."O Sporting de Cabinda quer desistir de competir no Girabola. A direcção remeteu um documento a informar que o clube não esta em condições de disputar o campeonato", disse o governador.O dirigente afirmou que, tirando o seu patrocinador oficial, a Chevron, a empresa chinesa, Zambiami, e uma outra da China que estão a apoiar a equipa, enquanto as locais, estão a ajudar com 20 a 30 mil kwanzas.
"A Chevron que antes apoiava com um milhão, esta agora, a dar 500 mil dólares, e vamos pedir a direcção desta empresa para aumentarem o valor. A empresa Zambiami apoiou com três milhões de kwanzas e a outra chinesa ajudou com 500 mil, agora, as empresas locais estão a dar 20 a 30 mil kwanzas o que e ínfimo", disse.
"Queremos alegria porque o desporto e festa. Vamos unir todos para ajudarmos este clube local", acrescentou o governante, referindo, a seguir, que nos encontros anteriores que manteve com os empresários e com a direcção do Sporting de Cabinda, esclareceu ser adepto do Benfica de Portugal e do Real Madrid, em Angola, é do 1 de Agosto e do Interclube, por ter passado nas FAA e na polícia nacional.Estando agora, em Cabinda, como governador, eh adepto do Sporting local, por isso, espera que os empresários contribuíssem para os leões do norte não desistirem da competição.

GOVERNADOR CRITICA

O governador de Cabinda, Eugénio Laborinho, apelou à direcção do Sporting de Cabinda, a ter maior organização de gestão e ser mais humilde na apresentação das contas de receitas e de despesas de uma forma aberta e clara para que os empresários tenham credibilidade em financiar o clube.
"Pedimos a direcção a organizar-se e ter uma contabilidade clara na apresentação das contas. Houve muita crítica sobre a liderança do Sporting de Cabinda e vamos ser mais rigorosos na gestão deste clube", disse. Estou sempre a insistir em apoiarmos este clube por ser o único da província a disputar o Girabola, alias, quando coloquei esta situação as entidades superiores, orientaram-me a trabalhar com a sociedade cabindense, principalmente com os empresários", sublinhou.O responsável acrescentou que vai pedir maior responsabilidade a direcção do Sporting de Cabinda na gestão dos apoios que serão alocados, caso contrário, os seus dirigentes podem parar na cadeia prisional do Yabi.