Jornal dos Desportos

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Futebol

Lam fim de ciclo

18 de Outubro, 2018

Campeo africano de Sub-20 homenageado sbado na apresentao oficial do plantel tricolor para a nova poca

Fotografia: M.Machangongo | Edies Novembro

Duas décadas depois de se tornar profissional no Petro de Luanda, o guarda-redes Lama vai regressar aos escalões de formação do clube tricolor, como treinador de guarda-redes.
O longevo atleta de 37 anos de idade se despede sábado dos relvados, durante o jogo oficial de apresentação do plantel do Petro para a temporada 2018/2019, para abraçar um novo desafio na vida, preparar o futuro das balizas tricolores.
Até prova em contrário, Lama é o primeiro jogador do futebol angolano a permanecer tantos anos no mesmo clube. As vinte e uma temporadas seguidas de tricolor ao peito, fazem do ainda atleta um caso raro no desporto rei nacional, pois não existe um outro exemplo de fidelidade ao mesmo emblema.
A ascensão de Lama aos seniores, 1998, coincidiu com uma série de adversidades que assolaram o plantel tricolor, mas uma delas, a lesão do titularíssimo guarda-redes Marito, à época dono até das balizas da selecção nacional, se tornou no mal que veio para bem porque começou a mudar a sorte de Lama, saltou de terceiro para segundo na hierarquia, Mbala pegou de estaca nas balizas.
O Petro de Luanda fracassou nas Afrotaças, no anterior tinha sido finalista vencido da extinta Taça CAF, e teve dificuldades de defender com êxito a coroa de campeão nacional, ainda assim, a longa espera do jovem talento foi recompensada quase no final da temporada quando o técnico Jorge Ferreira poupou os titulares para tentar salvar a época na final da Taça de Angola com o quase campeão 1º de Agosto.
A estreia de Lama com a camisola tricolor aconteceu em Novembro de 1998 no jogo caseiro com o Chicoil do Cuando Cubango, foi na 25ª. jornada do campeonato nacional.
Mesmo com uma linha de segunda, os tricolores estiveram em alta combustão e com Chinho em grande estilo, 3 golos, chegaram com facilidade aos 7-0, mas Lama não ficou até ao fim para comemorar a vitória, lesionou-se numa dividida com um adversário e saiu em maca, como não havia mais substituições, o médio Roberto terminou na baliza.
Curiosamente, o começo e o fim de Lama tem uma equipa do Cuando Cubango, realmente na época 2018, a última que disputou, ele realizou um único jogo, 1ª. jornada do Girabola Zap, contra o Cuando Cubango FC, os tricolores venceram por 4-0, uma vez mais ele saiu do jogo sem sofrer um golo.
Último sobrevivente duma das melhores gerações da formação tricolor, os outros eram o lateral direito Renato, o central Toyzinho, os médios Gilberto e Roberto e o avançado Chinho, Lama como que foi lançado às feras logo na primeira convocatória, primeira mão da Supertaça de 1998 com o 1º de Agosto.
Suplente não utilizado no empate, 1-1, Lama começou a coleccionar nesse jogo algumas marcas importantes com a camisola tricolor, foi orientado por 13 treinadores diferentes, nas nossas contas não entraram os interinos, conquistou 12 troféus, 4 edições do Girabola (2000, 2001, 2008 e 2009), 6 Taças de Angola (1998, 2000, 2002, 2012, 2013 e 2017) e 2 Supertaças (2002 e 2013), sendo por isso um dos que mais titulados da história do Petro de Luanda.
Com a camisola tricolor, só faltou ao atleta de 37 anos de idade um título africano, em várias ocasiões ele participou das Afrotaças com grandes actuações, mas o máximo que conseguiu foi ver a equipa a cair nas meias-finais da Champions 2001, prova em que os tricolores aceleraram para a história a partir da segunda jornada quando Djalma Cavalcanti deu a titularidade a Lama.