Jornal dos Desportos

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Futebol

Lunda Sul e Zaire discordam da deciso tomada pela FAF

28 de Fevereiro, 2019

Benguela vai competir no Zonal de Apuramento com quatro equipas o que viola o estatudo no dizer dos dirigentes desportivos

Fotografia: Jos Soares | Edies Novembro

Para o presidente da APF da Lunda Sul, Fernando Kalupeteca, a Federação Angolana de Futebol (FAF) agiu de má-fé, pois no seu entender, a instituição liderada por Artur Almeida e Silva usou dois pesos e duas medidas para um mesmo caso.
“Eu defendo que continua a haver má-fé da parte da FAF. Nessa decisão fiquei com a impressão de que a FAF usou dois pesos e duas medidas, para um mesmo caso, quando alega que a equipa da Lunda Sul não apresentou os documentos necessários a tempo. Com o adiamento, o campeonato ainda tinha uma semana para arrancar, tempo que acho ser suficiente para o completamento dos processos, caso houvesse boa-fé da parte da FAF e isso não aconteceu”, defendeu-se.
Segundo ainda Fernando Kalupeteca, a presença de quatro equipas de Benguela na lista de concorrentes levanta alguma suspeita, visto que os regulamentos dizem, que só os campeões podem ser indicados para a disputa do Zonal.
“Sinceramente não compreendo como é possível, que Benguela apareça com quatro equipas, numa prova que, por norma, devia ter apenas um representante provincial. Aceito, por exemplo, a presença do 1º de Maio de Benguela, porque é o campeão, e do Jackson Garcia, que participa por direito, pois já o vem fazendo regularmente nas últimas quatro épocas. Mas do Sporting e do Wiliete Sport Clube deixa dúvidas. Ninguém sabe concretamente que critérios foram utilizados, para que estas equipas ganhassem o direito de disputar este Zonal”, mostrou-se admirado.
Lamento o facto da equipa da Lunda Sul ter sido preterida, na medida em que aquela província sempre realiza o seu campeonato provincial com regularidade, ao contrário de algumas regiões, que se limitam a indicar representantes, mas que a FAF anuiu.
“Terminar assim, deita por água abaixo todo o esforço dos dirigentes da APF e dos clubes daqui da Lunda Sul, uma vez que nós organizámos os campeonatos na sua verdadeira essência. Não nos limitámos a indicar representantes, como fazem algumas províncias que não preciso aqui apontar nomes, porque a própria FAF sabe de que regiões é que se fala”, aflorou.
Quanto à similar do Zaire, o secretário-geral da APF local, António Lopes Lino, critica a posição tomada pela FAF por um lado, mas dá a mão à palmatória por outro, ao reconhecer, que o seu filiado São Salvador FC de Mbanza Kongo não tem disponibilidade financeira para essa empreitada.
“O Governo da Província (do Zaire) predispôs-se a apoiar, mas apenas no alojamento e na alimentação, porque não tem muito onde tirar. Isso é compreensível, visto que a governação é nova, o que, se calhar, indicia não ter ainda onde se apegar para este tipo de compromisso”, esclareceu António Lino.

“Relações andam azedas”

O presidente do Clube Juventude Atlética de Saurimo, Pedro Franco “Kito Muacassange”, cuja equipa foi impedida pela FAF de competir no Zonal de Apuramento ao Girabola Zap 2019/2020, por alegadas irregularidades, mostrou-se apreensivo, por haver indícios de intervenção de alguma mão invisível, em função da província de Benguela entrar com quatro equipas na prova.
“Na vertente técnica, acredito que tem uma mão invisível de Benguela por trás disso. Pergunto-me como é possível essa província (Benguela) entrar com quatro equipas na prova, se os regulamentos exigem que sejam os campeões a disputar a Segundona. Como é que Benguela tem mais três, ou, pelo menos, mais duas?”, interrogou o dirigente do clube da Lunda Sul, em entrevista que concedeu ao Jornal dos Desportos por telefone.
Kito Muacassange coloca mesmo a hipótese de vingança nas relações entre a FAF e a APF da Lunda Sul, em função do que ocorreu há dois anos com a formação do Progresso daquela região.
“Acredito que a FAF levou em consideração o problema que ocorreu há dois anos, que ditou a desqualificação do Progresso da Lunda Sul. A partir daquela data, as relações entre a FAF e APF da Lunda Sul andam azedas”, explicou.
Não obstante isso, o presidente do Juventude Atlética do Saurimo deixou um conselho à FAF, para que essa instituição se esforce em manter a aproximação com a Lunda Sul, sob pena de perder uma grande praça eleitoral nos próximos tempos.
“Aconselho a direcção da FAF no sentido de se aproximar mais da Lunda Sul, porque se mantiver a equidistância que se verifica actualmente, corre o risco de perder uma das grandes praças eleitorais nos próximos tempos”, advertiu. Contudo,  Kito Muacassange reconhece o erro cometido pelo seu clube no aspecto administrativo.
 “Houve irregularidades na forma de preenchimento e assinatura do documento por parte do médico. Fê-lo de forma contrária, e como os regulamentos são para cumprir e assim não fizemos, acabámos por ser penalizados”, apontou com desalento.
Apontou a necessidade de se reorganizarem administrativamente melhor, para que no próximo ano não voltem a cometer o mesmo erro e, quiçá, talvez consigam competir na Segundona.