Jornal dos Desportos

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Futebol

Lunguinha Simo recorre ao tribunal

Betumeleano Ferro - 15 de Dezembro, 2018

O tcnico afirmou que a FAF tem agido de m f

Fotografia: Edies Novembro

O técnico Lunguinha Simão decidiu avançar com uma acção judicial contra a Federação Angolana de Futebol \"FAF\", conforme revelou ao Jornal dos Desportos, pelo facto de a Federação Angolana de Futebol (FAF) estar a demorar a pagar-lhe o que deve. Todas as tentativas de resolver a questão por meio do diálogo fracassaram, isto depois de a federação fazer várias promessas, mas sem cumprir nenhuma delas, motivo pela qual o treinador preferiu recorrer ao tribunal.
Ainda não há uma data para o início do julgamento, mas o antigo treinador dos Sub-17 afirmou que \"o processo deu entrada no Tribunal Provincial de Luanda, está na primeira secção com o Nº932/18\".
O técnico afirmou que a FAF tem agido de má fé, pois, frisou, a instituição, reconhece que deve mas esquiva-se na hora de pagar. \"Eu tive de constituir advogado, porque a determinada altura senti que a FAF não estava disposta a pagar tudo o que me deve\", sublinhou.
Pelas contas que fez, a dívida é de 4 mil e 600 dólares. Na época em que começou a reclamar, este valor valia 590 mil Kwanzas, mas Lunguinha Simão revelou que a FAF aceitou pagar-lhe um valor, que nem sequer chegava a metade do que deve.
\"Eles acham que só devem pagar uma quantia de 200 mil Kwanzas. É claro que não aceitei, porque isso nem chega perto do que me devem\", protestou.
O recuo da FAF deixou Lunguinha Simão surpreso. Conta que \"há dois meses a federação aceitou\" sem hesitar, que estava em falta para com o técnico, mas nada fez para corrigir a situação. \"A primeira intenção do meu advogado foi tentar negociar, demos-lhe 15 dias, fomos ao MAPESS, chamaram-nos e a federação assumiu todas as dívidas, mas diziam que não podiam definir datas de pagamento, porque não têm dinheiro e, diante disso, tivemos de recorrer ao tribunal\", esclareceu.
Além dos salários em atraso, o treinador também quer que a FAF seja responsabilizada pela maneira pouco cordial como o pôs no olho da rua.
\"Eu trabalhei 9 anos consecutivos na federação, mas acabei por ser despedido sem carta de demissão, sem aviso prévio\", lamentou. A maneira como aconteceu o desenlace, até hoje causa enorme estranheza a Lunguinha Simão. A relação com o presidente Artur Almeida parecia boa demais para chegar ao ponto crítico em que está.
\"Quando ele me apresentou como técnico dos Sub-17, prometeu que me daria um carro, até agora não recebi nada, prometeu que iria me pagar um salário em atraso todos os meses até liquidar toda a dívida, até agora não recebi nada\", deplorou.
O incumprimento e o despedimento da FAF causaram dissabores a Lunguinha Simão e a sua família, mas o mais importante para ele agora é que a federação pare de prometer.  \"Andei desempregado mas outras portas se abriram no Petro e na AFA\", rematou. O Jornal dos Desportos soube ontem de uma fonte da FAF, que o gabinete jurídico está a tentar negociar com o representante de Lunguinha Simão, com a intenção de resolver em definitivo a questão da dívida.    

COMPARAÇÃO
Dualidades  
preocupam

 O técnico Lunguinha Simão acusou o presidente da FAF de usar de parcialidade, na maneira como trata os treinadores nacionais e os estrangeiros.
O treinador questiona por que a federação, que diz que não tem dinheiro para pagar-lhe, consegue oferecer salários mais altos e outras regalias aos expatriados, que contratou para as diferentes selecções nacionais.
Sem receio de apontar o dedo, Lunguinha Simão mostrou-se convicto de que "há desigualdade" no tratamento que o presidente dá aos nacionais e estrangeiros.
"O que eu defendo é que tem de haver um tratamento digno para todos, infelizmente, não é isso o que está a acontecer, aos técnicos expatriados pagam o dobro do que me pagavam, arrendam casa, dão transporte, mas não aceitam fazer a mesma coisa com um treinador angolano", argumentou.
O tratamento parcial nada tem a ver com competências, diz o técnico Lunguinha, pois segundo ele, se a questão fosse esta, então nunca o presidente Artur Almeida se esqueceria das promessas que lhe fez.
"Eu só estou a querer chamar a FAF à razão, quero que haja sensibilidade para o meu caso, porque eu fiz um bom trabalho, qualifiquei os Sub-17 para o CAN, era o objectivo traçado e eu cumpri, fiz a minha parte, mas a FAF não está a fazer a parte dela", afirmou.
Os salários em atraso e o despedimento, colocaram  Lunguinha Simão e a FAF em lados opostos, porém, o treinador esclareceu que não está a tentar lavar roupa suja em hasta pública, pois, deu todos os passos necessários para resolver a questão sem levantar poeira.  "O que eu quero apenas é que reconheçam o esforço que fiz e paguem o que me devem, há pessoas na FAF, como o Dr. Resende, que estiveram comigo no MAPESS quando fomos chamados, há quatro meses eu também escrevi para o MINJUDE, enfim, tentei resolver de maneira pacífica", garantiu.
Como que para dissipar todas as dúvidas, o treinador assegurou que se estivesse com intenção de retaliar iria esticar a corda, mas não o fez, porque só quer receber o que lhe devem e nada mais. "Eu fiz tudo para resolver de maneira amigável, eu nem quero indemnização, só quero os meses em que trabalhei, não quero mais do que isso, fiz a minha parte, aguardei, mas a FAF nunca se pronunciou como deveria, eles não queriam pagar", argumentou.
Um possível regresso aos quadros técnicos da federação é uma questão que Lunguinha Simão prefere não abordar, ainda mais porque é recente o seu casamento com a AFA, ainda assim, ele deixou uma única certeza, se a FAF quiser uma solução extra-judicial, nem ele nem o advogado vão se opor.