Jornal dos Desportos

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Futebol

Makanga promete rescindir contrato

JOAQUIM SUAMI, em Cabinda - 21 de Novembro, 2017

Antigo capito dos Palancas Negras desiludido com dirigentes dos gorilas do Norte

Fotografia: Jornal dos Desportos/ Edies Novembro

O antigo capitão da selecção nacional de futebol de honras, André Makanga, que assinou em Maio um contrato de três anos para orientar o projecto que visa  colocar o FC de Cabinda no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, Girabola Zap, avança a possibilidade de abandonar o acordo, por não haver interesse da parte dos dirigentes do clube de concretizar o programa.  
Em entrevista ao Jornal dos Desportos, por telefone, o treinador angolano disse que até ao momento não há nada de concreto no FC de Cabinda para iniciar os trabalhos de preparação, com vista à participação do clube no Campeonato Provincial 2018 e no Zonal de Apuramento ao Girabola Zap 2019. Segundo ele, desde que deixou Cabinda em Maio depois da assinatura do contrato, nenhum dirigente do FCC disse nada, pelo que é complicado em acreditar no projecto.
“Não existe nada, ninguém veio falar comigo, ninguém me siz nada. E, como venho trabalhar em Cabinda, se nenhum responsável do clube conversou comigo? Isso, é complicado. Também não sei se as coisas vão dar certo, porque já não acredito num projecto credível”, disse e interrogou-se no seguinte: Como posso vir a Cabinda, se as pessoas não estão a ser sérias com o projecto?
Referiu que não vai queimar a sua massa cinzenta num clube, em que os seus dirigentes não estão organizados e não se preocupam, assim como no desenvolvimento do futebol no seio dos jovens locais.
“Tenho um contrato que assinei com o FC de Cabinda, e por não estarem a cumprir com o acordo, tenho a obrigação de rescindir, por justa causa. Estamos em Novembro e desde de Junho do ano em curso, não recebo os meus salários, como vou para um clube onde as pessoas não são sérias, não vou queimar a minha fita num clube onde as pessoas não querem organizar-se”, explicou.

RESPOBILIDADE
Técnico aconselha
"gorilas" do Norte


O treinador André Makanga aconselhou os dirigentes do FC de Cabinda, com quem assinou contrato em Maio, a colocar a equipa no Girabola Zap de 2019, a terem cautela antes de tomarem a decisão, ou seja, a não avançarem em projectos de formação de futebol, sem experiência no mundo do desporto.
“Não sei como a massa associativa deste clube aceitou, pessoas que não têm experiência de futebol, e querem dirigir o clube. As pessoas devem pensar primeiro, antes de tomarem uma decisão. O que está acontecer no FC de Cabinda é uma brincadeira”, disse.
O antigo capitão dos Palancas Negras realçou, que caso não tivesse aceite o convite do Recreativo do Libolo, onde trabalhou durante seis meses, ia estar praticamente na condição de desempregado.
“Se eu não aceitasse trabalhar no Libolo, estaria sem salários todo esse tempo. A culpa não é do André Makanga e dos dirigentes do FC de Cabinda”, referiu.
André Makanga  disse que depois da assinatura do contrato viajou para Portugal, em formação, para ajudar o clube a ter benefícios na descoberta de talentos e na aquisição de equipamentos, mas os dirigentes não ajudaram em nada.
“Acho que as pessoas em Cabinda não devem pensar mal de mim, porque não é a minha culpa, como as coisas estão a correr no FC de Cabinda e conforme as coisas estão, não acredito treinar a equipa. Abracei o projecto, porque acreditei e pensei que seria credível, mas nada. Se a parecer um outro projecto ambicioso, ou um clube a necessitar dos meus serviços, vou abraçar o desafio”, desabafo.                                       JS