Jornal dos Desportos

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Futebol

Maki com medo do peso tunisino no continente

Betumeleano Ferro - 06 de Outubro, 2018

Zoran Maki quer jogo limpo no desafio de resposta em casa do Esprance

Fotografia: Jos Cola| Edies Novembro

O ranking\" continental de selecções e de clubes, coloca a Tunísia muitos lugares acima de Angola, é por isso que o técnico Zoran Maki revelou ter \"receio\", de que esses factores possam ser usados contra o 1º de Agosto no jogo da segunda mão, diante do Esperance de Tunis, no dia 23 do corrente.
A eliminatória está favorável aos militares, a prática está a contrariar a teoria, motivo por que Maki alertou que o seu 1º de Agosto é visto como um intruso, que chegou onde não deveria estar.
\"Somos anónimos, não temos nenhum tipo de peso, os outros que estão nas meias-finais são de países que têm mais ranking\", argumentou.
Os militares estão com os olhos na final e querem lá estar, porém, Zoran Maki mostra-se convicto de que o continente não quer nem prevê, que essa possibilidade se torne real. \"Angola, nesse momento, não está no nível dos outros países, os outros têm enorme peso, as suas equipas têm peso, é isso o que me dá medo para o jogo da segunda mão\", acrescentou.
As decisões do trio de arbitragem, liderado pelo senegalês Maguette Ndiaye, deram muitos motivos de queixa aos militares, mas de modo algum pegaram de surpresa o técnico Zoran Maki, pois ele garantiu que o 1º de Agosto é a equipa indesejada das meias-finais, os prognósticos iniciais apontavam para tudo, menos para a presença do campeão angolano.
O 1º de Agosto está consciente de que o invisível jogo de bastidores pode ser usado, se necessário for, para impedir que o desconhecido futebol angolano, marque presença, pela primeira vez, na final da Champions, mas Zoran Maki assegurou que os militares vão a Tunis preparados para tudo.
Quando o campeão entrou em cena na Champions, a fase de grupos era a meta inicial, depois a meta mudou com os resultados favoráveis e, o técnico militar diz ter todos os motivos para colocar o seu plantel nos píncaros da glória, bem como olhar para a segunda mão com optimismo.
\"Chegámos até aqui (meias-finais) com todo o mérito, os meus atletas estão a ser heróis, ultrapassámos muitas barreiras, por isso posso dizer que não tenho medo, mas apenas receio do jogo da segunda mão\", enalteceu.
O percurso do 1º de Agosto na época está cheia de coisas boas, o tri no Girabola Zap, segundo da sua história, e a presença nas meias-finais da Champions, são amostras do poder competitivo da equipa militar, mas nas contas de Zoran Maki há mais um dado relevante: \"ainda não perdemos nenhum jogo em nossa casa esta temporada\", mostrou-se orgulhoso.


CALENDÁRIO APERTADO
Fadiga pode fazer mossa ao campeão

A primeira mão da eliminatória com o Esperance de Tunis, deu amostras reais da condição física do 1º de Agosto, a baixa de produção, de alguns atletas, também tem de ser associada as cobranças que o corpo começou a fazer ao atletas, pois a temporada tem sido desgastante, por causa da sobrecarga de jogos.
O campeão nacional iniciou a época, sabendo de antemão que só iria gastar energias em duas frentes, uma interna, Girabola  Zap, e outra externa, Champions. Mas desde cedo, ficou patente que as coisas jamais seriam fáceis. A Supertaça não foi disputada, porque não se encontrou uma data favorável dentro do calendário dos competidores, o outro era o Petro de Luanda. As mudanças inesperadas efectuadas pela CAF, nas datas das provas continentais, forçaram a federação a acelerar, como nunca antes, o início e o término do campeonato, para se ajustar as novas exigências da própria Confederação Africana.
Se na Supertaça o acerto era entre dois clubes, algo diferente aconteceu com a Taça de Angola, por unanimidade todos concordaram com uma \"época atípica\", como foi chamada na época, só com a disputa do Girabola Zap.
Nem mesmo a desistência do JGM do Huambo, serviu para aliviar o peso nas pernas do 1º de Agosto, com menos um competidor, os militares fizeram 28 em vez de 30 jogos, mas como alguns deles foram efectuados com poucos dias de intervalo, também em parte por causa dos compromissos continentais, ainda demorou meses para o campeão perceber, que as bocas proferidas pelo presidente Alves Simões, Interclube, no final da primeira volta, seriam menos devastadoras do que o esforço físico que estava a fazer, para levar dois ossos ao mesmo tempo, sem largar nenhum deles.
O alarme foi accionado pelo técnico Zoran Maki no final do jogo com o TP Mazembe. Na sala de conferência de imprensa, o treinador lamentou o calendário apertado da sua equipa, sobretudo desde o mês de Maio. Sem tempo para recuperar o físico do plantel, Maki revelou que tinha de usar a ponderação, para impedir que os jogadores ficassem sem pernas na etapa decisiva da temporada.
Por exemplo, ele citou o caso da segunda mão com o Mazembe, como a equipa da RDC faz os seus jogos caseiros num relvado sintético, o 1º de Agosto abdicou de trabalhar em campos com relva artificial.
Um provável apuramento para a final da Champions, vai colocar o 1º de Agosto diante de um outro dilema maior do que aquele em que já se encontra: o Girabola Zap 2018/2019 vai começar no dia 27 do corrente, o que significa dizer que o campeão vai disputar o mais apetecível troféu do continente e, posteriormente vai iniciar a defesa do título, sem ter férias, uma situação inédita no futebol nacional.