Jornal dos Desportos

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Futebol

Maluka clama por apoio

Paulo Caculo - 02 de Maio, 2013

Antigo craque do 1 de Maio e dos Palancas Negras em clubes nacionais procura colocao

Fotografia: Jornal dos Desportos

O ex-craque dos Palancas Negras e do 1º de Maio de Benguela, Joseph Maluka, manifestou-se ontem, em declarações ao nosso jornal, triste pela insensibilidade dos desportistas angolanos. A ‘velha glória’ disse estar a aguardar há um ano várias promessas para concretizar o sonho de dar o seu contributo ao desenvolvimento do futebol angolano.

Dono e senhor de uma enorme experiência acumulada dos anos de carreira enquanto futebolista, Maluka há um ano decidiu regressar ao país, impulsionado e motivado pela estabilidade política e económica que Angola atravessa. Na bagagem trouxe como principais trunfos, dois diplomas que comprovam os níveis de formação obtidos em França, onde temporariamente fixou residência, à procura de melhores condições de vida.

 “Durante este tempo em França não estive a dormir. Tenho dois cursos concluídos, do I e II graus do curso de treinador de futebol, ministrados pela federação e associação francesa. Tenho conhecimentos sobre treino desportivo e penso que podia aproveitar esta minha experiência para ajudar os jovens futebolistas do meu país a melhorarem as suas qualidades”, disse o antigo camisola nove do 1º de Maio de Benguela, visivelmente entristecido com a situação.

 Durante estes quase 12 meses no país, Maluka diz ter tentado obter de todas as formas uma oportunidade para participar em algum projecto. Bateu várias portas, abordou inúmeras pessoas, entre as quais Pedro Neto, presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), mas o máximo que conseguiu foram promessa de que, futuramente, algo pode surgir.

 “Mas o problema é que o tempo vai longo e tenho passado muitas dificuldades. Não sou um jovem, tenho 56 anos e uma família em França à minha espera. Gostava muito de poder contar com este apoio, porque me faz muita falta. Quero trabalhar no meu país, na área em que me formei. O meu maior objectivo é fixar residência aqui em Angola, regressar definitivamente ao meu país”, acrescentou. PC


FRUSTRAÇÃO
Estrela pondera regresso


Maluka confessou que o regresso a França, onde se encontra a família, é a única solução, caso não surja até ao final do ano uma oportunidade para trabalhar no país. A antiga estrela afirma não ter muitas condições para permanecer em Angola, não estando a trabalhar e sobrevivendo da ajuda de alguns familiares em Luanda.

“Não vai dar para continuar assim. Acho que chega uma altura em que tenho de tomar uma decisão e esta é, irremediavelmente, regressar a França. Não tenho outra hipótese, é lá onde tenho a mulher e os filhos”, disse, mostrando-se esperançoso em dias melhores.

 “Esperanças? Tenho sempre, nunca as perdi. Por isso, não me canso de deixar o meu contacto (924743026) sempre que abordo algum dirigente desportivo ou sou convidado para algum programa sobre desporto. Felizmente houve alguém que me ofereceu uma viatura e devo agradecer todos os dias o gesto deste empresário, porque não contava com esta oferta.”

O principal objectivo de Maluka é “contribuir da melhor forma” para que mais talentos surjam no vasto naipe de jovens promissores. A antiga estrela do Maio não tem dúvidas de que “matéria-prima” existe em abundância no país, para que nos próximos tempos as equipas e selecções se encham de estrelas.

 “Agradeço o facto de ter sido recebido pelo dirigente Bento Kangamba, general Pedro Neto, empresário Adão Costa, general Carlos Hendrik, o presidente Docas, Paixão Júnior e Sá Miranda. Agradeço a disponibilidade para falarem comigo. Foram os primeiros a dar-me todo o apoio e a incentivar-me a acreditar que era possível encontrar um lugar para trabalhar no país.”     PC


FRACASSO
“Deixei o Maquis por falta de contrato”


Maluka esteve durante cerca de sete meses a trabalhar com os escalões de formação do FC Bravos do Maquis. A convite do presidente Manuel José “Docas”, o antigo avançado dos Palancas, que nos anos 80 maravilhou adeptos do país inteiro com os seus dribles estonteantes, chegou a sonhar que estava diante da sua grande oportunidade de mostrar trabalho.

“Era tudo o que esperava neste regresso ao país, mas infelizmente estive a trabalhar até Dezembro e não beneficiei de nenhum contrato oficial, facto que impediu que continuasse a trabalhar no Maquis”, confessou a antiga estrela do futebol angolano, lamentando não ter gozado, ainda, de melhor sorte desde que regressou ao país.

“Sempre trabalhei na formação com os mais jovens e era este o tipo de trabalho que pretendia desenvolver aqui no meu país. Fazia isso em França e quero continuar a fazê-lo agora em Angola, porque sempre foi este o meu sonho. Foi uma pena não ter existido um acordo com o Bravos do Maquis, porque estava disposto a ajudar aqueles jovens talentos a crescerem para o futebol”, disse.

 O ex-avançado do 1º de Maio de Benguela admite que a enorme experiência acumulada enquanto jogador e agora como treinador é fundamental para o êxito da carreira que pretende começar no país. Admite estar a ser muito difícil materializar o sonho em Angola, pois “não esperava encontrar tanta insensibilidade por parte dos nossos homens do futebol”. “Tenho dito sempre que quero ensinar aos mais jovens aquilo que fazia nos meus tempos de jogador.   PC


REENCONTRO
“Foi bonito rever Calisto”

Maluka não vai esquecer tão cedo o reencontro, no passado fim-de-semana, com Henrique Calisto, seu antigo treinador no Varzim de Portugal. O ex-craque angolano disse ter ficado maravilhado ao rever o treinador português, actualmente no comando técnico do Recreativo do Libolo.

 “Foi bonito, muito bonito mesmo, voltar a encontrar-me com uma das pessoas que acompanharam a minha carreira em Portugal”, disse o ex-futebolista, confessando ter recebido também de Henrique Calisto uma promessa de ajuda, no sentido de encontrar algum lugar para transmitir os seus conhecimentos de futebol.

“Espero que ele consiga ajudar-me. Sempre demonstrou ser uma pessoa amiga e muito simples. Gosto muito da forma de ele se relacionar com as pessoas. Espero que ele tenha muito sucesso no nosso país”, desejou Maluka ao seu antigo ‘manager’ no futebol português. PC