Jornal dos Desportos

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Futebol

Man considera acessvel a srie dos palancas

Paulo Caculo - 20 de Julho, 2019

Antigo defesa esquerdo do 1 de Agosto est satisfeito com a sorte de Angola no sorteio de acesso ao CAN de 2021.

Fotografia: Jos Soares | Edies Novembro

O antigo futebolista do 1º de Agosto, Mané Vieira Dias, assegura que Angola foi bafejada pela sorte ao calhar no grupo D das eliminatórias de acesso ao CAN de 2021, a disputar-se nos Camarões, ao lado das selecções da República Democrática do Congo (RDC), Gabão e o vencedor da pré-eliminatória entre Djibuti e a Gâmbia.
De acordo com o ex-defesa esquerdo do clube militar, melhor sorte não podia esperar o combinado nacional, para regressar à próxima Taça das Nações Africanas, de formas a corrigir a imagem deixada na recente presença no campeonato organizado pelo Egipto, que ontem encerrou às cortinas.
"Estamos num grupo bastante acessível, mas isso só não basta. Somos um país ligado ao futebol e temos obrigações. Há sempre uma verdade e para o qual não devemos, nunca, nos esquecer: devemos ir a busca do princípio organizacional, um aspecto que nos tem faltado sempre", lamentou.
Mané Vieira Dias garante ser imperioso que Angola consiga, desta vez, encontrar componentes de planificação melhor estruturado, com base no princípio do respeito, sinceridade, harmonia e, sobretudo irmandade, porque considera fundamental a adopção de um comportamento colectivo e responsável se a selecção quiser atingir resultados positivos.
"Temos atletas de qualidade, matéria prima suficiente para podermos atingir patamares mais elevados. Mas continua a existir um senão: se não falarmos a mesma língua e vivermos no princípio de concordância, não admire que voltemos a abraçar um grande  fracasso. E não é isso que os angolanos querem. O que queremos é cruzarmos com tudo que seja de bom", acrescenta, o antigo lateral do 1º de Agosto.
Instando a analisar o potencial dos adversários, Mané fez questão de realçar o facto da RDC e o Gabão serem selecções sobejamente conhecidas pelos angolanos. Considera, por isso, não haver razões para grandes preocupações, sobretudo, pelo facto de qualquer uma dessas selecções  ter cruzado várias vezes o caminho de Angola e o equilíbrio ter sido a nota predominante no histórico dos jogos.
"Os adversários não representam motivo de grande preocupação. Na minha opinião, a grande preocupação está connosco mesmo. Lamentavelmente, vamos com um propósito, mas depois começamos a entrar em quezílias entre nós. Isso mata toda uma componente", precisou, reiterando mais adiante que temos atletas com potencialidades.
"Já defrontámos as selecções da  RDC e do Gabão, e mostrámos que temos jogadores com qualidades. Basta ver que continuamos a vender jogadores para o mercado europeu. A transferência do Show para o Lille de França é a prova evidente do potencial dos nossos jogadores. Precisamos, apenas, de nos organizar melhor", garante Mané Vieira Dias.

ESTRATÉGIA
Mané apela
ao trabalho
colectivo


O sucesso de Angola nas eliminatórias de acesso ao CAN de 2021, de acordo com Mané Vieira Dias, dependerá grandemente do nível de preparação e organização dos trabalhos. O ex-futebolista considera importante que se evite cometer erros do passado, sob o risco da selecção continuar a coleccionar fracassos.
"O que deve definir Angola das demais selecções é a forma de pensar, trabalhar e agir, portanto, é importante que o pensamento seja único. Temos de saber, primeiro, porquê que queremos participar, porque estamos a falar do país e não podemos continuar no esvaziamento e de forma isolada", disse.
Mané acredita que o sucesso da selecção nestas eliminatórias passará, também, pela necessidade de se fazer transparecer a imagem de que se está a trabalhar para um todo e nunca de forma isolada. Reprova todo o trabalho feito sem a defesa do princípio da conjugação de esforços.
"As coisas não têm como dar certo quando queremos trabalhar para o país e estamos a olhar para nós mesmos. Temos de estar imbuídos do princípio de Estado. Quando se fala em Estado, é preciso que as pessoas aprendam que somos todos nós, porque só assim conjugando esforços, chegaremos aos objectivos a que nos propusemos", remata o ex-futebolista.