Jornal dos Desportos

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Futebol

Mariano reclama de injustia do Sagrada Esperana e da federao

16 de Maio, 2019

Ex-atleta clama pela entrega da casa e o carro de que tem direito pela renovao do contrato por mais trs anos com a direco da formao Lunda

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

O atleta Mariano assegurou ao Jornal dos Desportos, que o Sagrada Esperança contínua a recorrer a vários subterfúgios, para evitar pagar o que lhe deve. O prazo de quinze dias da FAF venceu em Novembro do ano passado, sem que o clube diamantífero apresentasse provas documentais de que liquidou todas as dívidas, motivo por que o queixoso diz não entender por que a federação retira pontos a outros emblemas, mas demora a agir contra a equipa lunda.
Ao Jornal dos Desportos, o jogador apresentou documentos, dentre eles o contrato de trabalho, nos quais se apega com firmeza para cobrar aos diamantíferos. \"Nós chegamos a um novo acordo no final da temporada 2012, renovei para os próximos 3 anos e ficou acordado que eu teria direito a uma casa, um carro e um valor em mão de 60 mil dólares, recebi a viatura e mais 30 mil dólares, a casa e a outra parte do dinheiro ainda não recebi, mas eles alegam que já pagaram, mas nunca conseguem me dizer até hoje, em que data isso aconteceu\", esclareceu.
O atleta Mariano revelou que estava para receber uma residência no condomínio da Endiama no Luanda Sul, mas o vice-presidente José Ramos disse-lhe \"que a casa estava em obras\". O dirigente assegurou ao futebolista, que o clube lhe arrendaria uma moradia mas com promessa de que receberia a que constava do contrato, tão logo ela estivesse pronta, mas passados quase 6 anos a espera continua.
Uma das coisas que deixa Mariano com muitos motivos de queixa, é que o Sagrada insisti em repetir que já entregou a casa que prometeu. \"Eles arrendaram a casa, pagaram apenas um ano, 2013, de 2014 a 2017 fui eu a pagar as rendas, mas alegam que já não tenho mais nada a receber. Quer dizer, que eu fui capaz de trocar uma residência atribuída por uma casa de renda, é isso que não percebo\", desabafou.Numa das vezes em que conseguiu falar com Osvaldo Van-Dúnem, presidente do clube, Mariano acabou por descobrir, que a sua residência acabou por ser atribuída a um funcionário do Sagrada Esperança de nome Kabunda.
Além do incumprimento contratual, o atleta garantiu que os diamantíferos fazem tudo o que podem para não pagar, inclusive \"inventam coisas, enviam cartas à FAF a dizer que já pagaram tudo mas sem apresentar provas, até já me caluniaram para me colocar contra o meu advogado. O senhor José Madaleno, director-geral, foi à FAF dizer que estavam a negociar comigo e que eu dispensei os préstimos do Conselho de Disciplina e do meu advogado, mas não é verdade porque nem eu sei o dia, mês e ano que tivemos essa conversa\", lamentou.
O Sagrada diz que nada mais deve, mas Mariano não entende por que \"o clube propôs uma conciliação\", o nosso jornal está em posse do documento, para que ele não fosse se queixar à FAF. \"Infelizmente, os 15 dias que pediram já acabaram e nada fizeram, levamos o caso a federação, mas o Conselho de Disciplina demora a agir, já retirou pontos aos outros devedores, antes tinha avisado que quem estivesse a dever não poderia inscrever atletas, mas nada ainda aconteceu ao Sagrada\", rematou.

REACÇÃO
Direcção diamantífera acusa atleta de estar desesperado


O Sagrada Esperança considera sem fundamento as declarações do seu ex-atleta Mariano, José Madaleno, director-geral, garantiu ao Jornal dos Desportos que os diamantíferos \"não devem absolutamente nada ao jogador\". O dirigente foi mais longe ao acusar o futebolista de estar em busca de protagonismo, a ponto de ter dado uma entrevista ao diário desportivo português A Bola, \"isso é para vocês verem o desespero dele, até já fala para um jornal estrangeiro, uma questão que é interna ele leva para o exterior\", lamentou.
A direcção diamantífera reafirmou que nada mais deve a Mariano, por isso diz estar com dificuldades de perceber a real motivação do atleta. \"Não lhe devemos mais nada, pagamos tudo, ainda assim, ele anda a procura não sei do quê, mesmo sabendo que nada mais lhe devemos\", esclareceu.
O director-geral José Madaleno revelou, que o Sagrada Esperança até tentou ser generoso, mas até ao momento o atleta se recusa a atender aos vários pedidos que recebeu. \"Nós até queríamos fazer alguma coisa por ele, mas parece que também não está interessado em que o ajudemos, caso ele queira algum apoio nós estamos dispostos em ajudar, ele pode vir que estamos de abraços abertos, infelizmente, ele não quer vir\", afirmou.
A posição antagónica entre o Sagrada Esperança e Mariano já dura algum tempo, mas José Madaleno diz que há indícios no comportamento do atleta que não são normais, para quem diz estar com razão. \"Até o advogado preferiu abandonar o caso, quando isso acontece é porque há alguma coisa que não pode estar a bater certo, nenhum advogado abandona uma causa como essa\", afirmou.
O recuo do advogado aumenta a tranquilidade do Sagrada Esperança, o dirigente diamantífero diz não acreditar que o atleta seria abandonado com provas favoráveis. \"Eu não estou a ver um advogado a abandonar um caso destes, ainda mais quando sabe que pode ganhar um trocado, não é normal acontecer uma situação como essa\", sublinhou José Madaleno. 
Embora se mostre um pouco desapontado com a nova notificação do Conselho de Disciplina, José Madaleno afirmou que o Sagrada Esperança não deve nem teme, assim vai apresentar provas de que está do lado da razão. \"Nós em ocasiões anteriores já prestamos todos os esclarecimentos, mas esta semana  voltamos a receber mais uma nova notificação do Conselho de Disciplina, mas vamos responder mesmo assim, vamos fazê-lo outra vez, há muita insistência por parte do Conselho de Disciplina, não sabemos por que isso está a acontecer, não há nenhuma dívida, o contrato é explícito\", argumentou.

ADVERTÊNCIA
FAF aconselha postura  ponderada

A insistência de Mariano em recorrer aos jornalistas, pode dar motivos ao Conselho de Disciplina \"CD\" de concluir que o atleta, quer tudo, menos ver a federação a resolver o diferendo que o opõe ao Sagrada Esperança, assegurou José Carlos Miguel, presidente do CD. Apesar de entender a impaciência do jogador, José Carlos Miguel garantiu que o momento é de ponderação, \"se ele continuar a enveredar por este caminho, nós podemos cruzar os braços e não fazer mesmo nada\", avisou.
O Conselho de Disciplina de modo algum, quer limitar a liberdade de expressão do queixoso, ainda assim, o presidente José Carlos Miguel quer que Mariano confie na justiça federativa. \"Ele que mantenha a calma, ainda é capaz de comprometer tudo, o caso dele até está muito bem adiantado, então é complicado ver o que ele está a fazer, nem sempre as coisas são resolvidas tão rápidas como queremos\", afirmou.
O Conselho de Disciplina tem dado todos os passos necessários, para ajudar as duas partes a chegar à consenso, ao mesmo tempo em que trabalha, o CD quer ver Mariano a demonstrar acções que provem que confia e quer que seja a federação a resolver a questão. \"É isso que queremos que ele perceba, ele tem de pôr na mente de uma vez por todas que não vão ser os jornais que lhe vão resolver o problema, é só uma questão de paciência\", afirmou José Carlos Miguel.
Tão logo recebeu a queixa do atleta, o CD agiu com base nos seus regulamentos para ter o quadro completo da situação, todos os passos legais têm sido dados para apurar a verdade e agir contra o Sagrada Esperança, caso esteja a prevaricar. \"Queremos despoletar todas as hipóteses antes de podermos agir, o processo não está parado, está a andar, é essa a mensagem que queremos passar\", garantiu o presidente.
As versões de Mariano e do Sagrada Esperança são muito divergentes, ambas as partes dizem estar com razão, para separar o trigo do joio, o presidente José Carlos Miguel assegurou que pediu para cada um dos lados apresentar as provas que tem. \"O clube alega uma coisa, o atleta, por meio do seu advogado, outra, foi o advogado do jogador quem contrariou o Sagrada, agora pedimos a direcção da equipa para nos demonstrar todos os comprovativos de que não deve mais nada, só depois disso é que nós vamos agir dando razão a quem merece\", argumentou.
Os diamantíferos já têm em mãos a notificação da federação, pelo que têm 8 dias, que esgotam já nesta sexta-feira, para se defender, sob pena de começarem a sofrer as sanções previstas no regulamento disciplinar da FAF. \"Nós vamos aguardar pelo prazo estabelecido, depois vamos agir, este é um caso complicado, mas não vamos desistir, até pode demorar algum tempo antes de sair o veredicto final, mas não vamos desistir\", prometeu José Carlos Miguel