Jornal dos Desportos

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Futebol

Muitos colegas pagavam para serem convocados

Pedro Futa - 20 de Agosto, 2018

Atleta formado na Scil e no Petro de Luanda aguarda por nova proposta de trabalho

Fotografia: Edies Novembro

O avançado Manucho Barros, antigo jogador do Petro de Luanda, Interclube e Progresso Sambizanga, afastado dos relvados há duas épocas, disse, ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que pretende regressar aos campos na próxima temporada futebolística, preferencialmente na primeira divisão nacional.
Campeão pelo Interclube em 2010 (jogou 4 épocas pelos polícias), Manucho Barros, 33 anos de idade, interrompeu a sua carreira em 2017, na altura representava o Progresso Sambizanga, para dar seguimento a sua licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, já concluída, por isso pretende voltar a fazer \"gosto ao pé\", embora esteja a frequentar o mestrado na mesma especialidade.  
\"Interrompi a minha carreira, para que pudesse concluir a minha Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos e porque também não concordava, na altura, com algumas situações que ocorriam com alguns colegas, eram obrigados a dividir o valor das luvas (contrato) com treinadores, muitos deles até pagavam para serem convocados para um jogo, pensei e ponderei afastar-me por uns tempos\", disse.
O atleta disse que, apesar de ter se afastado da primeira divisão, não esteve parado na totalidade, pois optou por jogar futsal. 
\"O meu interregno foi apenas a nível do Campeonato Nacional, pois durante os dois anos pratiquei  futsal\", disse Manucho Barros, que explicou a motivação do seu regresso ao mais alto nível.
\"A minha vida é o futebol e não me revejo a fazer outra coisa, apesar de ser quadro efectivo do Ministério do Interior, o desporto está no sangue\", frisou.
O ponta de lança disse que é um jogador livre, pois aguarda por propostas concretas de alguns clubes.
\"Não assinei ainda nenhum contrato. A minha agente está a espera de algumas propostas, posso jogar em qualquer equipa, dentro ou fora de Luanda, mas se for na capital melhor, porque estou a concluir o meu mestrado\", afirmou.
João Hernâni Rosa Barros, nome de registo de Manucho Barros, diz que a idade (33 anos) não é um empecilho e assegurou estar em boa forma desportiva.
\"Sou jovem, tenho apenas 33 anos, sempre levei uma vida regrada, não faço uso de bebidas alcoólicas, evito perder noites e sempre me dediquei aos treinos\", disse.


TAÇA DA CONFEDERAÇÃO
Manucho lamenta ausência na final


A conquista do Girabola na época de 2010 e o facto de o Interclube ter chegado às meias-finais da Taça da Confederação, em 2011, marcam a carreira futebolística de Manucho Barros. Ainda assim, o avançado fala com certa mágoa, o facto de os polícias não terem chegado à final da competição por duas razões: falta de sorte e a troca de direcção.
\"Ter conquistado o campeonato nacional, Girabola, foi um dos grande momentos na minha carreira. Não chegámos à final da Taça da Confederação por falta de sorte e a saída do presidente José Martinez, pois abalou o grupo\", disse.
A participação de Manucho Barros na Selecção Nacional, no CAN de 2012, disputado na Guiné Equatorial, é outro grande motivo de orgulho do jogador.
\"A minha ida ao Campeonato Africano de Futebol (CAN), em 2012, na Guiné Equatorial, foi a minha melhor experiência como futebolista\", afirmou. 
O jogador que começou a sua carreira na Sécil Marítima e jogou depois no Petro de Luanda, conta com nostalgia a sua trajectória.
\"Comecei a jogar na Sécil Marítima nas camadas jovens e fui transferido para o Petro de Luanda pelo treinador Miller Gomes. Em 2005, o malogrado Carlos Alhinho, chamou-me à equipa principal do Catetão, tive passagem pelo Santos FC, onde fiquei três épocas (2007 /2009), cheguei ao Interclube em 2010 onde fui campeão e apenas sai em 2014 para o Progresso Sambizanga\", explicou.
Manucho Barros aconselha os seus colegas a apostarem igualmente nos estudos.
\"A carreira de um atleta é curta, aconselho os colegas a se dedicarem aos estudos, porque é lamentável o que muitos estão a passar, depois de deixarem os campos, não têm uma profissão e não conseguem um emprego digno\", aconselhou.
Manucho Barros lamentou o estado de alguns atletas que, no passado, deram muito para o nosso futebol e hoje são guardas de discotecas.
\"Lamento como é que um atleta, que já jogou em grandes clubes em Angola e no estrangeiro, agora é segurança de uma discoteca\", lamentou.