Jornal dos Desportos

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Futebol

"No sou mgico e nem quero me queimar"

Paulo Caculo - 20 de Outubro, 2018

Qualificao da seleco ao CAN s ser uma consequncia natural dos xitos que vier a alcanar nos prximos dois jogos

Fotografia: Edies Novembro

O seleccionador nacional, Srdjan Vasiljevic, mostra-se extremamente cauteloso em relação ao futuro de Angola nas eliminatórias à 32.ª edição da Taça das Nações (CAN’2019), agendado para entre 15 de Junho a 13 de Julho, nos Camarões.
O técnico sérvio ao serviço dos Palancas Negras fez questão de assegurar que a qualificação da selecção ao CAN só será uma consequência natural dos êxitos que vier a alcançar nos próximos dois jogos. Razão pela qual, recusa fazer promessas, sob o risco de transmitir “falsas esperanças” aos angolanos.
\"Não prometo e nunca vou fazer isso. E não é por ter medo da responsabilidade, mas porque não tenho direito de dar esperanças falsas a nenhum dos angolanos. O que posso prometer a cada angolano é que vamos trabalhar dedicadamente, dar tudo de nós, de coração e tentar proporcionar felicidade a cada angolano e se isso conseguirmos vou estar muito feliz, se não acontecer, a vida continua\", disse.
Srdjan Vasiljevic deixou claro que, apesar da derrota averbada em Nouakchott, ante a Mauritânia, nunca perdeu a confiança nos seus jogadores, sobretudo por acreditar que têm sabido reagir às adversidades, marcadas por dificuldade de vaia ordem.
\"Desejo fazer o melhor possível e estou a viver também momentos difíceis com os meus jogadores. Fico feliz com os êxitos e sofro quando não alcançados os objectivos. Temos 25 milhões de habitantes e se fosse seguir o pedido de cada um destes angolanos, perderia os meus princípios e não saberia o que fazer. Acredito nos jogadores e cada um deles vai ter a oportunidade que merece na Selecção\", acrescentou o seleccionador, esclarecendo estar seguro das opções titulares, apesar de algum descontentamento de adeptos.
\"Temos mais dois jogos à nossa frente e todos os jogadores se encontram na mesma condição. Temos uma concorrência saudável em todas as posições. Por exemplo, metade da nação estava convicta que deveria ser o Tony Cabaça a defender, a outra metade defendia a continuidade do Landu. Vocês podem imaginar em que situação me encontrava. Quando o Tony Cabaça defendeu os dois penaltis contra o TP Mazembe, tinha o jogo contra a Mauritânia, mas não podia pôr a jogar o Tony Cabaça na baliza, porque tinha o Landu em bom momento. O Landu tem uma continuidade de trabalho comigo, e o Tony Cabaça entrou agora e espero que possa encontrar o seu lugar na Selecção e seja o futuro guarda-redes na Selecção Nacional. É um excelente guarda-redes, mas só há um lugar nos titularidade\", acrescentou.
O seleccionador mostra-se, por outro lado, satisfeito pelo facto de, ao cabo de três jogos, ter conseguido somar duas vitórias e uma derrota, facto que mantém em alta a esperança da equipa na qualificação.
Sublinha o sérvio que, quando assumiu o comando técnico da selecção, Angola tinha três pontos negativos na classificação. Fruto de um trabalho árduo e aturado, a garante que a equipa técnica elevou a confiança do grupo e submeteu aos jogadores um projecto e deixou claro que aquele que estivesse preparado para se sacrificar, podia livremente sair.
\"Todos aceitaram. Vencemos o Botswana e a Mauritânia e criámos um ambiente de confiança entre nós e na relação entre treinadores e jogadores. Temos um ambiente homogéneo, uma enorme confiança entre nós e espero que isso dure o máximo possível. Temos de ter os objectivos bem claros e não podemos alterá-los durante a época competitiva\", assegurou.


CHANCES DE APURAMENTO
Srdjan Vasiljevic evita ser eufórico

Srdjan Vasiljevic admite que Angola enfrenta uma caminhada ao CAN positiva, mas adverte as coisas não podem ser vistas de uma forma eufórica. Orgulha-se com o facto de a partir do momento em que assumiu a Selecção ter passado pela equipa 60 jogadores, tendo parte dos quais sido chamados ainda no começo dos trabalhos.
\"Quando nos concentramos para a preparação para o jogo com a Mauritânia, tivemos 40 jogadores no processo de treino, isso durou três semanas. 90 por cento destes jogadores são jovens, e com perspectivas de serem utilizados\". disse.
\"Não sou mágico e não estou aqui para me queimar. Temos de ser equilibrados e ter um objectivo claro, deste foco não podemos desviar\",sublinhou.
Instando ainda a abordar a derrota frente a Mauritânia, o seleccionador Nacional disse que jogar fora de casa e num ambiente como aquele enfrentado em Nouakchott previa-se difícil lograr os intensos, sobretudo quando o adversário vinha de uma derrota e fez uma pressão alta para ganhar vantagem.
\"Essa pressão também existiu e não foi muito concreto da parte da Mauritânia. Nos primeiros 45 minutos, além do golo que eles marcaram, o Landu não teve motivos para preocupação. Nesse período tivemos duas bola na baliza e duas chances de golo\", afirmou.
\"Podíamos alterar o resultado muito rápido, mas não tivemos a sorte e simplesmente o adversário impôs um tipo de ritmo, que obrigou a que tivéssemos de procurar soluções em bolas lançadas para à frente, como solução que nos foi imposta pelo adversário\", esclareceu.
De acordo ainda com Srdjan Vasiljevic, a \"tortura psicológica\" submetida aos jogadores, após desembarque na capital da Mauritânia, em que a caravana foi obrigada a esperar por sete horas pelo visto de entrada e o relvado sintético, acabaram por influenciar, também, na prestação dos jogadores.
\"A nossa intenção era chegar mais cedo a Mauritânia, para termos mais tempo de descanso e mais de um dia de trabalho. O que aconteceu com a chegada na Mauritânia foi lamentável. O facto é que depois da derrota que sofreram em Angola, fizeram tudo para complicar ao máximo as nossas intenções\", deplorou o técnico sérvio.


Seleccionador quer reforços
para jogo com Burkina Faso

Srdjan Vasiljevic já colocou em marcha os preparativos para a “operação Burkina Faso”. O técnico dos Palancas Negras espera que o desafio da próxima jornada das eliminatórias, agendado para dia 18 de Novembro, em Luanda, decorra dentro das previsões.
\"Vamos jogar contra o Burkina Faso, que se encontra bem posicionado no ranking da FIFA e tem enorme qualidade. Apesar de conhecer bem o próximo adversário e sabendo que é um jogo decisivo para o apuramento ao CAN, não podemos criar euforia e pressão desnecessária, nem sobre os jogadores, a federação e nem sobre a equipa\", afirmou Srdjan Vasiljevic.
De acordo com o seleccionador, para que as coisas corram bem e com naturalidade, o grupo precisa dar o seu máximo, mas sobretudo acreditar que será possível ter êxitos nesta campanha.
\"Sou profissional e penso desta forma. Vamos trabalhar assim, do mesmo jeito que preparei o jogo contra a Mauritânia e o Botswana. Não haverá diferença, porque todos os jogos são importantes e cada jogo vamos nos dedicar ao máximo. O mais importante é que a minha equipa e os meus jogadores estejam saudáveis\", acrescentou o seleccionador.
Para o jogo frente ao Burkina Faso, Srdjan Vasiljevic espera contar com quatro jogadores para reforçar o meio campo e ataque da equipa nacional. O técnico sérvio deseja contar com Wilson Eduardo, Dani da Costa, Estrela, e Joaquim Adão, todos a evoluírem no exterior do país.
\"Se estivemos muito dedicados para resolver este problema, acho que podemos contar com estes jogadores para o jogo com o Burkina Faso. Temos de trabalhar na solução destes problemas, porque estes rapazes querem jogar por Angola. Os atletas que estão na Selecção são os que transmitem coisas positivas e quero que iniciemos a preparação muito antes, mas já com a presença destes jogadores que evoluem na diáspora. Se não aparecer nenhum jogador da diáspora no tempo previsto, vamos ter que jogar com os jogadores que temos no Girabola. Se for um resultado negativo, vão dizer que o treinador não presta\", alertou.
Srdjan Vasiljevic disse, a finalizar, que os jogadores e a Selecção não têm ainda as condições que merecem, a começar pelas condições de trabalho. O técnico deplora o facto de sempre ter dificuldades em saber com certeza o campo em que vai orientar as sessões de treinos.
\"A Selecção é de todos. Não é do presidente da federação ou do vice-presidente. Temos todos de apoiar a equipa nacional, porque está a representar o país.


À CHEGADA AO PÁIS
Técnico lamenta a falta de carinho


O seleccionador lamentou o facto de, ao contrário da selecção da Mauritânia, que após a derrota em Luanda teve 300 adeptos a sua espera no aeroporto para o receber e dar todo o apoio moral, com Angola a situação foi completamente diferente.
\"A opinião pública ajudou na recuperação psicológica da Selecção da Mauritânia. Já nós, quando chegámos, a primeira impressão que tivemos foi a de que sou o culpado pela derrota\", lamentou.
\"Mas isso também nunca vai ser problema. Assumo as responsabilidades, mas nunca deixarei que isso afecte a minha equipa. Se alguém tem de ser criticado, esta pessoa terá de ser eu. Quando o resultado é bom, todo mundo está eufórico, mas quando não, todos caímos em desespero. Isso não é bom. Se Angola deseja estar onde está, precisa de saber reagir aos resultados\", disse.


GERALDO
“É complicado jogar no relvado sintético”


A relva sintética do estádio Cheikha Boidiya, em Nouakchott, prejudicou o futebol da selecção angolana. Quem o diz é Geraldo, médio dos Palancas Negras.
Segundo o jogador, é muito difícil jogar no relvado sintético e garante que a equipa angolana é muito técnica, joga melhor no campo de relva natural.
\"Ainda assim criámos muitas chances de golo e acho que as melhores oportunidades do jogo foram criadas por nós. Temos de levantar a cabeça, ainda dependemos de nós, porque temos mais dois jogos em que precisámos de vencer, para chegarmos aos 12 pontos e garantirmos a qualificação\", afirmou.
Geraldo considera fundamental que a selecção aproveite os próximos tempos para corrigir o que esteve errado no jogo com a Mauritânia, de formas a ver se nos próximos jogos a gente não cometa os mesmos erros.
\"O relvado sintético teve bastante influência no nosso jogo.  São as dificuldades do futebol africano. Os Campos sintéticos dificultam muito a qualidade do futebol, sobretudo para jogadores que está acostumado a segurar a bola. Isso dificulta muito a qualidade de jogo. Mas estamos numa eliminatória em que devemos superar todas as dificuldades, independentemente do relvado, temos de saber ultrapassar estas situações, porque jogar em África tem destas coisas\", rematou o médio.                           


ACONTECIMENTOS DE NOUAKCHOTT
FAF apresenta protesto à CAF

O presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida e Silva, apresentou um protesto à Confederação Africana de Futebol (CAF), em virtude da atitude das autoridades migratórias da Mauritânia, durante a chegada da selecção à cidade de Nouakchott, onde a delegação angolana ficou retida seis horas no aeroporto local, à espera pelo visto de entrada no território mauritaniano.
De acordo com o responsável máximo da federação, situações como aquela enfrentada pela selecção de Angola devem ser comunicadas à CAF, de formas a se evitar que não se repitam e exigir dos países maior respeito aos adversários.
\"Já apresentámos o primeiro protesto à CAF, com relação a situação ocorrida no aeroporto e vamos também apresentar outra queixa em relação ao jogo em si, porque acho que o futebol africano tem de começar a mudar. E temos de protestar contra situações como estas, que não fazem bem ao desporto\", afirmou Artur Almeida.
O responsável federativo sublinhou, por outro lado, que o jogo ficou marcado igualmente por comportamento deplorável da Mauritânia, cujos jogadores, segundo ele, limitaram-se a fazer anti-jogo, depois de estarem a vencer a partida.
\"Criámos várias oportunidades e não conseguimos transformar em golo. Ainda tivemos a esperança que nos últimos minutos pudéssemos marcar pelo menos um golo e empatar o jogo. Mas, de qualquer forma, temos de afirmar que o jogo foi marcado por anti-jogo do adversário, desde o início da partida\", disse.
Artur Almeida afirmou terem sido várias as situações de queima de tempo, tendo contabilizado cerca de nove a dez minutos de quebra do ritmo de jogo, protagonizados por jogadores da selecção da casa.
\"Percebemos também que o árbitro, no final do jogo, concedeu quatro minutos, mas ainda assim fez terminar a partida antes de esgotarem os quatro minutos de tempo extra. De maneiras que o jogo foi totalmente marcado por anti-jogo, que começou naturalmente no aeroporto, após a nossa chegada\", esclareceu.
O presidente da FAF referiu, ainda, que qualquer um que viu o jogo percebeu que Angola, quer na primeira como na segunda parte dominou o jogo e podia ter marcado e vencido a partida.
Pese a derrota (1-0), Artur Almeida garantiu estar convicto de que a Selecção angolana \"está no bom caminho\", razão pela qual jamais desistirá do seu sonho de alcançar a qualificação a CAN, devendo para tal \"continuar a trabalhar para melhorar tudo que, em princípio, não esteja bem\".
Artur almeida concorda que o jogo com o Burkina Faso, a 18 de Novembro próximo, será decisivo em relação às aspirações de Angola marcar presença nos Reino dos Camarões.
\"Queremos ganhar os dois próximos jogos e o nosso objectivo é vencer sempre, mas vamos esperar que nos jogos a seguir sejamos muito mais felizes em termos de golos, porque precisamos de marcar muito mais golos. Estamos determinados e somos uma equipa que joga um futebol bastante ofensivo e não podemos sair desta característica, porque é o que identifica o futebol angolano\", enfatizou.
Artur Almeida manifestou-se igualmente regozijado com os elogios feitos pelo Presidente da República, João Lourenço, ao percurso protagonizado pela Selecção Nacional nas eliminatórias ao CAN. Para o presidente da FAF, as referências feitas à selecção pelo Chefe de Estado obriga os responsáveis da federação a encarar os desafios com maiores responsabilidades.
\"Ficámos muito satisfeitos com o facto do senhor presidente ter felicitado os Palancas Negras. Mas isso não nos envaidece, antes pelo contrário, põe-nos com muito mais responsabilidade, sobre aquilo que é o nosso trabalho e o que temos de fazer, porque o olhar atento do Presidente da República e chefe da nação está sobre nós\", admitiu.
O líder da federação acredita que os nossos níveis de responsabilidades da federação são agora muito maiores e têm aumentado \"jogo após jogo, ano após ano e dia após dia\". Artur Almeida aborda, por isso, a referência feita pelo PR aos Palancas Negras como motivo para encarar o futuro com a responsabilidade que se impõe.