Jornal dos Desportos

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Futebol

Palancas com apoio garantido

Paulo Caculo - 15 de Junho, 2019

Jogadores da Seleco Nacional podem embolsar cada 15 mil dlares em caso de qualificao para os quartos-de-final

Fotografia: Jornal dos Desportos

Cumprida que está a primeira fase do ciclo de estágio de preparação, visando o “assalto” ao Campeonato Africano das Nações (CAN) do Egipto, a Selecção Nacional de honras deve seguir hoje viagem à cidade do Cairo, palco da competição continental, agendada para o período compreendido entre 21 deste mês e 19 de Julho próximo.
Esclarecida a questão dos prémios de jogos e subsídios diários, melhor disposição não reina no seio da selecção, que não seja a alegria e a boa disposição. Os jogadores vão acumular um prémio no valor de 40 mil dólares, em caso de conquista do título do CAN. Mas, se andarem muito próximos disso, ou seja, em caso de alcançarem as meias-finais, cada atleta recebe o equivalente a 20 mil dólares.
O apuramento aos oitavos-de-final garante aos jogadores 10 mil cada um, e caso alcancem os \"quartos\" recebem 15 mil. A diária para cada atleta é de mil e 500 dólares por semana, dois mil por semana de competição e dois mil e 500 de prémio por cada vitória, durante a fase de grupos. O empate vale mil dólares a cada jogador.
Em solo egípcio, os Palancas Negras aproveitam os poucos dias que antecedem a estreia na prova para, entre outros aspectos, ambientarem-se com o clima do país. Na quarta-feira, dia 19, Srdjan Vasiljevic submete os jogadores a mais um teste à capacidade de reacção, movimentação colectiva e individual da equipa.
Depois do jogo particular diante da Guiné-Bissau, cuja vitória (2-0) não esteve em causa, o seleccionador espera no embate frente a difícil equipa da África do Sul corrigir eventuais erros, bem como  proceder a novos ensaios à táctica e ao modelo de jogo. E, diga-se, nesse aspecto, que Vasiljevic pode aproveitar para experimentar novos jogadores no “onze” que tem ensaiado durante esta fase do estágio.
Questões como a coesão defensiva, eficácia ofensiva e o entrosamento, dominam as sessões de treinos da Selecção, nesta fase derradeira da preparação. O jogo frente aos Bafana Bafana será fundamental, no que a avaliação destes aspectos dizem respeito, de formas a não serem surpreendidos pela Tunísia, Mauritânia e Mali, adversários do combinado nacional no grupo E da Taça das Nações.
Durante os ensaios, o seleccionador tem deixado transparecer a ideia de apostar num “onze” formado por Tony Cabaça à baliza; Bastos Quissanga e Dani Massunguna no centro da defesa; Isaac e Paizo nas laterais; Herenilson e Show, como médios recuados; Wilson Eduardo (ou Fredy), na posição de playmaker; Mateus Galiano e Djalma Campos, nos extremos; e  Gelson Dala, no ataque. 

MOBILIZAÇÃO
Angolanos no Egipto
apoiam os Palancas


A comunidade angolana residente na República Árabe do Egipto, está mobilizada para apoiar calorosamente a Selecção Nacional sénior masculina de futebol, Palancas Negras, que vai participar na edição deste ano do Campeonato Africano das Nações (CAN), que o Egipto alberga de 21 deste mês a 19 de Julho.
De acordo com o embaixador António Fernandes, que avançou a informação, em entrevista ao Jornal dos Desportos, referiu que, os angolanos residentes no Egipto estão prontos para apoiarem a Selecção Nacional, que procura atingir os quartos-de-finais da competição. “Visitamos as cidades e os estádios que vão acolher a nossa selecção, nomeadamente em Suez e Ismaília. Reunimos com a comunidade angolana residente no Egipto para a sua mobilização, visando o apoio aos nossos Palancas. Também participamos em todas as reuniões locais da prova, o que  nos permitiu garantir, minimamente, as bases para o conforto da nossa delegação”, disse.
O diplomata acredita que a Selecção Nacional pode atingir a final da competição, por possuir jogadores experientes, que estão motivados em representarem condignamente o país na maior festa do futebol africano.
“Temos fé que Angola possa chegar a final, porque tem potencial, motivação e possui uma boa equipa técnica. Apesar de algumas dificuldades financeiras, para uma participação exitosa no CAN, estamos confiantes no êxito”, referiu.
UNIÃO DE TODOS
O diplomata António Fernandes sublinhou, que todos os angolanos devem estar unidos, para que os Palancas Negras possam superar as suas dificuldades, antes de embarcarem para o palco da competição. “A primeira coisa que podemos dizer, é que Angola não é um país qualquer, por isso todos os esforços devem ser feitos, para que possamos participar no CAN do Egipto com a dignidade que se impõe. Pensamos que o diálogo entre a FAF e quem de direito deve ser permanente, para que situações como estas, em vésperas do tão importante evento, não aconteçam nunca mais, a julgar pelos prejuízos que uma ausência ou má prestação dos nossos Palancas Negras possam causar, para a imagem do nosso país”, esclareceu. 
JOAQUIM SUAMI, EM CABINDA

PALCOS DA GRANDE FESTA
Cidades e estádios
da competição


Treze anos depois, as majestosas e seculares cidades do Cairo, Alexandria e Ismaília voltam a albergar a Taça das Nações em futebol, juntando-se as estas a estreante Suez, sede do Grupo de Angola (E). Diferente da prova de 2006, a localidade portuária de Suez apresenta-se com “outsider” nesta 32ª edição do evento continental, a disputar-se de 21 deste mês a 19 de Julho próximo, no Egipto.
SUEZ - A “casa” dos Palancas Negras, juntamente com a Tunísia, Mauritânia e Mali, está localizada no nordeste do Egipto, numa extensão de 250,4 quilómetros quadrados. A população estima-se em 744 mil e 189 habitantes (dados de 2018). O estádio, com nome idêntico ao da cidade  (Suez), é um recinto multiusos construído em 1990, com capacidade para 27 mil espectadores, menos 23 mil que o palco oficial do combinado nacional, o 11 de Novembro, em Luanda. A infra-estrutura recebe jogos das equipas Petroject FC, Asmant Al Suwais e Suez Montakhab.    

CAIRO
- Capital do Egipto, é a maior cidade do mundo árabe e de África.  Localizado nas margens e ilhas do rio Nilo, possui uma área de 3.085 km², e uma população estimada em 19,5 milhões de habitantes (Out de 2018).
Cairo será o bastião de três grupos, designadamente o A, constituído pelo anfitrião (Egipto), República Democrática do Congo, Uganda e Zimbabwe.
Terá como palco o estádio internacional do Cairo, casa dos “gigantes” africanos Al Ahly (onde evolui o angolano Geraldo) e Zamalek.
 Fundado em 1958 e inaugurado a 23 de Julho de 1960, a infra-estrutura, a maior do país com capacidade para 74 mil e 100 pessoas, também é o recinto oficial para os jogos da selecção anfitriã. O grupo C com o Senegal, Argélia, Quénia e Tanzânia terá como palco o estádio 30 de Junho, com capacidade para trinta mil espectadores. Inaugurado em 2012, o imóvel foi erguido pelas Forças de Defesa Aérea do Egipto. É utilizado pelas formações da Pyramids FC e Wadi Degla.
Já os integrantes da série D, com Marrocos, Costa do Marfim, África do Sul e Namíbia, evoluirão no estádio Al Salam ou também Estádio de Produção Militar do Cairo. Com capacidade para trinta mil pessoas, foi  inaugurado em 2009. É a sede da equipa do El Entag El Harby, servindo também de palco alternativo para o Al Ahly.

ALEXANDRIA
- É a segunda cidade mais populosa do país, com cerca de 5,2 milhões de habitantes (Out de 2018). Tem o maior porto do Egipto, servindo 80 porcento das importações e exportações da cidade. Fundada em 331 a.C., a cidade de Alexandria vai acolher o grupo B constituído pela Nigéria, Guiné, Madagáscar e Burundi. O estádio, um dos mais antigos de África, tem o mesmo nome da cidade, sendo um multiusos com capacidade para vinte mil espectadores, inaugurado em 1929.

ISMAÍLIA - É a capital da província egípcia com o mesmo nome. Encontra-se na margem ocidental do Canal de Suez. Foi fundada a 27 de Abril de 1862 tendo uma área de 210 km2 e uma população estimada em 366 mil e 669 habitantes (2012). Esta cidade será a "casa" do campeão mundial em título, Camarões, num grupo (F) que integra o Ghana, Benim e Guiné-Bissau.
As selecções se apresentarão no estádio de Ismaília, um multiusos com capacidade para 18 mil e 525 adeptos, depois da sua remodelação em 2009. É utilizado pelo Ismaília Sporting Club.