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Futebol

Palancas deixam boa impresso

Paulo Caculo - 10 de Junho, 2019

O primeiro jogo particular efectuado pela Seleco Nacional diante dos Djurtus da Guin Bissau (vitria 2-0) ajudou a confirmar a enorme fidelidade espelhada pelo seleccionador nacional conservao da tctica e do modelo de futebol. Tal como se prev

Fotografia: Kindala Manuel|Edies Novembro

O primeiro jogo particular efectuado pela Selecção Nacional diante dos Djurtus da Guiné Bissau (vitória 2-0) ajudou a confirmar a enorme fidelidade espelhada pelo seleccionador nacional à conservação da táctica e do modelo de futebol.
 Tal como se previa, Srdan Vasiljevic não deixou transparecer sinais de querer efectuar muitas alterações ao que se denomina ser os seus princípios e filosofia de jogo. Ou seja, o técnico dos Palancas privilegia no futebol da selecção, o passe, posse e a circulação de bola como os elos primários de sustentação ao seu jogo ofensivo.
 Foi assim que se viu a selecção jogar durante toda a campanha de qualificação ao CAN e voltou a sê-lo sábado, diante da Guiné Bissau. Nesta estratégia de Vasiljevic, mudam os jogadores, mas permanecem a táctica e o modelo de jogo da equipa.
 O seleccionador mostra-se irredutível em relação ao posicionamento da equipa em campo, porque acredita ser desta forma que o conjunto rende muito mais e, por conseguinte, os jogadores sentem-se mais confortáveis a jogar no habitual 4x2x3x1.
 De acordo, ainda, ao que deixou perceber o técnico dos Palancas nas escolhas feitas para o "onze" do embate frente à Guiné Bissau, em que apenas Bastos e Show, por razões forçada, não integraram os titulares, salta à vista o facto do "núcleo duro" continuar a ser constituído por 90 por cento dos "obreiros" da qualificação à Taça das Nações.
 
MÁGICOS E CONSTRUTORES

Partindo de uma defesa sólida e muito mecanizada, Srdan Vasiljevic procura manter sempre no “onze” o seu quarteto defensivo completo. Os caminhos para a baliza de Tony Cabaça ou Landu têm sempre de estar bem fechados. Para isso, o seleccionador aposta com uma sólida dupla de centrais, composta por Bastos e Massunguna, que revelam grande entrosamento, apurado jogo de cintura e perfeito sentido posicional para o corte e antecipação.
No complemento do quarteto defensivo, os laterais Isaac (à direita) e Paizo (à esquerda) partem em "vantagem" para ocupar os lugares no "onze" de Vasiljevic. No modelo táctico do técnico sérvio, ambos preocupam-se primeiro a defender, subindo, depois, em apoio, conduzindo a bola no início de construção do jogo ofensivo.
 No meio campo, à frente da defesa, dois médios recuperadores. Herenilson, trinco, mais de contenção, rouba bolas e, embora jogando quase sempre curto, serve o outro médio centro, Macaia (no lugar de Show), um ou dois passos mais adiantado, e Fredy (ausente no jogo amigável), é o «ambulante» de construção que, à medida que sobe no terreno, se torna no verdadeiro “playmaker” do futebol da equipa. Ele é a grande referência para a circulação da bola da selecção, que tem sempre dois alas bem encostados aos flancos.
Na direita, está o virtuoso Mateus Galiano, criando perigo com os seus dribles desconcertantes e bruscas mudanças de velocidade. À esquerda, Vasiljevic aposta em Djalma Campos, que assume uma permuta de posições com Mateus que incute dinâmica ao 4X2X3X1, baralhando as marcações adversárias, pois, nessa movimentação, Wilson Eduardo, que parte ao ponta-de-lança fixo, Gelson Dala, troca muitas vezes de posição com Djalma, muitas vezes colocado como falso avançado.
 De resto, a selecção voltou ontem aos ensaios físicos com bola, em Penafiel. A total integração dos atletas Bastos, Fredy e Geraldo na sessão desta manhã, à semelhança dos trabalhos de ontem, domina a preparação do combinado nacional agendado para hoje, segunda-feira.