Jornal dos Desportos

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Futebol

Palancas fazem ltimos ensaios

Paulo Caculo - 17 de Junho, 2019

Seleco Nacional testa a capacidade de reaco em jogo amigvel de preparao frente a congnere da frica do Sul

Fotografia: Agostinho Narciso | EDIES NOVEMBRO

A Selecção Nacional de honras mede forças com a sua congénere da África do Sul, quarta-feira a tarde, dia 19, na cidade de Cairo, Egipto, em desafio de carácter particular, enquadrado no ciclo de preparação de ambas as equipas, tendo em vista a Taça das Nações (CAN), agendada entre 21 deste mês e 19 de Julho próximo.
Numa fase em que o seleccionador nacional, Srdjan Vasiljevic, recorre aos desafios amigáveis, para ensaiar o entrosamento e avaliar a qualidade de jogo da equipa e a movimentação colectiva e individual dos jogadores, o embate diante da África do Sul acaba sendo um bom teste, para o técnico sérvio dissipar eventuais dúvidas. 
Um jogo treino acaba sempre por ter as suas próprias especificidades, mas nunca deixa de constituir oportunidade imprescindível, para qualquer treinador colocar em prática o modelo de futebol ou estratégia a utilizar, numa competição com elevado grau de dificuldades, como é a fase final do Campeonato Africano das Nações.
A selecção sul-africana, sempre representou, para o conjunto angolano, um adversário difícil de ultrapassar, razão pela qual, o jogo particular pode e deve ser aproveitado, para o seleccionador tirar as derradeiras ilações em relação ao \"onze\", que pretende colocar em campo no embate inaugural do CAN, diante da Tunísia, bem como o modelo de futebol a adoptar. O histórico de confrontos entre Angola e África do Sul favorece os sul-africanos, facto que ajuda a perceber, claramente, o nível do adversário desta quarta-feira.  A última vitória dos Palancas diante dos Bafanas aconteceu em 2016,  por altura das eliminatórias ao CHAN disputado no Ruanda. A África do Sul disputa o CAN no Grupo D, ao lado das selecções da Costa do Marfim, Marrocos e Namíbia, ao passo que Angola está no grupo E, com a Mauritânia, Tunísia e o Mali.
Embalando nesta visão, este desafio amigável pode ajudar Angola a descortinar todas as dúvidas, em relação ao nível que se apresenta actualmente, a escassos dias de começar a Taça das Nações. A defesa pode voltar a ser colocada à prova, mas sobretudo o seu meio-campo, cujas grandes exigências prendem-se na capacidade de conservar a bola, maior tempo em sua posse e municiar o ataque com jogadas dignas de princípio, meio e fim. É a contar com essas eventuais adversidades, que o seleccionador Srdjan Vasiljevic ousa efectuar, quarta-feira, no segundo teste de avaliação – depois da Guiné Bissau – à capacidade de reacção da equipa nacional.
Longe do que venha a ser o desfecho do jogo (empate, derrota ou vitória), o fundamental é que o jogo ajude a acrescentar algum significado ao rendimento do colectivo e nível de qualidade da equipa, cujos grandes destaques residam nas incidências que venham a dominar a partida, em que os indicativos sejam relevantes para Angola e o seu futebol. É provável que o técnico sérvio venha a apostar na mesma estratégia e equipa que derrotou a Guiné Bissau, com uma ligeira diferença: Bastos e Fredy devem recuperar os lugares no \"onze\", depois de terem sido poupados, em virtude de terem chegado na véspera do jogo passado.
Angola deve jogar na quarta-feira da seguinte forma: Tony Cabaça à baliza; Bastos Quissanga e Dani Massunguna no centro da defesa; Paizo e Isaac nas laterais; Herenilson e Show, como médios recuados; Wilson Eduardo (ou Fredy), na posição de playmaker; Mateus Galiano e Djalma Campos, nos extremos; e  Gelson Dala, no ataque. 

ENSAIO
Tanzânia testa
com Zimbabwe


Depois do amistoso realizado na quinta-feira, em Alexandria, Egipto, diante da selecção anfitrião desta 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), a Tanzânia cumpre, esta semana, o segundo jogo de preparação do torneio em terras das majestosas e seculares pirâmides. Regressados a alta-roda do futebol africano, depois de 39 anos de ausência, os “Taifa Stars”, designação por que é conhecida a selecção tanzaniana, defrontam o Zimbabwe, antes de arrancar a sua campanha contra o Senegal, dia 23.
Quatro dias depois, os comandados do nigeriano Emmanuel Amunike enfrentam o Quénia e fecham o primeiro turno do CAN de 2019, frente a Argélia, a 1 de Julho próximo. No primeiro teste, já em terras egípcias, os tanzanianos perderam por 1-0 com a equipa da casa, que conta com sete títulos de campeão africana.
A estrela de Liverpool, Mohmed Salah, viu o jogo a partir do banco de suplentes. O único golo deste jogo-amistoso foi assinalado com uma cabeçada do defesa de Aston Villa, Ahmed Almohamady, aos 65 minutos.
Os defensores do “Taifa Stars” e o guarda-redes Aishi Manula conseguiram conter a pressão dos “Faraós” do Egipto, daí o magro resultado a favor da selecção do Magreb.
A Tanzânia está desde dia 6 deste mês no Egipto, palco desta 32ª edição da maior montra do futebol africano, que arranca na próxima sexta-feira. Lembre-se que esta será a primeira edição do torneio com 24 selecções, já que até então, apenas 16 equipas disputavam o certame.                        

EGIPTO-2019
Três selecções são estreantes


Madagáscar, Burundi e Mauritânia são as únicas selecções estreantes no leque das 24, que vão disputar a 32ª edição da Taça de África das Nações de futebol, que arranca sexta-feira, dia 21, no Egipto, com duelo entre a equipa anfitriã e o Zimbabwe.
A selecção malgaxe apurou-se ao conquistar a segunda posição no Grupo A, com 10 pontos, atrás do Senegal, primeiro, com 16. Os burundeses ocuparam posição e pontos semelhantes, no C, liderado pelo Mali, com 14, ao passo que os mauritanianos somaram 12, na série I, comandada por Angola, com o mesmo número de pontos.
O Campeonato Africano das Nações (CAN), regra geral, é realizado a cada dois anos desde 1968, sendo que antes em intervalos irregulares. Na primeira edição em 1957, apenas três selecções participaram: Egipto, Sudão e Etiópia.
Depois desta edição, criou-se um torneio de qualificação, devido ao crescente número de participantes, passando a competição a ser disputada por 16 equipas até 2017. A partir desta 32ª edição da grande montra do futebol continental, que o Egipto volta a albergar, depois de tê-lo feito há treze anos, o torneio passa a contar com 24 selecções.
Além da selecção anfitriã deste CAN, cujo sorteio foi em Abril no Cairo, Egipto, vão desfilar ainda o Zimbabwe, República Democrática do Congo (RDC) e Uganda (Grupo A); Nigéria, Burundi, Guiné Conacry e Madagáscar (B); Senegal, Tanzânia, Argélia e Quénia (C); Marrocos, Namíbia, Costa do Marfim e África do Sul (D); Angola, Tunísia, Mali e Mauritânia (E) e Camarões, Guiné-Bissau, Ghana e Benin (F).                                                SVD

TALENTO
Angolano Gelson Dala
entre as estrelas da prova


Gelson Dala, jogador que se notabilizou ao serviço do 1º de Agosto e com o qual sagrou-se duas vezes campeão nacional do Girabola Zap, a maior prova do futebol no país, é, inequivocamente, uma das estrelas que vai desfilar na presente edição da Taça de África das Nações. O jovem avançado emprestado ao Rio Ave pelo Sporting realizou uma época regular na Liga Portuguesa.
Totalizou 26 jogos em todas as competições, marcou sete golos e fez oitos assistências. Pela Selecção Nacional, o profícuo o ponta-de-lança tem igualmente números interessantes: vestiu 22 vezes a camisola dos Palancas Negras e marcou onze golos.
Na campanha de apuramento ao Campeonato Africano das Nações (CAN), que arranca sexta-feira no Egipto, apontou três dos nove golos da Selecção Nacional, numa concorrência em que foi apenas superado pelo capitão Mateus Galiano, que selou a sua conta com quatro. Djalma Campos, que chegou a exibir também a braçadeira de capitão, e Wilson Eduardo, que fez o tento da qualificação para o Egipto-2019, também entram na lista da artilharia do conjunto, nesta corrida a grande montra do futebol africano.
O internacional angolano Gelson Dala realizou cinco dos seis jogos da campanha da Angola na corrida ao CAN no Grupo I, tendo falhado apenas o derradeiro frente ao Botswana, disputado em Francistown, a 22 de Março último.
O craque dos Palancas totalizou, assim, 450 minutos, a par Bastos, numa disputa em que Paizo e Herenilson foram os dois jogadores que completaram os 90 minutos de cada um dos nos seis duelos da campanha, perfazendo desse modo 540 no cômputo geral.
De restoc Gelson Dala é detentor de uma margem de progressão que pode dar nas vistas e despertar o interesse de muitos olheiros nesta montra de futebol africano.

OUTROS CRAQUES
Além do internacional angolano Gelson Dala, outras estrelas como os conhecidíssimos Mohamed Salah e Sadio Mané, do Liverpool da Inglaterra, assim como Moussa Marega, do FC Porto, podem também notabilizar-se neste CAN do Egipto. Eis a seguir alguns dos nomes sonantes que, a princípio, estarão na prova:
Mohamed Salah - o jogador egípcio do Liverpool é, para muitos, a principal estrela desta Taça de África das Nações e terá como objectivo levar a sua selecção à conquista do título, sobretudo depois de ter ganho a Liga dos Campeões este ano pelo Liverpool. Sadio Mané - a par de Salah, foi uma das figuras mais importantes do Liverpool esta época e das peças chave, para a conquista da Liga dos Campeões. Na liga inglesa foi o melhor marcador, com 22 golos, juntamente com Salah e Pierre-Emerick Aubameyang.
Moussa Marega - o atleta maliano é uma das referências do ataque do FC Porto e fez uma grande época. Totalizou 47 jogos, 21 golos e onze assistências, em todas as competições.
Islam Slimani - o possante avançado argelino do Fenerbahce da Turquia, revela-se como um jogador letal. Jogou no Sporting de Portugal, onde despertou atenção de clubes ingleses, daí que o Leicester não tenha hesitado em pagar 30 milhões de euros pelo seu passe.
Frédéric Mendy - o craque da Guiné-Bissau fez uma época regular no Vitória Setúbal. Fez 31 jogos, seis golos e quatro assistências em todas as provas em Portugal.
Alex Iwobi - o avançado da selecção nigeriana e do Arsenal fez uma época com muitos jogos. Foi uma das peças chave da equipa inglesa e fez 51 jogos. Marcou na final da Liga Europa, a segunda maior prova europeia, mas o Arsenal perdeu 4-1 para o Chelsea.
Chadrac Akolo - o jogador do Estugarda é uma das grandes esperanças da selecção do Congo Democrático, para chegar longe no CAN. E dos poucos jogadores africanos a jogar na Bundesliga e isso pode dar-lhe uma frescura física importante nesta prova.
Keita Baldé - o craque do Inter de Milão vai representar o Senegal e é um dos atacantes, que pode causar dificuldades aos defesas das equipas adversárias, durante a competição.
Sofiane Feghouli - é uma peça central no meio do campo da Argélia. Já passou por campeonatos competitivos como o espanhol, onde jogou no Valência, e o inglês, em que actuou pelo West Ham. Actualmente representa o Galatasaray da Turquia.
Victor Wanyama - o jogador do Tottenham vai ser, seguramente, o patrão da defesa queniana. Pela selecção do seu país tem 52 internacionalizações e marcou 7 golos.
André Onana - é dos raros casos de jogadores africanos a jogar à baliza, ainda por cima num clube de topo como o Ajax. O seu clube fez uma grande época na Liga dos Campeões, e, a nível interno, ganhou o campeonato e a taça.
Thomas Partey - o craque do Ghana é uma das peças fundamentais do meio-campo do Atlético de Madrid, de Diego Simeone. Esta época não ganhou nenhum troféu, mas fez 42 jogos e marcou três golos, mostrando alguma eficácia em termos de artilharia.
SÉRGIO.V.DIAS