Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Palancas Negras continuam na corrida

18 de Outubro, 2018

Angolanos mantm a esperana de estarem presentes na fase final

Fotografia: Dombele Bernardo | Edies Novembro

A derrota da selecção de Angola na deslocação a Mauritânia, não comprometeu as suas aspirações, mas coloca os Palancas Negras numa condição de pressão, obrigado a vencer os últimos dois jogos, para concretizar o sonho de voltar a competir numa fase final do CAN.
Depois da vitória no Estádio 11 de Novembro, por uma margem folgada, na visita ao adversário não se esperava por algo parecido, mas um resultado positivo ainda que por margem apertado ou, no mínimo, o empate. Infelizmente aconteceu o que poucos esperavam. O futebol voltou  a mostrar que é, realmente, uma modalidade com resultados imprevisíveis.
Angola perdeu, é verdade, mas nada de tão grave aconteceu. A qualificação continua nas contas dos angolanos e teve ainda um aliado nesta jornada, o Botswana que, cansado de dar pontos, impôs um rigoroso empate ao Burkina Faso, adversário de Angola, no próximo dia 18 de Novembro, em Luanda.
Contudo, o único senão, após o desaire em Nouakchott, é que a partir de agora está proibido de voltar a cometer erros, para não depender de terceiros, mas apenas de si. O desfecho, na recepção aos Etalons, começa a ser determinante para o futuro dos Palancas Negras nesta campanha. É importante vencer, pois, os resultados entre os adversários directos, por vezes, define a sorte de cada um.
A imagem de sacrifício e de solidariedade patentes na entreajuda, entre o sector defensivo e a linha média, mas pouco compensada pela fraca eficácia do ataque, terão ditado o desfecho da Selecção Nacional, na deslocação a Mauritânia. Faltou maior concentração e capacidade técnica, para anular a desvantagem.
A cartada decisiva acontece no dia 22 de Março de 2019, em casa do Botswana. O resultado desse jogo vai consumar o objectivo traçado, caso contrário pode ser a repetição do filme do fracasso dos últimos anos. Um cenário que os angolanos não esperam repetir.
Olhando pelas contas deste grupo, os mauritanianos, com 9 pontos, estão na \'pole position\' , mas a derrota sofrida em Luanda pode pesar a seu desfavor nas contas finais. A vantagem pontual em relação aos outros concorrentes, pode ser anulada por este défice, na eventualidade de existir igualdade pontual. Angola tem, neste caso, de somar o maior número de pontos nos dois jogos que ainda lhe falta
O Burkina Faso neste momento tem vantagem sobre Angola. Tem um ponto a mais, marcou 6 golos, o mesmo número de Angola e tem melhor defesa. Os burkinabes permitiram a violação da sua baliza em três ocasiões, enquanto os angolanos levam já cinco. O saldo positivo dos Etalons (+3) é superior ao dos Palancas Negras (+1).
A campanha dos Les Mourabitones é, até ao momento, a melhor. Perdeu apenas um jogo e marcou em todas as jornadas, mas por culpa de Angola, na única derrota, têm um coeficiente nada positivo para este tipo de competição.
Por isso, as últimas duas jornadas prometem. Com excepção do Botswana, sem hipótese de qualificação, três selecções reúnem condições de carimbarem os dois passes rumo aos Camarões 2019.


REACÇÃO
Ivo Traça confiante na qualificação

A selecção nacional de futebol deve continuar a acreditar no apuramento ao CAN de 2019, nos Camarões, uma vez que não está nada perdido, admitiu,  o treinador adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça. Em declarações à Angop no final do jogo em que Angola perdeu, por 0-1, diante da similar da Mauritânia, em jogo da terceira jornada do Grupo I de qualificação a referida prova, disse que o facto de o adversário ficar na liderança do grupo, com 9 pontos, Angola tem ainda chances de chegar ao seu objectivo.
Acredita que se Angola levantar os níveis de confiança e com o potencial que o jogadores têm, vão conseguir tirar a melhor nos próximos dois adversários, o Burkina Faso (segundo do grupo, com seis) e o Botswana (último colocado, sem qualquer ponto).
O adjunto de Zoran Maki reconheceu que as linhas de passe dos Palancas Negras não tiveram bem, cometeram muitos erros e estavam a deixar-se levar pelo jogo do adversário, por isso sofreu o golo aos 18 minutos.
\"Não vai ser fácil para os Palancas Negras vencer o Burkina Faso (segundo do grupo, com sete), mas vamos jogar em casa. O treinador tem agora tempo para fazer as devidas correcções no que não correu bem nos dois últimos jogos.Os angolanos voltam a jogar no dia 18 de Novembro, diante dos burkinabes, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, e encerram esta fase apenas a 22 de Março do próximo ano, no terreno dos tswaneses. Os Palancas Negras procuram a sua oitava presença na fase final do CAN, depois da África do Sul (1996), Burkina Faso (1998), Egipto (2006), Ghana (2008), Angola (2010), Gabão e Guiné Equatorial (2012) e África do Sul (2013).

DESLOCAÇÃO A MAURITÂNIA
Queiróz critica abordagem do jogo

O antigo técnico do Petro de Luanda, Carlos Queiróz, apontou em Luanda, o embarque da selecção nacional para Mauritânia após jogo da terceira jornada, na última sexta-feira, como a causa da derrota averbada esta noite frente ao mesmo adversário, por 0-1, em partida da quarta ronda do grupo I qualificativo ao CAN de 2019, nos Camarões.
De acordo com o também ex-seleccionador, que reagia à Angop a propósito da exibição dos Palancas Negras, o grupo começou a entrar em desvantagem no segundo duelo, com os mauritanianos, ao viajar para o reduto do rival na noite que o venceu, por 4-1, no 11 de Novembro, o que lhe custou retenção por várias horas no aeroporto em Mauritânia, por desencontro na hora normal de serviço.
Na sua visão, os Palancas Negras tinham de pernoitar no país e seguir no dia seguinte para baixar a pressão dos atletas, mas não aconteceu e isso elevou em demasia a ansiedade.
Carlos Queiróz frisou igualmente que fruto da postura física do oponente, Geraldo tinha de ser uma aposta no onze inicial para desgastar os principais defensores, com a sua habilidade, e permitir maior movimentação de Gelson no reduto oposto, mas Srdjan Vasiljevic manteve 90 porcento da estrutura passada e o grupo a averbou desaire, baixando para o terceiro posto com 6 pontos.
Para o analista desportivo, Rúben Garcia, o grupo manteve as suas linhas ofensivas, conseguiu obrigar o adversário a recuar, mas pecou na finalização.
Com este resultado, a Mauritânia isola-se na tabela classificativa, com 9 pontos, seguido do Burkina Faso, com 7 pontos, Angola vem no terceiro posto, com seis pontos, enquanto o Botswana é quarto e último com um ponto.