Jornal dos Desportos

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Futebol

Palancas Negras derrotados na estreia frente aos Zebras

Honorato Silva - 29 de Maio, 2018

Srdjan Vasiljevic prepara as bases para o futuro competitivo da Seleco Nacional em frica

Fotografia: Agostinho Narciso | Edies Novembro

A Selecção Nacional de Honras de futebol, Palancas Ne-gras, está obrigada a derrotar amanhã a similar das Maurícias, para manter vivo o objectivo de passar aos quartos-de-final da 18ª edição da Taça Cosafa, depois da derrota de ontem, por 1-2, diante dos Zebras do Botswana, na abertura do Grupo D.
Com pouco tempo de preparação, quatro dias em Luan-da, a equipa escolhida por Srdjan Vasiljevic precisou de 45 minutos para assentar o jogo, lacuna bem aproveitada pelo adversário, que chegou ao intervalo a vencer por 2-0.
Tudo saía mal aos Palancas Negras. Desligado da defesa, o meio campo revelou-se, no primeiro tempo, incapaz de fazer a ligação com o ataque, daí o baixo desempenho dos avançados Nelinho e Kaporal, presas fáceis para a cortina defensiva dos tswaneses.
Coordenado pelo experiente Gerson, à baliza, o quarteto formado por Mona, Lulas, Bonifácio e De Paizo, todos à procura de calo competitivo ao nível da Selecção Nacional, teve trabalho redobrado, porque a dupla Show e Chiló estava ausente das despesas do ataque e deficitária no apoio à defesa.
O golo madrugador do Botswana resultou de uma abordagem precipitada de Gerson, ao derrubar Kabelo Seakanyeng, que ganhou a bola desenquadrado com a baliza. Caso conseguisse rematar, teria a acção estorvada por Bonifácio ou Lu-las, expeditos a compensar o guarda-redes.
Sem conseguir ligar o jogo, os pupilos de Vasiljevic sofreram, muito próximo do intervalo, o segundo golo, numa acção de contra-ataque típico das equipas que perfilham o futebol inglês, com bolas alçadas para as costas da defesa. Os Palancas Negras ficaram mal na fotografia, sobretudo pela falta de agilidade revelada na transição, depois de ter sido anulado o movimento ofensivo.

Mudança no banco
As entradas de Carlinhos e Chico Banza, em substituição de Chiló e Nelito, respectivamente, revolucionou o futebol da Selecção Nacional, que, num ápice, inclinou o campo para a baliza defendida por Mwampole Masule, até então pouco solicitado.
Seguro na condução da bola, o médio do Petro de Luanda fez luz no meio cam-po dos Palancas Negras. Deu liberdade a Show, que passou a jogar com vivacidade, quer no processo defensivo quer na preparação do ataque, num claro desassossego dos Zebras.
A presença de Chico Ban-za libertou Vá, que nos flancos ganhou espaço para so-
licitar a entrada de Karopal, finalizador assistido pelo extremo no lance do golo da equipa angolana. As atenções estão agora postas no jogo de amanhã, às 16h00, diante das Maurícias, no Estádio Seshego.
Apesar do enguiço na etapa inicial, as apostas de Vasiljevic deixaram bons indicadores para a perspectiva de futuro, já a pensar nos compromissos de Set-embro, Outubro e Novem-bro, da corrida ao CAN do próximo ano, nos Cama-rões. O primeiro adversário será exactamente o Botswana, no Estádio Nacional 11 de Novembro.
Apenas o vencedor do grupo tem acesso aos quartos-de-final, onde terá pela frente o Zimbabwe. Sexta-feira, na última jornada, a equipa angolana vai defron-tar o Malawi, que ontem à noite jogou com as Maurícias, na estreia.
Os Palancas Negras têm no palmarés três títulos da prova da Região Austral do continente.
A primeira conquista foi em 1999, sob a batuta do já falecido técnico brasileiro Djalma Alves Cavalcanti, secundado em 2001, por Má-rio Calado, e 2004, por Oliveira Gonçalves.