Jornal dos Desportos

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Futebol

Palanquinhas revelaram qualidade em solo brasileiro

Pedro Augusto - 05 de Abril, 2021

Sub-17 atingiram os oitavos-de-final

Fotografia: Jornal dos Desportos

Já com o país a celebrar 17 anos de paz, isso em 2019, o futebol angolano voltava à “boca do Mundo” pelas melhores razões: A qualificação da selecção Sub-17 ao Mundial da categoria, disputado de 26 de Outubro a 19 de Novembro, em quatro Estados brasileiro.
Sob comando técnico de  Pedro Gonçalves, actual seleccionador de honras, os Palanquinhas souberam honrar Angola no ano de estreia na prova.

A qualificação aos oitavos-de-final, fase em que foi eliminada pela Coreia do Sul, por 1-0, foi justa pela postura apresentada pelo grupo que revelou ao mundo nomes como Zine Salvador (23º melhor marcador do campeonato), Afonso, Maestro, Pablo, Gegé, Capita, Domingos e Geovani. As vitórias sobre à Nova Zelândia e o Canadá, ambas por 2-1, levaram Angola a discutir o primeiro lugar do grupo com o anfitrião Brasil, na última jornada, duelo em que os angolanos acabaram derrotados por duas bolas a zero.

Embora derrotados na terceira e última jornada da fase de grupos, os comandados de Pedro Gonçalves acabaram por marcar presença na fase seguinte e alguns caíram na graça de vários “olheiros” do futebol mundial.  O avançado Zine Salvador, do 1º de Agosto, o médio Maestro (AFA), Capita (ex-Trofense de Portugal) e Zito Luvumbo (ex-1º de Agosto) e Gegé (Petro de Luanda) foram os mais avaliados na equipa de Pedro Gonçalves. O sucesso dos Palanquinhas resultou do excelente trabalho de prospecção efectuado pela equipa técnica nacional e da própria direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), encabeçada por Artur de Almeida e Silva.                                      

SEIS PRESENÇAS NO CAN
Regularidade em nove edições


A conquista da paz em Angola, em 2002, trouxe inúmeros benefícios para o futebol nacional, principalmente no capítulo competitivo. A Selecção Nacional de honras, que não participava há três edições numa fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), depois da última presença em 1998, no Burkina Faso, regressou à cimeira continental em 2006.
Com Oliveira Gonçalves no comando técnico, os Palancas Negras garantiram o apuramento para o CAN do Egipto, no mesmo ano em que fizeram a sua estreia (única presença) na fase final do Mundial, porém a prestação não foi a desejada, pois foi eliminada na primeira fase.

Contudo, o erro acabou por ser corrigido no CAN do Ghana, em 2008, ano em que Angola teve a sua melhor prestação em quatro participações. Ou seja, ainda sob comando de Oliveira Gonçalves, os Palancas Negras atingiram, pela primeira vez, os quartos-de-final, tendo perdido nessa fase com o Egipto, selecção que se sagraria campeã africana. O calar das armas trouxe à organização do CAN 2010 para Angola, àquela que seria a terceira participação consecutiva dos Palancas Negras no evento. A Selecção Nacional conseguiu a mesma prestação que a da edição anterior, quartos-de-final, fase em que foi afastada pelo Ghana (1-0).

Seguiu-se a presença nos CAN da Guiné Equatorial (2012) e África do Sul (2013), concluindo, deste modo, a melhor fase de Angola no evento, cinco vezes consecutiva. Porém, o sucesso em tempo de paz foi interrompido nas edições de 2015 e 2017, tendo o regresso dos Palancas Negras à grande cimeira do futebol acontecido em 2019, no Egipto. Quando tudo indicava que estavam criadas as condições para a manutenção do sucesso, Angola acaba de falhar presença no CAN 2022, com sede nos Camarões, ao terminar em último no grupo I.  
Deste modo, em tempo de paz, os Palancas Negras, em nove edições, marcaram presença em seis fases finais.