Jornal dos Desportos

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Futebol

Passivos condicionam execuo de programas

Jorge Neto - 21 de Janeiro, 2019

FAF est engajada e determinada a cumprir com a materializao dos seus propsitos

Fotografia: Miqueias Machangongo | Edies Novembro

O enorme passivo e dívidas com alguns credores, resultantes da gestão dos elencos anteriores condicionam o cumprimento dos programas e actividades correntes, como o pagamento de salários da Federação Angolana de Futebol (FAF).
A afirmação foi feita pelo presidente de direcção da FAF, Artur Almeida, à margem da Assembleia Geral Ordinária daquela instituição realizada no último sábado numa das unidades hoteleiras de Luanda.
\"Enfrentamos enormes dificuldades de ordem financeira, principalmente por existência de passivos e dívidas de elencos anteriores. Mas, estamos engajados e determinados em cumprir com a materialização dos nossos propósitos em prol do desenvolvimento do futebol nacional. Quando há seriedade e trabalho é possível superar os obstáculos\", garantiu.
Artur Almeida destacou as melhorias dos aspectos administrativos, êxitos competitivos das selecções nacionais, em função do resultado de mais condições de apoios, implementação dos regulamentos de licenciamento, aposta na formação e recuperação do sector feminino, a projecção da Liga dos clubes, que poderá acontecer em 2020, entre outras acções. 
O dirigente revelou que está em curso uma auditoria da FIFA, iniciada em 2017, feita pela empresa PWC, cujos resultados poderão ser divulgados em breve e quando acontecer poderá trazer grandes benefícios para a modalidade no país.
\"Existe uma auditoria da FIFA e os seus resultados poderão ser divulgados ainda este ano. Quando acontecer, o País terá enormes benefícios, consubstanciados no cumprimento e implementação dos seus programas de desenvolvimento do futebol nacional. Por isso, devemos aguardar o processo com alguma atenção\", avançou.  
Em relação aos apoios por parte da FIFA, além do subsídio anual de funcionamento das federações, que a instituição internacional garante a todas filiadas, existem outras de incentivos ao fomento da modalidade.  O dirigente federativo explicou ainda que enquanto durar a auditoria ao passivo e actividades da FAF, o país fica  privado de qualquer subsídio adicional por parte da FIFA.  
Artur Almeida abordou, recentemente, num encontro em Zurique, Suíça, com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, questões relacionadas com a modalidade no país, bem como a possibilidade deste visitar Angola.       
O mandato do actual elenco da FAF iniciou em 2016 e termina em 2020, onde Artur Almeida é o sétimo presidente daquela instituição, quarto que assume funções por via de eleições, venceu no pleito, por 67 votos, derrotando José Luís Prata (54) e Osvaldo Saturnino “Jesus” (13), prometendo, entre outros, resgatar o prestígio do futebol angolano.

RESULTADOS
Associados consideram
encontro proveitoso

Os representantes das Associações Provinciais de Futebol (APF) saíram satisfeitos e foram unânimes em considerar de \"muito proveitoso\" as conclusões do evento, que juntou pela primeira vez este ano os dirigentes ligados a modalidade rainha no país.
António Machado, presidente da Associação Provincial de Futebol do Huambo, defendeu que, \"apesar de algumas contradições, próprias do Homem, o importante foi a contribuição de todos os participantes, visando solucionar os problemas e permitir o desenvolvimento do futebol angolano\".
O presidente da Associação Provincial de Futebol de Luanda, Domingos Tomás, destacou que o momento serviu para avaliar e discutir os pontos constantes da agenda, para solução de alguns problemas que afectam a FAF.
\"Discutimos o que se previa e também fizemos as recomendações que achamos pertinentes, em benefício do futebol nacional. A nossa visão e sugestão foi ainda na necessidade da certificação de todo o passivo e divulgação das dívidas da FAF, para que seja do conhecimento de todos. A referida situação negativa da FAF também afecta as associações, por isso, deve ser transparente e resolvida\", finalizou.   
A questão da organização e funcionamento das associações desportivas, um assunto levantado pelo jurista Sérgio Raimundo, motivou algumas discórdias, questionamentos e fortes debates, durante o encontro.           


DESPESAS
Federeção precisa
de um bilhão de kwanzas

As despesas das actividades referentes ao ano de 2019 da Federação Angolana de Futebol (FAF) estão orçadas em um bilhão e duzentos mil kwanzas, segundo o presidente daquela instituição que dirige a modalidade no país.Artur Almeida explicou que esperam conseguir este montante com a ajuda do Governo e de alguns patrocinadores, que servirão também para os compromissos da selecção nacional.
\"Estabelecemos um orçamento de um bilião e duzentos mil kwanzas, para a nossas despesas do presente ano e contamos sempre com a contribuição e apoio do nosso Governo. Também vamos recorrer aos eventuais sponsors e cumprir com os programas e actividades da FAF, em benefício da modalidade\", disse, acrescentando que o Governo apoia com 70 por cento e os patrocinadores com 30.
A regularidade do salário dos técnicos da selecção nacional, que, em Março, defronta a congénere do Botswana, no último jogo de qualificação ao CAN2019, a possibilidade de divulgação dos resultados da auditoria feita pela FIF, a criação da Liga, em 2020, a implementação dos regulamentos de licenciamento de jogadores, entre outros, mereceram ainda referências por parte do líder federativo.
A reunião foi presidida pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Mota Liz, onde os associados (APF) aprovaram o plano de actividades e o orçamento para o presente ano (2019).