Jornal dos Desportos

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Futebol

Pedro Neto quer vingana agostina

Betumeleano Ferro - 27 de Setembro, 2018

Ex-dirigente do clube militar quer qualifificao no duelo com os tunisinos

Fotografia: Miqueias Machangongo | Edies Novembro

As duas décadas que separam a final perdida da Taça dos Vencedores das Taças em 1998 e a meia-final da Champions em 2018, são uma linha imaginária para Pedro Neto, presidente do 1º de Agosto no desenlace com o Espérance de Tunis. O dirigente revelou ao Jornal dos Desportos recusa permitir que o tempo cure a magoa que fez adoecer o seu coração, mas como não há regra sem excepção, assegura que vai se sentir compensado se houver \"a vingança do chinês\".
Sem esconder a emoção que permanece, o ex-presidente do clube rubro negro há muito que almejava por uma segunda chance para que os tunisinos provassem do mesmo veneno. Há anos que ele deixou de ser o máximo responsável da formação militar, mas o sentimento permanece inalterável.
\"Exactamente, esta é uma grande oportunidade para fazermos a revanche, temos todas as condições para fazermos a vingança do chinês de que já falei, em relação a final perdida em nossa casa\", sublinhou.O plantel do 1º de Agosto é formado por atletas que estavam nascidos em 1998 e Pedro Neto anseia ver os jogadores a perceberem a importância do que aconteceu há décadas para escrever uma nova página dourada na história do clube. \"Eu estou certo de que essa nova geração que faz parte da equipa vai saber interiorizar esse sentimento\", vaticinou.
O campeão nacional foi o clube angolano que mais perto esteve da glória africana, é por isso que o ex-dirigente vê além. Para ele, o apuramento dos militares pode curar as magoas de todos os que se esqueceram das cores clubistas, para estarem unidos e torcerem para o mesmo objectivo. 
\"Seria muito bom se pudéssemos nos vingar. Seria uma grande alegria vingar essa derrota com o apuramento à final e um grande brinde para o nosso futebol, para todos os desportistas e também para o povo em geral\", realçou.   
A final perdida para o Espérance de Tunis manchou o currículo de Pedro Neto. O 1º de Agosto teve a faca e o queijo nas mãos para se eternizar na história, mas fracassou, sendo esse o motivo principal por que o diz ter todas as razões para viver com as lembranças do passado. \"Até hoje, está encravado na minha garganta. Seria a melhor conquista que iria constar no meu palmarés como dirigente desportivo, esteve perto de acontecer\", lamentou.
O 1º de Agosto fez coisas boas em 1998 na mais tarde extinta Taça dos Vencedores das Taças, ganhou adversários mais cotados como o USM da Argélia e o Africa Sports de Abidjan, mas o que menos esperavam acabou por acontecer na Cidadela. 
Os militares tiveram chances de repetir a mesma proeza alcançada nas meias-finais ante o Africa Sports, curiosamente na primeira mão também perderam extramuros por 3-1, mas no tribunal da Cidadela o 1º de Agosto fracassou quando estava prestes a fazer história. \"Hoje eu sou lembrado como um finalista derrotado\", disse inconformado.


CONVICÇÃO
\" Espérance está ao nosso alcance\"


Pedro Neto revelou que todos os jogos do Espérance de Tunis que viu na televisão serviram para reforçar à sua convicção, \"está ao nosso alcance\". É verdade que os tunisinos tem boa qualidade no seu plantel, mas o 1º de Agosto é adversário da mesma bitola,.
\"Eu vejo sempre os jogos deles e estou consciente que vai ser difícil levar de vencida a esta equipa bem organizada, mas o meu palpite é que há 50 por cento para cada lado\", vaticinou.
Uma vitória em Luanda até pode ser magra, mas a experiência ensinou o dirigente com experiência nestas andanças que o mais importante é impedir que o adversário marque em Luanda. Esse para ele foi um dos segredos da eliminatória contra o Mazembe. 
\"Um resultado positivo para mim até pode ser 1-0. Na verdade, o importante é não deixar o adversário marcar em nossa casa, porque pode fazer toda a diferença. Nos jogos a eliminar isso acaba sempre por ser determinante, como sucedeu na eliminatória passada\", valorizou.


 SEGUNDA MÃO
General alerta para  jogo
de bastidores dos tunisinos


Os papeis se inverteram agora, o 1º de Agosto vai ter de decidir a eliminatória em casa do Espérance Tunis. Essa realidade é incontornável, mas é motivo de preocupação para o general Pedro Neto, pois, desconfia que os tunisinos  podem jogar com todas as armas que têm, até a habilidade nos bastidores para conseguirem inverter as coisas à seu favor.
A Champions é televisionada em directo, mas o tempo de presidência no 1º de Agosto e na FAF deram a Pedro Neto, voto na matéria para falar de coisas que as câmaras não conseguem captar. \"É esse o meu grande motivo de preocupação porque eles sabem usar de sub-reptícia, perdoem a minha franqueza, mas isso também lhes beneficia\", argumentou.
Telespectador atento, mostra-se convicto de que o representante angolano tem potencial para se apurar, mas a decisão da eliminatória deveria ser em Luanda. \"Lamentavelmente, a primeira mão vai ser em nossa casa. É claro que estou preocupado com isso porque jogar no Magrebe é muito complicado, por todas as razões que se podem enumerar\", garantiu.
O Espérance de Tunis vai jogar com todos os truques que aprendeu para chegar à glória africana, mas o general quer que o 1º de Agosto se inspire no presente para sorrir no final. \"Vamos ter muitas dificuldades em Tunis, mas quem venceu uma eliminatória com uma equipa do gabarito do TP Mazembe também pode fazer o mesmo ao Espérance\", prognosticou.
A única coisa que os militares têm de fazer é usar a mesma fórmula que deu o sucesso contra os congoleses democráticos. Pedro Neto sabe que assim como nos quartos-de-final eram poucos que acreditavam que as meias-finais se tornariam mesmo realidade. 
\"Quem chega a essa fase nada mais tem a perder. Estou convencido de que se a equipa tiver a mesma concentração da segunda mão contra o Mazembe, seguramente vai estar na final da Champions\", mostrou-se convicto.