Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Percurso de uma prova de soberania nacional

25 de Janeiro, 2017

Girabola foi disputado por 12 equipas

Fotografia: Jornal dos Desportos

A 8 de Dezembro de 1979 foi dado o pontapé de saída do campeonato nacional. Houve uma mobilização generalizada. As 16 províncias de então - antes da repartição da Lunda e da criação do Bengo - estiveram representadas.

Vinte e quatro equipas envolveram-se, dispostas em quatro séries de seis formações, num formato diferente do actual (com meias-finais e final).
As 14 melhores classificadas apuraram-se para a edição 1980, já jogada no modelo tradicional, sendo que as três últimas eram despromovidas, e os vencedores das três séries do torneio de apuramento à primeira divisão ocupam as vagas.

O 1º de Agosto foi o primeiro campeão nacional, venceu na final o Nacional de Benguela, por 2-1. Para chegar à primeira e única final da história do Girabola, eliminou a TAAG e os Palancas do Huambo, nas meias-finais.

Do “pré-histórico” Girabola ficou marcado com o registo da goleada da TAAG (actual ASA), por 11-0, sobre o Desportivo de Xangongo do Cunene.
A prova em 1980 foi disputada por 1º de Agosto, Nacional de Benguela, TAAG, Palancas do Huambo, Estrela Vermelha (Mambrôa), FC do Uíge, Construtores do Uíge, Académica do Lobito, Desportivo da Chela, Ferroviário da Huíla, Diabos Verdes (Sporting de Luanda), Santa Rita, Sassamba da Lunda Sul e Sagrada Esperança. Estas foram as 14 melhores equipas do primeiro Girabola.

Os restantes “fundadores” (classificados entre a 15.ª e 24.ª), são: Luta SC de Cabinda, FC Mbanza Congo, Ginásio do Kuando Kubango, Xangongo do Cunene, Naval do Porto Amboim, Diabos Negros, Makotas de Malanje, Vitória do Bié, Juventude do Kunje e 14 de Abril.

O 1º de Agosto foi o primeiro tri - campeão (1979, 1980, 1981). Os “militares” são a par do ASA, os únicos totalistas da prova. O campeonato registou em 1981 a entrada do Petro de Luanda, que acabou por dominar o futebol nacional, somou até agora 15 troféus, contra 10 dos rubro -negros.

Em consequência, fundamentalmente do conflito armado que o país viveu, a província do Huambo viu os seus clubes afastados da competição, em 1993 e 1994, altura em que o Girabola foi disputado por 12 equipas.

O sistema de três pontos (em vez de dois) por vitória, foi implementado em 1995.

A equipa com maior sequência de vitórias é o Petro de Luanda, com cinco (1986-1990). João Machado (18 golos) dos Diabos Verdes foi o goleador inaugural. O recorde de tentos, no entanto, é de Carlos Alves (1980) com 29 golos, ao serviço do 1.º de Agosto.

O português Bernardino Pedroto detém o maior número de títulos e a melhor sequência de triunfos (2002, 2003, 2004 pelo ASA). O brasileiro António Clemente também é “tri” com o Petro de Luanda, mas num período mais longo.

Luanda dá goleada em triunfos, pois a taça de campeão nacional  saiu sete vezes em 38 edições - Petro (15), 1º Agosto (10), ASA (3), Interclube (2) e Kabuscorp.

O Recreativo do Libolo do Cuanza Sul (4), o 1.º de Maio de Benguela (2) e Sagrada Esperança da Lunda Norte (1) são os distintos “forasteiros”.
Para 2017, a prova regista o regresso das províncias do Uíge e Moxico, assim como assinala o retorno de dois representantes do Huambo, o que não ocorria há muito, depois do Mambrôa e Petro.

Há duas estreias absolutas: Santa Rita de Cássia do Uíge e JGM do Huambo.