Jornal dos Desportos

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Futebol

Petro salva poca

Paulo Caculo - 12 de Novembro, 2017

O Petro de Luanda levantou a Taa de Angola em futebol

Fotografia: Paulo Mulaza|Edies Novembro

O Petro de Luanda levantou a Taça de Angola em futebol ao vencer ontem na final disputada no Estádio 11 de Novembro, o 1º de Agosto por 2-1. Tratou-se, sem dúvida, de uma vitória que surpreendeu a muito boa gente, já que era suposto que o favoritismo fosse da turma militar em face daquilo que foi o seu coeficiente na fase final do campeonato nacional da primeira divisão.
Na verdade, embora se tratando de uma partida entre os dois gigantes do nosso futebol, para muitos analistas da "coisa desportiva" quem se apresentava em melhores condições no jogo era a formação militar. Primeiro porque em face da conquista do campeonato tinha o moral elevado, segundo porque o Petro vinha dando na ponta final alguns sinais de falência.
Entretanto, o que aconteceu no relvado foi o inverso. Vimos desde o começo da partida um Petro ousado e destemido em campo, fazendo o seu jogo sem limitações e atacando o último reduto contrário com muita confiança. Quem pensou que o favoritismo fosse militar muito cedo foi chamado a corrigir este raciocínio e a acreditar que no campo estavam duas equipas com o mesmo valor competitivo.
Aliás, o Petro de Luanda tratou de mostrar que estava em campo com objectivo claro logo nos minutos iniciais, quando as suas unidades da linha ofensiva começaram a criar embaraços ao último reduto militar, com o guarda-redes Nuno a ser chamado a intervenções arrojadas em algumas circunstâncias. A partir daí ficou claro que estávamos perante uma verdadeira final que não tinha um vencedor antecipado, mas que seria disputado ao milímetro.
Mais ousado e talvez desconfortado com a derrota no campeonato, o Petro chegaria ao golo ao minuto 41´ por intermédio de Job. Se o golo significou um passo à frente pela equipa de Beto Bianchi, por outro, significou o relançamento do jogo, pois o 1º de Agosto inconformado com o resultado tomou de assalto o meio-campo petrolífero, mas sem êxito, porque a equipa estava coesão e compacta.
É certo que em algumas ocasiões chegou à baliza de Gelson, mas a equipa do Petro estava determinada a não permitir outra desfeita depois de já ter sido superada no campeonato nacional. Os seus homens escaldados para o sector defensivo estiveram sempre aptos a neutralizar todas investidas ofensivas, procurando sempre fechar as linhas de passe das unidades ofensivas do 1º de Agosto.
Como que mostrando que não estava em vantagem por mero acaso, e contra todas expectativas, voltava a visar a baliza de Nuno aos 57´. Este golo, de Tiago Azulão, diga-se, em boa verdade, acabou por revelar aquilo que era a intenção da turma petrolífera em campo. Talvez o 1º de Agosto tenha começado a perder o terreno por aí, embora sem dar costas à luta.
O golo de Diogo Rosado, aos 58´, numa reacção rápida ao golo de Tiago Azulão, traduziu o lançamento de achas à fogueira. A equipa acreditou que era possível dar a volta por cima; empenhou-se, mas no lado oposto tinha um adversário apostado a não facilitar. As suas unidades escaladas no sector atacante continuava a defender o resultado.
Claro está, que em algumas ocasiões esteve próximo do golo da igualdade, mas sempre dificultado pela ousadia e determinação de unidades escaladas no sector defensivo por Beto Biachi. Enfim, diga-se que o Petro estava decidido a levantar a taça, perante a necessidade de salvar a época depois do fracasso no campeonato.
Em todo o caso, convirá reconhecer que apesar da vitória petrolífera as duas equipas bateram-se com galhardia. Dai que apesar de a vitória ter sorrido a favor do Petro de Luanda, também convirá reconhecer que o 1 de Agosto soube valorizar o espectáculo, e caso a vitória tivesse sorrido a seu favor não seria coisa de outra galáxia.