Jornal dos Desportos

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Futebol

Presidente do Atlético do Namibe defende campeonatos regionais

Manuel de Sousa, Namibe - 21 de Março, 2017

Campeonato Nacional da Primeira Divisão devia iniciar em Dezembro defende o presidente do clube namibense

Fotografia: Santos Pedro

O presidente do Atlético do Namibe, João Pedro Paxe, defende a realização de campeonatos de futebol por zonas, e apura-se para a final nacional, os primeiros classificados de cada região a ser disputado numa das províncias, para facilitar a vida financeira de alguns clubes que fazem um esforço gigantesco para se manter no Girabola Zap, nos actuais moldes de disputa.

De acordo com João Paxe, para além do actual molde de disputa do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão dificultar grandemente as equipas dos clubes considerados pequenos, os custos de alojamento em todo o país, o transporte, a subida galopante dos preços no mercado, são também grandes pontos de desequilíbrio que prejudicam as formações que dão vida à prova nacional.

“Há várias modalidades que podem ser ensaiadas, mas os custos elevados com o alojamento, transporte e outros vão manter-se, por isso ,deve-se trabalhar nesse aspecto com os operadores da área de hotelaria e turismo, e com as empresas transportadoras para baixar os preços e terem clientela”, disse.

O dirigente desportivo defende a realização de provas regionais, em todos os escalões, por que congregar numa província várias formações para a disputa de um campeonato nacional torna-se dispendioso para os clubes, para além não atingir o objectivo de dar muitos jogos aos jovens atletas, que futuramente podem engrossar as equipas seniores.

“O que tem acontecido até aqui, colocar mais de 20 equipas numa província para disputar uma prova nacional, é extremamente dispendioso. Vimos, agora, o que aconteceu em Cabinda para o campeonato nacional de juniores, foi um desastre em termos de transporte, por isso, apelamos aos clubes e ao órgão reitor da modalidade no país (FAF), no sentido de partir para a disputa de provas regionais, por um lado, para dar mais  jogos aos nossos atletas, e por outro, para minimizar os gastos com o transporte e alojamento”, referiu.

GIRABOLA ZAP
A calendarização urgente do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, para se evitar o longo tempo de defeso dos jogadores, e a eliminação precoce das equipas angolanas nas provas internacionais, é na óptica do presidente do Atlético do Namibe, Pedro Paxe, um assunto que devia ser resolvido há muito tempo, para o bem da modalidade no país.

“O nosso campeonato termina em Outubro, depois de um mês, devíamos  trabalhar para que em Janeiro, altura em que começam as provas africanas, os nossos atletas tivessem muitos jogos nas pernas. Por outro lado, íamos ajustar a nossa prova a nível das da nossa região, o nosso campeonato, que em minha opinião deve arrancar em Dezembro”, defendeu.

CLUBE  NAMIBENSE
Ernesto Castanheira negoceia regresso


A direcção do Atlético do Namibe está em negociações com o treinador Ernesto Castanheira, que se encontra de repouso nestas paragens, e que já teve uma passagem brilhante no referido clube, em que foi consagrado pela Rádio 5 como técnico revelação do Girabola em 2011, para orientar a formação namibense esse ano. 

A contratação do treinador Ernesto Castanheira, segundo o presidente João Pedro Paxe, enquadra-se no reforço da equipa técnica e do Departamento de futebol, dados os futuros compromissos do Atlético do Namibe, orientado nessa altura pelo treinador Ernesto Baptista "Sessé", coadjuvado pelo ex-internacional Manuel Dias "Minhas", cujo trabalho considera-se positivo,  face aos resultados alcançados nas competições nacionais.

Para a disputa do campeonato provincial e provavelmente da segunda divisão, o clube vai contar com os jogadores formados internamente, segundo João Pedro Paxe, para evitar despesas com atletas de outras paragens. O desejo de muitos atletas formados localmente, e que actualmente representam vários clubes nacionais, em encerrar as suas carreiras em casa e no clube que os formou, é encarada pelo presidente do Atlético do Namibe, como salutar, já que pode trazer consigo experiência a ser transmitida aos jovens atletas.

 O Atlético do Namibe está a trabalhar em parceria com outras agremiações e com o Departamento Técnico da Federação Angolana de Futebol (FAF), no sentido salvaguardar os interesses dos clubes, de proteger os jovens jogadores formados internamente, dar-lhes melhores condições para que não sejam aliciados facilmente por clubes de mais posses. O clube conta com parceria administrativa do Petro de Luanda, Benfica do Lubango, Sporting de Cabinda e Académica do Lobito no capítulo de troca de jogadores e de outros benefícios.

Administrativamente, a direcção do clube está a fazer alguns ajustes, com vista os próximos desafios, como o reforço do departamento de futebol, a melhoria da contabilidade e outros sectores, que clamam por quadros à altura das exigências. O clube continua a receber 1 milhão de dólares/ano do patrocinador principal, a Chevron Texaco, valor considerado irrisório para acudir as despesas com salários e viagens, não só para o futebol, como para as demais modalidades.
MS