Jornal dos Desportos

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Futebol

Projecto pretende ajudar a pr atletas no exterior

Betumeleano Ferro - 26 de Novembro, 2017

Gestor da Talent Spy anseia usar a sua experincia para ajudar os clubes angolanos

Fotografia: Edies Novembro

A Talent Spy é um projecto ligado ao futebol, que pretende pôr em prática a sua experiência, a fim de ajudar os clubes angolanos a encontrar mercado internacional para os seus atletas, revelou ao Jornal dos Desportos o gestor de produtos Pedro Vital.
"Nós não agenciamos, o nosso trabalho não é esse, mas podemos ajudar com informações que podem potenciar os atletas para uma eventual venda", afirmou.
Uma das lacunas que a Talent Spy descobriu, é a "falta de marketing". Há atletas talentosos em Angola, mas os potenciais compradores não têm como saber da existência dessa qualidade.
 "Esse é um dos problemas que há, falta esse marketing e afirmação para aproveitar o potencial que constatamos que também existe aqui, mas que ainda é desconhecido lá fora", garantiu.
A Talent Spy está presente em cerca de 100 países, chegou a Angola há 3 anos, para tentar tornar o nosso futebol tão atractivo, quanto os outros mercados existentes.
"Queremos ajudar no processo de evolução que se pretende, podemos usar o que temos adquirido em todo mundo, para acrescentar ferramentas e conhecimento para o futebol crescer, até os níveis desejados", afirmou Pedro Vital.
Do campeonato nacional, saíram excepções que estão na Europa, como Bastos, na Itália, Gelson e Papel, em  Portugal, mas o gestor de produtos da Talent Spy diz ser possível contornar a situação, para que o produto "made in Angola" chegue aos grandes mercados.
 "Aqui há paixão pelo futebol, o talento existe, mas é preciso potenciá-los para que possam atingir as grandes competições", garantiu.
Se o mercado internacional se abrir para o futebol angolano, as contratações vão tornar-se uma rotina anual, mostrou-se convicto Pedro Vital.
"Não há melhor forma de potenciar, do que exportar os talentos que existem, é esse o caminho a seguir, para que todos se beneficiem dessa
abertura", enalteceu.


CONSELHO
Clubes podem facilitar mercado


O gestor de produtos da Talent Spy, Pedro Vital, disse que o clubes nacionais podem ser determinantes na abertura do mercado, e neste capítulo, aconselhou as equipas nacionais a trabalhar na captação, formação e saber a hora exacta de vender.
"Não podemos ter ideias, que fechem as portas aos interessados. Agir assim, é uma maneira de fechar o mercado, o que se pretende é que esses talentos se afirmem, primeiro, em Angola, antes de serem transferidos”, vaticinou.
O número elevado de jogadores nos grandes campeonatos europeus, os mais competitivos do mundo, vai trazer de imediato outra consequência, vai elevar a qualidade da equipa nacional. “É assim que o futebol angolano vai começar a ganhar, até a selecção vai ganhar com atletas nos grandes campeonatos", afirmou.
 A tendência de vender talentos é mundial. Por isso, Pedro Vital quer ver o futebol angolano a seguir a norma mundial, reter os atletas é um erro, que nunca traz muitos benefícios.
"Tirando dois ou três países, todos os demais são vendedores. O exemplo recente de Portugal, ilustra bem a importância de estar sempre a vender, nunca teria selecção competitiva, nem seria campeã europeia, se não vendesse", concluiu.                                                 


MANDATO
Dirigentes aconselhados
a serem mais assertivos


Pedro Vital considera, que futebol angolano pode desenvolver-se nas condições actuais, se as direcções dos clubes desempenharem bem os seus mandatos.
Por esta razão, exorta para que se faça os possíveis para fazer um pouco mais, embora essa seja a era das vacas magras. "A questão que se coloca, é que são os dirigentes que gerem, são eles que definem o sentido que querem dar aos clubes, como se deve dar a evolução nos seus mandatos", afirmou.
Durante três anos consecutivos, de contacto com a realidade angolana, o gestor de produtos da Talent Spy  notou diferenças de comportamento que o  levam a concluir, que os dirigentes estão a perceber que também são parte da solução.
"Eles têm responsabilidades e precisam de assumi-las, felizmente, eu sinto que aos poucos começa a haver mais sensibilidade, já consigo compreender que com métodos próprios de planeamento, dá para mudar o actual rumo do futebol", garantiu.
A velha questão do dinheiro, não pode ser usado sempre como desculpa para justificar o que podia ser feito,  e sobre isto, Pedro Vital reconhece que o tempo dos milagres já passou, mesmo no contexto actual ainda dá para fazer boas coisas.
"É verdade que nada se faz sem dinheiro, mas também falta organização, há coisas como uma boa captação de talentos, que podem ser feitas sem grandes recursos", sublinhou.
As direcções mostram preocupação de trabalhar bem os seus escalões de formação, mas a teoria ainda tem falado mais alto do que a prática, alertou Pedro Vital. "Os clubes devem ter projectos consistentes, porque se tudo estiver organizado, a coisa é capaz de mudar", mostrou-se convicto.

“Os talentos
ainda existem”
Até mesmo nos países mais desenvolvidos, nem todos têm os mesmos recursos financeiros, mas muita coisa boa está a ser feita. O mesmo pode acontecer em Angola, desde que se cumpram todas as etapas.
Nesta visão, Pedro Vital sublinha que "há várias fases, que podem ser atingidas. Eu acredito que se todo o trabalho for bem feito, podem ser dados passos evolutivos, é bom esclarecer que estou a falar apenas de coisas que podem ser feitas", afirmou.
Por exemplo, o gestor de produtos da Talent Spy vê um falso problema, o número reduzido de areal na maioria dos bairros de Luanda. Para ele, as direcções podem encontrar maneiras eficazes de contornar a situação.
"Mesmo com essa questão, o talento ainda existe, antes havia mais campos para jogar, é verdade, hoje, já não existem tantos campos para se jogar, mas com trabalho bem desenvolvido dá para potenciar mais atletas, a questão não passa, necessariamente, por ter grandes relvados, como às vezes se pensa", argumentou.