Jornal dos Desportos

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Futebol

Proletrios em servio suplantam petrolferos

JLIO GAIANO, em Benguela - 06 de Novembro, 2017

Os comandados de Beto Bianchi deram a ver um jogo inseguros e incaracterstico equipa

Fotografia: Vigas da Purificao | EDIES NOVEMBRO

O 1º de Maio de Benguela venceu e cumpriu o que havia prometido à massa apoiante. Passou à cifra dos 39 pontos, a meta fixada pelo técnico Agostinho Tramagal.
No desafio disputado ontem no estádio municipal Edelfride Palhares da Costa “Miau”, os proletários fizerem jus a condição de anfitriões ao derrotarem a forte formação do Petro de Luanda por um golo sem resposta, e terminaram o GirabolaZap2017 em beleza, totalizando 40 pontos.
O atacante Caporai apontou o único golo que sentenciou a partida assistida por cerca de 4500 pessoas. Houve festa e a despedida do GirabolaZap não podia terminar de outra forma senão aos gritos e explosão de alegria vivenciada no estádio.
Foi um fim bonito e de muito simbolismo. O 1º de Maio de Benguela bateu o pé ao todo poderoso Petro de Luanda, que diga-se de passagem, não foi por aí além. Entrou nervoso e desanimado, se calhar, pelo facto de ter perdido do título ganho pelo seu arqui-rival, 1º de Agosto.
O jogo em si conheceu momentos do bom futebol, com os petrolíferos a atacarem, de forma atabalhoada, e os proletários a responderem com mestria e provarem que em casa mandavam eles.
Não foi por acaso que, nalgumas ocasiões, os comandados de Beto Bianchi a revelarem-se inseguros e incaracterísticos, nervosos e indisciplinados. Partiam a virilidade e o árbitro fazia vista grossa, para a insatisfação dos adeptos que clamavam por imparcialidade na sua actuação.
Todavia, o pior não aconteceu porque do outro lado do 1º de Maio havia determinação de se jogar a bola e acabar em beleza a prova que, na sua óptica, há muito já estava ganha. Daí a serenidade e responsabilidade pela forma como abordavam as jogadas naquela que constituiu a melhor das despedidas jamais realizadas das competições no estádio Edelfride Costa \"Miau\".
Que a verdade se diga, viu-se a um Petro de Luanda mal comportado em campo, insurgiam-se, à toa, contra decisões do árbitro, o que  desagradava o público que em resposta vibrava aos golos do 1º de Agosto e apupava às atitudes de certos jogadores petrolíferos, estando o avançado Job entre os visados.
Assim sendo e diante daquela trapalhada, o triunfo proletário não sofre contestação, porquanto o adversário facilitou a tarefa. Ou seja, ao invés de jogar a bola, perdiam o tempo a insurgir-se contra a actuação do árbitro que até revelava alguma simpatia por eles.
Perdoou-lhes uma cartolina vermelha e, como senão bastasse, cortou lances capitais dos proletários, o que explica bem a falta de cultura disciplinar da parte de alguns jogadores do eixo viário. Por isso, perderam por merecer. Bem feito.

SIDÓNIO MALAMBA    
Petro de Luanda
“1º de Maio foi feliz”


“Foi um bom jogo, tivemos que gerir o plantel devido à Taça de Angola, usamos os que não têm rotina e de certo modo deram conta do recado. O 1º de Maio é que foi feliz. Marcou um golo de bola parada está de parada, está de parabéns”.

AGOSTINHO TRAMAGAL    
1º de Maio


"O resto é conversa"Gostámos do desafio, porque as duas actuaram bem durante o tempo de jogo. O Petro com bons jogadores, trocam bem a bola, lutámos para ganharmos e somar mais pontos na última jornadas e realizamos esta meta. O resto é conversa.Tínhamos a missão de vencer o jogo e conseguimos. Quem chega à uma final deve ter orgulho de vencer a final. Não importa como devíamos chegar a final, mas o importante é que conseguimos. Estão de parabéns os meus atletas. Quanto ao adversário não temos preferência”

 

ARBITRAGEM
Impecável Mateus

A actuação da arbitragem de Miguel Julião Mateus, pautou-se pela mediana. Esteve bem no capítulo técnico. Vacilou nalguns lances susceptíveis de falta, protegendo sempre a equipa que viajou da cidade capital. Inclusive, perdeu uma cartolina vermelha a Abdul no minuto 23, quando este agrediu positivamente o seu adversário. Contudo, melhorou de postura já nos últimos minutos da contenda, deixou o jogo fluir e acabou despercebido, por isso merece a distinção positiva (6).

MELHOR EM CAMPO
Brazuca esteve em “grande”


O Brasuca, o jovem atleta formado nas escolas do Nacional de Benguela foi o patrão do meio campo. Está um senhor jogador. Entregou-se de corpo e alma na vitória da sua equipa. Anulou por completo as iniciativas petrolíferas que se via à nora para transpor a bola do meio-campo ao ataque. Construiu com perfeição os jogos ofensivos e destruiu com categoria as acções contrárias, a partir da sua linha intermédia. Daí a merecida distinção de melhor em campo. Bom jogador a ter em conta.