Jornal dos Desportos

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Futebol

Protesto

Jorge Neto - 25 de Outubro, 2018

Representante angolano oficializou o protesto junto a CAF

O presidente de direcção do 1º de Agosto, Carlos Hendrick, deu a conhecer que apresentaram uma nota de protesto à CAF e à FIFA, pela forma irregular como foram eliminados, nas meias-finais da Liga dos Clubes Campeões Africano.
\"Nós, 1º de Agosto, fizemos um protesto dirigido à CAF e à FIFA, deste jogo nº 146, pelas irregularidades visíveis feitas pelo árbitro. O ambiente que foi criado à volta do jogo, fez com que de facto houvesse mesmo influência no resultado\", disse o dirigente, em entrevista publicada ontem, na página oficial do facebook do clube.
Carlos Hendrick espera com o protesto, um outro jogo, em campo neutro, para decidir com justiça o segundo finalista desta competição, a mais prestigiada do continente, a nível de clubes.
\"O nosso pensamento não é de penalização, mas que haja um segundo jogo, vamos jogar num campo neutro, porque esta situação vivida na terça-feira, não foi muito agradável para a nossa equipa, também para a integridade física dos membros da delegação do clube que estavam presentes no campo\", desabafou.
De acordo com dirigente máximo da formação militar, um clima de grande hostilidade foi criado pelos tunisinos, que colocaram os membros da direcção do 1º de Agosto distantes dos dirigentes do Esperance de Tunis e da CAF, uma situação negativa que Carlos Hendrick não aprova, rejeita o mesmo tipo de atitude no futuro.
\"Nós não podemos responder com a mesma moeda. Nós somos um pouco mais hospitaleiros e mais educados que esses povos. Sabemos qual é a cultura deles e como trataram as pessoas. Isso, é um problema deles, mas a questão desportiva tem de ser revista\", assegurou.
No próximo mês de Dezembro vai inicia a 23ª edição da Liga dos Clubes Campeões,  caso o Esperance de Tunis esteja no grupo do 1º de Agosto, o presidente militar garantiu, de imediato, não retaliar.
\"Não terá nenhuma retaliação, vamos fazer o que temos feito com todas as equipas. A vitória desportiva é o que nos interessa\", afirmou, categoricamente, o presidente agostino, para de seguida mostrar a satisfação com a solidariedade prestada pela Federação Angolana de Futebol (FAF). 
\"O papel da Federação é positiva, porque assinou o nosso protesto. O apoio que temos do público é positivo, em função da situação descarada que o árbitro provocou e toda a direcção do Esperance, para que os seus adeptos se comportassem dessa forma. Acho, que a CAF e a FIFA têm de impor ordem, ao comportamento dos desportistas e adeptos tunisinos\", concluiu.

Angola com a derrota  voltou a colocar-se na terceira posição

A eliminação do 1º de Agosto, de forma inglória, na terça-feira, diante da formação do Esperance de Tunis, por 4-2, nos quartos -de -final, não mancha o percurso histórico feito pelos militares, 21 anos depois do regresso à referida competição.
A vantagem da primeira mão, vitória por 1-0, com o golo de Buá, no Estádio 11 de Novembro, foi insuficiente para os angolanos atingirem a almejada final. A enfrentar várias adversidades, o campeão nacional lutou contra tudo e contra todos, deixou a prova de cabeça erguida.
A trajectória dos rubro - negros na maior prova de clubes, a nível continente africano, iniciou com a disputa de duas eliminatórias de acesso à fase de grupos. Nos referidos desafios, diante das equipas do Platinum do Zimbabwe e do Bidvest da África, em Luanda, o 1º de Agosto venceu os zambianos, por 3-0, e no reduto do adversário voltou a superiorizar-se, por 2-1.
No assalto final, das preliminares rumo à fase de grupos, os militares derrotaram em casa o Bidvest, por 1-0, e no jogo de resposta, perderam por 1-0, mas foram mais felizes na marcação de grandes penalidades, ganharam, por 3-2.Qualificados com todo o mérito e confiantes numa campanha airosa, os tricampeões nacionais não temeram os seus adversários da série D, nomeadamente, as formações do Etoile du Sahel, da Tunísia, Mbanbane Swallons de Eswatini (Ex -Suazilândia) e o Zesco United, da Zâmbia.
Na 1ª jornada, receberam e empataram a um golo com os tunisinos. No jogo seguinte, na visita aos eswatinis, averbaram a primeira e única derrota da fase de grupos e fecharam a 3ª jornada com um empate nulo, frente aos zambianos.
Na segunda volta, a equipa orientada pelo sérvio Zoran Maki venceu no Estádio 11 de Novembro a formação do Zesco United, por 2-1, a seguir derrotou pelo mesmo resultado os eswatinis, e empatou a um golo na deslocação à Tunísia.
Nos quartos -de -finais enfrentou o TP Mazembé do Congo Democrático, empatou a zero, em Luanda,  em Lumbumbashi empatou a um golo. Seguiu em frente na competição, em que foi eliminado pelos tunisinos do Esperance de Tunis, jogo que ficou marcado pela parcialidade do trio de arbitragem, liderado pelo zambiano Janny Sikazwe.

Três goleadores 

na artilharia

Três jogadores do 1º de Agosto partilharam a artilharia da equipa, nesta edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos. Tratam-se dos avançados Jacques e Geraldo, e o médio Mongo, todos com quatro golos.
Os atletas citados destacaram-se pela forma como visaram a baliza contrária, não deixando os seus créditos em mãos alheias, marcando inclusive em jogos importantes, que ditaram a passagem às eliminatórias seguintes.
O registo dos três é acumulativo, ou seja, na primeira etapa da competição e na fase de grupos, num total de 16 golos marcados pelo tricampeão, repartidos entre seis na primeira fase e 10 na etapa derradeira.Os agostinos tiveram uma lista restrita de sete goleadores, onde entram ainda o capitão e defesa-central Dany Massunguna e Bobó, além dos médios Ibukun e Buá, cada com uma finalização.
Em relação aos golos sofridos os militares encaixaram um total de 12, divididos em 10 na primeira fase e dois na segunda. O jogo onde os pupilos de Zoran Maki viram quebrada a sua consistência decisiva foi na segunda-mão das meias-finais diante do Esperance de Tunis, onde sofreram quatro tentos e foram eliminados. JN

 Cabaça  seguro nos  penáltis

O guarda-redes Tony Cabaça foi uma das unidades mais influentes na campanha da equipa do 1º de Agosto na Liga dos Clubes Campeões Africanos, ao defender quatro grandes penalidades, em dois dos oitos jogos disputados.
O experiente guarda-redes agostino deixou bem patente as suas credencias, como um especialista na defesa do livre dos onze metros, ao ser um dos principais protagonistas da caminhada do representante angolano.Tony Cabaça entrou no desafio diante da formação do Bidvest da África do Sul, para este específico momento, pois Neblú tinha entrado de início e feito o jogo no tempo regulamentar. O técnico Zoran Maki apostou no guarda-redes de 32 anos, para garantir a entrada à fase de grupos.   
O outro caso e que mereceu rasgos elogio, aconteceu na segunda-mão dos quartos-de-final diante do TP Mazembe, onde o camisola 12 negou o golo em duas ocasiões, sendo uma delas a Trésor Mputo Mabi, carimbando a passagem às meias-finais, com o empate a um golo, após o nulo registado em Luanda.  
Estas exibições fizeram com que Cabaça constasse duas vezes do onze da jornada, eleito pela CAF. JN