Jornal dos Desportos

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Futebol

"Queremos estar na final"

Betumeleano Ferro - 01 de Outubro, 2018

Tony Cabaa acredita num bom resultado amanh no 11 de Novembro para a primeira mo das meias-finais

Fotografia: Edies Novembro

O guarda-redes Tony revelou, que a final da Champions \"é a meta\" em que está focado, mas para chegar até lá, o 1º de Agosto vai ter de começar a se agigantar a partir de amanhã, às 17h00, no estádio 11 de Novembro, em Luanda, para eliminar o Espérance de Tunis.
\"Queremos muito estar na final, mas ainda temos mais este obstáculo para ultrapassar, vai ser duas vezes mais difícil para nós defrontar esse adversário (Espérance de Tunis), vamos ter de trabalhar muito, para alcançar um bom resultado\", assegurou.
A ambição de continuar a escrever a história está presente no balneário, ainda assim Tony garantiu, que os militares precisam de ser impecáveis na primeira mão para alcançar o melhor resultado possível, que para ele é um triunfo sem sofrer golos.
\"1-0 é melhor do que empatar, temos de ir em vantagem para a casa deles, é claro que se desse para escolher o 2-0 já seria bom, o 3-0 melhor, nos daria muito mais segurança e tranquilidade para a segunda mão\", vaticinou.
O 1º de Agosto está bem e recomenda-se, mas, a partir de amanhã, vai ser necessário fazer um novo começo, o guarda-redes sabe que o Espérance é um  adversário que exige atenção redobrada.
\"Eles (tunisinos) jogam muito bem fora de casa, consegui ver isso na eliminatória passada, mas como queremos alcançar um bom resultado, vamos ter de trabalhar muito durante os 90 minutos, para dar sequência a todas as coisas boas que já fizemos até agora, não queremos terminar aqui\", garantiu.
O 1º de Agosto nunca conseguiu vencer nenhum dos 4 jogos que já realizou com o Espérance de Tunis, 1 empate e 3 derrotas é o saldo negativo, mas quando o jogo começar amanhã, ninguém nas hostes militares vai olhar para o passado.
\"A história interessa sim nesses momentos, mas a nossa ideia agora é fazer um bom resultado, é verdade que o futuro não depende só de nós, mas vamos continuar a trabalhar para ultrapassar este obstáculo difícil\", mostrou-se esperançado.
Em 2013, nos 16 avos de final da Champions, os militares levaram uma dose dupla de 1-0 dos mkachkha, um dos cognomes do Espérance. O guarda-redes é um dos sobreviventes dessa eliminatória, há 6 no D´Agosto e 5 no Espérance, por isso ele sabe o que vai acontecer no reencontro com o remanescente da equipa tunisina.
\"Temos de ter todas as cautelas possíveis, o nosso adversário é um dos papões de África, é muito forte, mas vamos estar bem preparados para enfrentá-los\", tranquilizou.
Os militares sabem que a pressão está do outro lado, mas nem por isso querem adoptar atitude de espera, a ambição é aumentar o labor em campo, para tentar chegar a Tunis sem a necessidade de fazer um esforço extra.
\"Tenho fé e acredito num bom resultado em nossa casa, estamos a trabalhar duro e a pensar em coisas positivas, para depois pensarmos na segunda mão com mais calma\", augurou.

Pouco sono depois do show

A mão cheia de Tony Cabaça, na segunda mão contra o TP Mazembe, foi determinante para dar a qualificação ao 1º de Agosto, motivo por que os atletas aproveitaram no final para festejar como nunca antes. Os festejos se prolongaram noite adentro a ponto do homem do jogo não conseguir dormir tanto quanto devia.
\"Não dormi bem naquela sexta-feira, era tanta alegria, fizemos tanta festa que mal deu para dormir\", lembrou.Os festejos do plantel fizeram com que a ficha demorasse a cair, o guarda-redes diz que se limitou a fazer a sua parte, mas só 24 horas depois da proeza de Lubumbashi é que parou para meditar.
\"O jogo não me saía da cabeça, só conseguia pensar em tudo o que tinha acontecido, antes e durante o jogo, foi a partir daí que comecei a ter noção do que aconteceu\", mostrou-se orgulhoso.
A dimensão do que aconteceu em Lubumbashi ganhou outro significado, quando o 1º de Agosto regressou a Luanda, os adeptos foram ao aeroporto esperar a equipa, mas a surpresa maior para Tony Cabaça estava em casa. \"Estava cheio de amigos que foram lá para me dar os parabéns por causa do jogo que fiz, foi um momento de grande alegria, não estava a contar com aquilo\", afirmou. 
A exibição de Tony Cabaça tinha tudo para não ser memorável, ele revelou que os adeptos do TP Mazembe fizeram o impossível para perturbá-lo, mas o ambiente hostil não o abalou.
\"Antes do jogo, eles lançaram-me vários objectos, atiraram-me sambapitos, cassetes de vídeos e até bidões de água, mais tarde quando tentei fazer a minha habitual oração, antes do apito inicial, eles continuaram a me provocar para tentar me desconcentrar\", assegurou.
O experiente atleta garantiu que os vários anos de participação nas Afrotaças fizeram-lhe pintar, com antecedência, o quadro que iria encontrar em Lubumbashi, é por isso que nada o abalou.
\"Fui preparado para enfrentar aquele tipo de ambiente, nada do que eles fizeram ajudou em nada, porque eu já sabia como seriam as coisas, como eles iriam se comportar comigo e com os outros\", afirmou.
O guarda-redes começou a ganhar protagonismo no jogo que deu a entrada para a fase de grupos. Ele rendeu Neblu nos minutos finais do embate com o Wits University, para brilhar no desempate através de pontapés da marca das grandes penalidades.
Ainda assim, Tony Cabaça prefere repartir todos os louros com os colegas.\"Tudo o que tem acontecido tem sido feito pelo grupo, tenho feito a minha parte, mas os outros também fazem a parte deles\", garantiu.

\"Plantel de 1998 era mais forte\"

A meia-final com o Espérance de Tunis trouxe de volta as lembranças da final perdida em 1998, o atleta Tony Cabaça tem bem gravado na memória o filme daquele jogo, por isso, ele não quer comparar o passado com o presente.
\"O plantel de 1998 era mais forte e dava medo, tinha muita qualidade individual e colectiva, os seus jogadores como Mendonça, Filipe, Nsilulu, Muanza, Goliath e outros eram muito bons\", enalteceu.
O jogo de amanhã tem outro cariz, por isso o guarda-redes prefere não falar em vingança, embora reconheça que o desaire ocorrido há duas décadas marcou, pela negativa, a história do clube.
\"Me lembro bem de tudo o que aconteceu naquele dia, eu estava em casa a assistir tudo pela televisão, é claro que fiquei triste porque não fomos nós a ganhar, seria o primeiro título continental para o futebol angolano, mas alguém tinha de ganhar, infelizmente foram eles\", sublinhou.
A realidade agora é diferente, a geração actual é composta por atletas que já se defrontaram em 2013 para os 16 avos de final da Champions, os tunisinos venceram as duas mãos por 1-0, mas o mais importante para Tony Cabaça é aprender com o passado, para que agora seja o 1º de Agosto a sorrir.
\"O que sabemos é que temos de trabalhar muito, temos de dar o máximo para vencer, mas também é verdade que não nos podemos esquecer da história do passado, vamos pegar nas coisas boas que foram feitas em 1998 e aproveitar em nosso proveito\", argumentou.
Dias atrás em Lubumbashi, Tony Cabaça conseguiu perceber bem o drama por que passou o 1º de Agosto na Cidadela, ele assegurou que a mão cheia de defesas que fez, com realce para as duas grandes penalidades, foram determinantes para o desfecho final. \"Deu para sentir a tristeza deles, a dado momento deu para olhar para os olhos deles e ver a frustração deles em primeira mão, todos aqueles falhanços acabou por afectar o rendimento do Mazembe\", enalteceu.
Se, em 1998, Assis era a escolha natural para bater o penálti, em Lubumbashi foram dois os marcadores, um deles, Trésor Mputu ficou irritado por não ter sido autorizado a executar a primeira cobrança, mas também errou quando teve a sua chance.
\"A partir daquele momento o rendimento dele baixou e a equipa se ressentiu, o Mazembe joga muito para os seus atacantes e o Trésor é quem mais serve os avançados, a quebra deles nos beneficiou\", concluiu.

"Pretendemos manter o mesmo onze inicial"

O técnico-adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, garantiu ontem ao Jornal dos Desportos, que pretendem manter o mesmo 11 inicial, que afastou os congoleses do TP Mazembe, quando defrontar, amanhã, os tunisinos.
A equipa militar, que alternou os treinos a porta fecha e com a presença dos adeptos, trabalhou com bastante dinamismo, num clima de perfeita confiança, combinação e alegria. Todos acreditam num bom jogo. No final da última sessão realizada ontem, a equipa técnica aproveitou para retirar algumas ilações, de como está o plantel.
"Em princípio não vamos mudar em relação ao jogo anterior. Acredito que não há motivos para alterações, porque não houve lesões e muito menos problemas de cartões, que possam dificultar os nossos jogadores. Por isso, vamos manter o mesmo onze inicial na terça-feira", revelou.
O treinador admitiu, que o ambiente no balneário é dos melhores e os atletas estão consciente das suas responsabilidades e o grau de dificuldades, ante um adversário com tradição no continente. Ainda assim, Ivo Traça defende que a vitória é a senha que corre na veia da equipa militar.
"Faremos os possíveis para não sofrermos golos e vamos aproveitar todas as oportunidades, para fazermos o jogo da segunda mão com mais segurança", destacou o nosso interlocutor, confiante nesta eliminatória.
Disse mais adiante, que o duelo contra os tunisinos não será fácil. "É uma equipa que tem o modelo de jogo da Europa", reconhecendo que "têm muitos argumentos técnicos, boa organização e, sobretudo, bastante experiência", salientou.
Por último, apelou a toda massa associativa desportiva e a claque do clube, a puxarem pelo representante angolano e agradeceu a recepção tida no aeroporto, depois do empate, com sabor a vitória, em Lubumbashi. "Devem manter a mesma atitude e confiança no grupo, para alcançarmos os objectivos que todos almejamos", realçou.