Jornal dos Desportos

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Futebol

rbitra Marximina Bernardo acusada de corrupo

12 de Abril, 2018

Internacional angolana apitou o jogo da 29 jornada do Girabola 2014 Sporting de Cabinda - Benfica de Luanda

Fotografia: Gaudncio Hamelay / Edies Novembrbo

A árbitra internacional angolana, Marximina Luzia Bernardo, quadro FIFA há 16 anos, deve ficar três anos, a partir da presente época, sem ajuizar qualquer jogo a nível interno, face à suspensão aplicada pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), por alegado acto de corrupção passiva, soube o Jornal dos Desportos de fonte federativa. 

O caso que está na origem da suspensão da árbitra internacional angolana, resulta da época de 2014, ano de que segundo a mesma fonte, ela foi corrompida pelos dirigentes do Benfica de Luanda para facilitar a equipa no jogo que disputou no dia 1 de Novembro, no Estádio Municipal do Tafe, com o Sporting de Cabinda, referente à 29ª jornada do campeonato nacional, cujo resultado saldou-se numa igualdade a uma bola. O Conselho de Disciplina da FAF, segundo ainda a fonte, após uma investigação, resultante da denúncia de um antigo dirigente do clube da águia luandense (não revelou o nome), conseguiu provas de documentos saídos da contabilidade do Benfica de Luanda, como uma transferência bancária para uma das contas da referida árbitra.

"A árbitra internacional Marximina Bernardo está suspensa por três anos, a partir desta época, por se provar isso, de acordo com os documentos em posse do Conselho de Disciplina da FAF, ter recebido dinheiro proveniente do Benfica de Luanda, em 2014, para facilitar esta equipa no jogo que disputou em Novembro desse ano, no Estádio do Tafe, com o Sporting de Cabinda, para a 29ª jornada do Girabola. O dinheiro resulta de uma transferência bancária efectuada por alguém com ligações ao clube Benfica", disse a fonte.  

A fonte disse, igualmente, que o indivíduo que alegadamente fez a transferência do dinheiro para a conta da árbitra Marximina Bernardo (não foi revelado igualmente o seu nome) não faz parte dos quadros do Benfica de Luanda, é apenas uma pessoa com afinidades ao clube, mas o comprovativo bancário estava nos gastos efectuados pelo grémio da águia. 

O caso, segundo a mesma fonte, nunca chegou à alçada da Procuradoria Geral da República, por isso, não soube dizer se o elenco liderado por Artur Almeida e Silva vai entregar o expediente aos órgão de justiça para o devido tratamento.  

Admitida como árbitra de primeira categoria nacional, na época de 2000, ano em que se estreou no Girabola como a primeira mulher a apitar na primeira divisão, a carreira de Maximina Luzia Bernardo, licenciada em Ciências do Desporto, na Especialidade de Motricidade Humana, pela Universidade Jean Piaget, tem sido de sucesso.  

Nascida a 25 de Janeiro de 1979, na cidade do Huambo, Marximina Bernardo foi admitida nos quadros da FIFA em 2002. Ao longo dos 16 anos com as insígnias do órgão reitor da modalidade no mundo, ajuizou mais de 60 jogos internacionais e esteve presente em três edições do Campeonato Africano das Nações (CAN) feminino, nomeadamente, na África do Sul (2004), Nigéria (2006) e Guiné Equatorial (2012). 

O Jornal dos Desportos tentou ouvir  a versão do Benfica de Luanda sobre o assunto, mas não foi possível, pois, o vice-presidente Mário Rocha, ao que nos foi informado encontra-se no exterior do país.

“É tudo calúnia o que dizem”

A árbitra internacional Marximina Bernardo, suspensa da actividade de arbitragem por três anos, com efeitos a partir da presente época, disse ontem  ao Jornal dos Desportos, por telefone, ser "pura calúnia" estar associada a um caso de corrupção, na temporada de 2014, em relação ao jogo que envolveu o Benfica de Luanda.

Muito revoltada com a suspensão imposta pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol, a experiente profissional da arbitragem angolana fez questão de afirmar que não está e nunca esteve envolvida em casos de corrupção e que o antigo dirigente do Benfica de Luanda, no caso Augusto Silva "Alvarito", considerado o fomentador da situação, "deve estar maluco". 

“É tudo calúnia, o que dizem a meu respeito. Não estou associada a nenhum caso de corrupção. O senhor Alvarito (antigo dirigente do Benfica de Luanda) deve estar maluco. Já constituí um advogado e por isso, já não me pronuncio sobre o caso. Quem quiser mais informações  contacte o meu advogado”, disse a árbitra internacional angolana, que fez menção de informar que está a gozar uma licença de parto, porque está em estado de mãe. 

“A minha ausência não tem nada a ver com suspensão, por qualquer caso de suspeita de corrupção ou caso do género. Pedi uma licença para uma época”, disse.

Marximina Bernardo mostrou-se confiante em regressar ao activo, muito provavelmente antes do começo da próxima época, deve cumprir uma intensa fase de recuperação, com  vista o propósito de voltar em grande às competições nacionais e internacionais.

“Devo regressar aos relvados no próximo ano, porque devo ter o meu filho em Julho (deste ano) e depois tenho de me recompor, fazer treinos de recuperação física. Só devo estar apta para apitar no próximo ano”, assegurou. O caso que reportamos, segundo fontes da FAF, é do Girabola 2014, e faz alusão ao jogo Sporting de Cabinda-Benfica de Luanda, referente à 29ª jornada da competição.
PC

“Acto” da juíza

está amnistiado

Na eventualidade da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) não ficar pela sanção disciplinar de três anos de suspensão, deliberada pelo seu Conselho de Disciplina  contra a árbitra Marximina Bernardo, por suposto acto de corrupção passiva, e em aditamento tramitar o processo para instância criminal (tribunal), a pretensão não teria, como soe dizer-se, "pernas para andar" , por tratar-se de uma infracção, cujo procedimento criminalmente está amnistiado. 

Os factos que ditaram a suspensão da árbitra internacional angolana, ocorridos alegadamente no ano de 2014, estão abrangidos pela Lei nº 11/16, de 12 de Agosto que no âmbito do seu artigo 1º, ponto 1, estipula de forma  imperativa que "são amnistiados todos os crimes comuns puníveis com pena de prisão de 12 anos até 11 de Novembro de 2015", ficam de fora, portanto, o ano em que Marximina Bernardo está indicada por favores pagos no jogo entre o Sporting de Cabinda e o Benfica de Luanda.

Se assim não fosse, e se hipoteticamente a Federação, num  cenário de não amnistia, avançasse com o processo crime, a árbitra arriscava a ser indiciada pelo crime de corrupção passiva previsto e punido pelo artigo 37, nº 1, da Lei nº 3/14, de 10 de  Fevereiro. 

Nos termos deste preceito legal, a árbitra, uma vez indiciada, julgada e condenada, expunha-se a uma pena de prisão, pois, é assim, para quem "por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, ou a sua promessa, para a prática de qualquer acto ou omissão contrários aos deveres do cargo, ainda que anteriores àquela solicitação ou aceitação".
ANTÓNIO FÉLIX